Além dos royalties e a participação especial dos blocos do pré-sal já licitados destinados à administração direta da União e os resultados de aplicações financeiras do próprio fundo.
A votação dos royalties do petróleo
para educação e saúde foi adiada para depois do recesso parlamentar, mas entidades dizem que é
preciso permanecer focadas. A briga é para que se mantenha a decisão da Câmara
dos Deputados. Por outro lado, caso a proposta da Câmara seja aprovada, o
governo teme a judicialização que pode dificultar o repasse de recursos
para os dois setores. A defesa é pela aprovação do projeto tal como aprovado
pelo Senado Federal.
A
principal diferença entre os textos está no uso dos recursos do Fundo Social. O
texto do Senado determina a aplicação obrigatória de 50% dos rendimentos do
fundo em saúde e educação, já o da Câmara que metade das verbas totais do fundo
seja investida nos setores. Técnicos da Câmara dos Deputados calcularam que a
proposta aprovada pelos senadores resultaria na redução de R$ 170,9
bilhões no repasse para as áreas, dos quase R$ 280 bilhões previstos pelo
projeto aprovado na Casa.
Apesar
de os deputados terem rejeitado praticamente todo texto aprovado pelo Senado
ainda restam destaques a serem analisados. Se os destaques forem aprovados,
pontos do texto do Senado podem ser retomados à proposta.
Em
carta aberta, a Campanha Nacional pelo Direito à Educação, rede composta por
mais de 200 organizações em todo o Brasil, pede que os deputados rejeitem os
destaques: “o Parlamento deve, antes de tudo, beneficiar os direitos sociais,
especialmente quando são legitimados pela participação cidadã”.
Em
entrevista à imprensa nesta semana, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante,
disse que o adiamento da votação não prejudica os avanços feitos até o momento
e foi mais flexível quanto à proposta a ser aprovada: “Estamos lutando há muito
tempo por isso [aprovação dos royalties para
educação]. Estávamos com dificuldade de a Câmara aceitar, da outra vez mandamos
uma medida provisória e ela foi rejeitada [MP 592/2012]. Felizmente agora nós
aprovamos na Câmara e no Senado, falta concluir a votação. Qualquer que seja a
solução vai ser uma boa solução para o Brasil”.
O
Fundo Social do Pré-Sal, segundo publicação no portal do governo, terá
como recursos a parcela do valor do bônus de assinatura dos contratos de
partilha de produção, a parcela dos royalties que cabe à
União e a receita obtida com a venda de petróleo, gás natural e outros
hidrocarbonetos. Além dos royalties e a
participação especial dos blocos do pré-sal já licitados destinados à administração
direta da União e os resultados de aplicações financeiras do próprio fundo.
O
objetivo é criar uma fonte de recursos para o desenvolvimento social e
regional, por meio de programas e projetos nas áreas de educação, cultura,
saúde pública, Previdência, ciência e tecnologia e meio ambiente. A preocupação do governo é que o fundo seja desestruturado caso
seja utilizado o principal e não os rendimentos. De modo que no futuro não
haja recursos.
Defendendo
a posição das entidades civis e baseando-se em projeções de envelhecimento da
população, o doutor em educação, professor da Universidade Federal de
Goiás (UFG), Nelson Cardoso, diz que é necessário investir o principal. “Com a
redução da população em idade escolar nos próximos anos, esse é um recurso que
ou se usa agora, ou não se usa. Usando apenas o rendimento do fundo, serão
menos recursos”. Ele compara o investimento a uma poupança familiar. “É o mesmo
que receber um dinheiro, querer guardar para os tataranetos e esquecer dos
filhos”.
A
diretora executiva do movimento Todos pela Educação, Priscila Cruz, defende
que, independentemente da proposta aprovada, todos os recursos adicionais sejam
investidos nos professores. “Tem que melhorar a atratividade, estimular os
professores, cumprir o piso salarial. Investindo nos docentes, estaremos
investindo no destino certo. As melhorias vão atrair profissionais cada vez
mais qualificados e com isso, melhorar o ensino”.
Fonte: Agência Brasil

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