“É uma faca no meu coração”, diz mãe de Priscila Belfort sobre desaparecimento de filha há 10 anos | Rio das Ostras Jornal

“É uma faca no meu coração”, diz mãe de Priscila Belfort sobre desaparecimento de filha há 10 anos

Priscila Belfort está desaparecida há 10 anos.
Jovita Belfort não desiste de descobrir paradeiro da filha
Arquivo Pessoal / Reprodução
 Jovita Belfort ajudou na criação de delegacia para desaparecidos e busca solução para o caso

Jovita Belfort luta há 10 anos para encontrar a filha desaparecida, Priscila Belfort. A mãe lamenta ter que passar tanto tempo sem notícias da jovem.

— O tempo não cura, só piora, machuca mais todos os dias. É uma faca no meu coração que ninguém consegue tirar.

Priscila desapareceu em 2004 após sair do trabalho para almoçar. Na época do desaparecimento, a família recebeu dois pedidos de resgate falsos. Apesar da repercussão nacional do caso, por ser irmã do lutador Vitor Belfort, a jovem nunca foi encontrada.

— O desaparecido não é igual ao luto de uma morte. Eu não faço parte nem dos vivos nem dos mortos. É uma situação muito difícil, porque a cabeça não para, a vida não para e a gente começa a ficar sozinha nessa luta.

Jovita decidiu se unir às ONGs Rio de Paz e Meu Rio para ajudar a evitar novos desaparecimentos. Em parceria com as ONGs, Jovita utilizou um aplicativo para pressionar as autoridades de segurança do Rio a criarem uma delegacia especializada.

No dia 22 de setembro, foi inaugurada a DDPA (Delegacia para Paradeiro de Desaparecidos) na zona norte do Rio. Na nova unidade, há estrutura própria, plantão 24 horas, ligação direta com banco de DNA do Estado e núcleos específicos de investigação. A delegada Elen Souto diz acreditar que a especialização auxilia a encontrar os desaparecidos.

— Nossa meta é esclarecer o maior número possível, estudar o perfil dos desaparecidos, aprimorar as técnicas de investigação desses núcleos, se tornar mais especializado e estabelecer redes mais forte com assistência social e saúde.

Ruy Reis, de 73 anos, foi uma das pessoas encontradas graças à DDPA. Ele desapareceu em setembro de 2013 quando saiu de casa para visitar a mulher. A filha de Ruy afirma que a emoção de reencontrá-lo foi muito forte. O senhor sofre de perda de memória e não conseguiu voltar para casa.

— Passei frio, passei fome. Passei tudo de ruim. Nunca mais vou sumir.

No Estado do Rio, em 2014, mais de 6.000 desapareceram. Crianças, pessoas com deficiência e idosos com Alzheimer são os que mais se perdem das famílias. Na capital do Rio acontecem cerca de cinco desaparecimentos por dia.

Para Jovita, a DDPA surge para renovar as esperanças. Ela resolveu que vai solicitar a abertura do caso de Priscila e deseja que a investigação seja conduzida pela nova delegacia. A mãe de Priscila também sonha em ter seu final feliz, mesmo após 10 anos.


— Ninguém sabe o que aconteceu. É 50% pra lá e 50% pra cá. Aí acerta pra onde? Eu fico com o lado vivo.

Fonte: R7
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