Refugiados curdos disseram que vilas foram queimadas e
reféns decapitados pelos extremistas
Aviões dos Estados Unidos atacaram posições do Estado Islâmico
na Síria pelo segundo dia nesta quarta-feira (25), mas os ataques não
contiveram o avanço dos combatentes em uma área curda onde refugiados que
deixavam a região disseram que vilas estavam sendo queimadas e reféns estavam
sendo decapitados.
O presidente dos EUA, Barack Obama, falando na sede das
Nações Unidas, pediu que o mundo se juntasse para combater os militantes e
prometeu manter pressão militar sobre o grupo.
"A única língua compreendida por assassinos como eles é
a da força, então os Estados Unidos irão trabalhar com uma coalizão ampla para
desmontar essa rede da morte", disse Obama em um discurso de 40 minutos na
Assembleia-Geral da ONU.
O primeiro-ministro britânico, David Cameron, pediu
novamente que o Parlamento vote na sexta-feira sobre a decisão de se juntar aos
EUA nos ataques aéreos. Cameron disse em seu pronunciamento na ONU que uma
estratégia abrangente era necessária para combater o Estado Islâmico.
"Nossa estratégia deve funcionar guiada pelos Estados
árabes, sempre em apoio à população local, alinhada às nossas obrigações legais
e como parte de um plano que envolva a nossa assistência, a nossa diplomacia e,
sim, nossas Forças Armadas", disse Cameron na ONU.
"Precisamos agir e precisamos agir agora",
disse.
Os curdos da Síria disseram que o Estado Islâmico respondeu
aos ataques dos EUA intensificando seu ataque na região fronteiriça com a
Turquia no norte da Síria, onde 140 mil civis fugiram nos últimos dias no
movimento de êxodo mais rápido da guerra que já dura três anos.
Washington e seus aliados árabes mataram dezenas de
combatentes do Estado Islâmico nas primeiras 24 horas de ataques aéreos, a
primeira ação militar direta dos Estados Unidos na Síria duas semanas depois
que Obama se comprometeu a atacar o grupo dos dois lados da fronteira entre
Iraque e Síria.
Entretanto, o avanço do grupo na cidade de Kobani mostrou a
dificuldade que Washington enfrenta para derrotar os combatentes islâmicos na
Síria, onde carece de aliados militares fortes atuando por terra.
"Esses ataques aéreos não são importantes. Precisamos
de soldados no chão", disse Hamed, um refugiado que fugiu do Estado
Islâmico e foi para a Turquia.
Mazlum Bergaden, um professor de Kobani que cruzou a
fronteira nesta quarta-feira com sua família, disse que dois de seus irmãos
haviam sido capturados por soldados do Estado Islâmico.
"A situação é muito ruim. Depois que eles matam
pessoas, eles estão queimando as vilas... quando eles capturam uma vila, eles
decapitam uma pessoa para assustar as demais", disse. "Eles estão
tentando erradicar a nossa cultura e expurgar a nossa nação".
A luta entre militantes do Estado Islâmico e os curdos podia
ser vista do outro lado da fronteira com a Turquia, onde os sons esporádicos
dos disparos de artilharia ecoavam pelas montanhas.
Os primeiros dias de ataques dos EUA sugerem que um dos
objetivos é prejudicar as habilidades do Estado Islâmico em operar na fronteira
entre Iraque e Síria.
Na quarta-feira, as forças lideradas pelos EUA atacaram pelo
menos 13 alvos em Abu Kamal e na região, uma das principais travessias de
fronteira entre Iraque e Síria, depois de ter atingido 22 alvos na terça-feira,
disse o Observatório da Síria para Direitos Humanos, um órgão que monitora o
conflito na Síria.

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