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| Bandeiras do MST são hasteadas em prédio dentro da usina (Foto: Rafael Duarte/ANP) |
Segundo pessoas próximas, o grupo recebia ameaças constantes.
Um
militante do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) foi assassinado na
noite de sexta-feira (25) em Campos dos
Goytacazes, no Norte Fluminense. Cícero Guedes dos Santos era um dos
líderes do movimento no assentamento nas terras da usina Cambaíba, em Martins
Lage, na divisa da cidade com o município de São João da
Barra. Cícero foi atingido com vários tiros na cabeça e encontrado
em uma estrada vicinal.
Segundo
pessoas próximas à vítima, Cícero teria sido visto pela última vez por volta
das 22h, andando de bicicleta entre os lotes do Assentamento Oziel Alves,
acampamento montado pelos sem-terra dentro da usina.
De acordo
com o MST, a morte pode ter sido ocasionada pela disputa da terra. Os sem-terra
pediam a desapropriação de parte da propriedade de 2.800 hectares considerada
improdutiva pelo Incra. Desde o ano 2000, o MST ocupa uma parte do terreno da
usina,e desde então o caso está em disputa na Justiça. Cícero foi um dos
coordenadores da ocupação.
O delegado
da 134ª Delegacia de Polícia de Campos dos Goytacazes, Geraldo Rangel, que
acompanha o caso, informou que a investigação trabalha com hipótese semelhante
à levantada pelos sem-terra.
Segundo o
delegado, a quebra do sigilo telefônico de Cícero Guedes vai ser solicitada, já
que ele descartou a hipótese de latrocínio e acredita que o crime tenha mesmo
ligação com o movimento sem-terra.
De acordo
com a professora de Serviço Social da Universidade Federal Fluminense, Ana
Costa, que acompanhava as intervenções do grupo na cidade, R$ 570 em dinheiro e
notas fiscais - originárias da comercialização da produção do MST -, foram
encontradas no bolso da vítima.
"O
dinheiro não foi mexido e por isso só pode ter sido morte encomendada. Foi
encontrado projétil debaixo do corpo. Vamos desencadear todo o esforço que
pudermos para não deixar esse crime impune", afirmou a professora.
O diretor
do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF) e também
integrante do MST há 20 anos, Luiz Carlos Mendonça, afirmou que já tinham
ocorrido ameaças a integrantes do movimento. “Logo que ocupamos as terras no
dia 1 de novembro, na primeira semana sofremos ameaças de pessoas, registramos
queixa na delegacia e a partir daí começamos a tomar as precauções para nossa
integridade”, disse. Ainda segundo ele, uma guarnição da polícia teria sido
solicitada para que ficasse na entrada do assentamento.
Em nota
oficial, o MST se pronunciou sobre o assassinato. "A morte da companheiro
Cícero é resultado da violência do latifúndio, da impunidade das mortes dos Sem
Terra e da lentidão do Incra para assentar as famílias e fazer a Reforma
Agrária".
Enterro
Segundo a
família, a previsão é de que o enterro de Cícero Santos aconteça no domingo
(27), entre os horários de 10h e 12h. O local do velório ainda está para ser
definido e deve ser realizado ou no assentamento Zumbi dos Palmares, em Campos
dos Goytacazes, ou na sede do Sindipetro-NF, também na cidade.

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