Autor da medida que derruba o decreto, Mendonça Filho reafirmou que a decisão de Dilma pretende aproximar o País de modelos de governo adotados pela Bolívia e pela Venezuela.
Câmara aprovou urgência de projeto que derruba medida.
Votação final deve ocorrer em agosto
Após a aprovação da urgência de projeto para derrubar o
decreto presidencial que cria conselhos populares, deputados compararam a
medida de Dilma a mecanismos antidemocráticos da Rússia comunista e da
Venezuela de Hugo Chávez.
Na noite de quarta-feira, o plenário da Câmara aprovou, por 294 votos a 54 e 3
abstenções, o requerimento de urgência para o Projeto de Decreto Legislativo
1491/14, do deputado Mendonça Filho (DEM-PE), que suspende o decreto
federal.
Com a aprovação da urgência, a medida deve ser votada no
início de agosto, após o fim do chamado "recesso branco" (acordo entre os líderes prevê que, nas
próximas duas semanas, a Câmara não tenha sessão plenária).
— Mostramos, com a aprovação da urgência, que a maioria da
Câmara é contrária ao decreto presidencial — afirmou o deputado Roberto Freire
(PPS-SP) — Podemos dizer, então, que a medida está com os dias contatos.
Autor da medida que derruba o decreto, Mendonça Filho
reafirmou que a decisão de Dilma pretende aproximar o País de modelos de
governo adotados pela Bolívia e pela Venezuela.
— Bolivarianismo não tem nada a ver com o Simon Bolívar e
sim com o governo ditatorial do ex-presidente Hugo Chávez, da Venezuela, e de
seu sucessor, Nicolás Maduro — disse.
Já o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) comparou os conselhos
populares aos sovietes, conselhos de operários formados durante a Revolução
Russa.
— Essa é uma experiência do início do século passado e que
não deu certo.
Desde sua edição, o decreto presidencial vem sendo criticado
mesmo por integrantes da base e já foi motivo de rebelião na Câmara. Os
parlamentares afirmam que Dilma tentou atropelar o Congresso ao lançar mão de
um decreto, que não precisa da aprovação da Casa, em vez de enviar um projeto
de lei para votação.
Poucos deputados mostram-se simpáticos ao projeto. A
deputada Maria do Rosário (PT-RS) afirmou que a democracia não pode se limitar
à delegação aos parlamentares eleitos, pois deve ser exercida também quando o
governo ouve diretamente a sociedade.
Fonte: www.riodasostrasjornal.com.br

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