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| Câmara Municipal de Cabo Frio. |
Localizada num prédio histórico, datado de 1873, a Câmara Municipal de Cabo Frio é muito mais do que um espaço legislativo. Pouca gente sabe, mas ali dentro existem registros históricos datados de 1821, como as atas das primeiras sessões legislativas, do tempo em que sequer existia a figura do prefeito, e quem governava a cidade era o presidente da Câmara.
Uma
história rica, preservada desde 2001 pela paleógrafa Margareth Silva Rodrigues
Alves, e que ontem(17) foi apresentada à equipe de trabalho do vereador Emanoel
Fernandes (PSC).
“Por
incrível que pareça, muitas pessoas que trabalham na Câmara não têm noção de
que aqui, nesta sala, temos este acervo tão precioso. Por isso fiz questão de
trazer minha equipe para conhecer este espaço, porque não podemos pensar em
melhorar o futuro se não valorizarmos nosso passado”; comentou Emanoel,
referindo-se à Sala das Atas, onde funciona parte do arquivo histórico da
Câmara.
Embora já
conhecesse o espaço, hoje o vereador experimentou uma sensação nova, ao ver,
pela primeira vez, parte da história do Legislativo cabo-friense bem de perto:
um livro de “Actas”, com documentos entre o período de 14 de abril de 1830 a 21
de junho de 1832. Um verdadeira relíquia, escrita à mão, que foi 100%
transcrita por Margareth, e desde setembro do ano passado está disponível no
site www.paleografia.com.br,
junto com vários outros documentos antigos e históricos.
“Este
livro de atas é o que mais chama a atenção por sua aparência histórica, e
devido ao seu estado, raramente podemos manuseá-lo. Mas temos temos documentos
originais bem mais antigos”; contou a paleógrafa, lembrando que, ao todo, são
cerca de 158 mil documentos (atas, resoluções, tombamentos, registros de
aforamento da Secretara de Fazenda e da Câmara, e documentos diversos) desde
1821 até os dias atuais. Parte do acervo fica na Câmara, e uma grande parte
está na Secretaria Municipal de Fazenda de Cabo Frio.
“Antigamente,
todos esses documentos eram escritos à mão. Mas a caneta e a tinta utilizados
eram muito diferentes dos materiais que conhecemos hoje. Naquela época usava-se
a chamada caneta tinteiro, e a tinta utilizada era a ferro gálica, feita da
mistura de nozes, vinho ou cerveja, goma arábica e sulfato ferroso. Por ser uma
tinta adocicada, ela acaba atraindo insetos, e por isso o cuidado na
preservação desses documentos é muito grande - explicou Margareth, que para
fazer este trabalho de cadastro e preservação histórica dos documentos, também
utiliza toda sua experiência como professora de História e restauradora, mas é
o amor pelo resgate da história que acaba falando mais alto.
Por
tamanha dedicação, Margareth já foi homenageada com uma Moção de Aplausos pela
Câmara Municipal, e em setembro de 2011 foi convidada a palestrar na Biblioteca
Nacional.

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