Classe média compra carro blindado em até 36 vezes, e produção bate recorde
Com 70% do mercado, São Paulo puxou produção e vendas em 2008. Abrablin afirma que 1º trimestre sinaliza movimento igual em 2009.
Antes restritos a milionários, os carros blindados chegaram à classe média paulista, que, embarcada em maior oferta de crédito, fez a produção e vendas baterem recorde em 2008.
As blindadoras afirmam que, apesar da crise econômica, as vendas nos primeiros três meses deste ano repetiram o bom desempenho de igual período de 2008. "A crise impactou no final do ano, o que significa que teríamos um 2008 ainda melhor caso ela não tivesse existido, mas 2009 começou bem de novo. Janeiro, fevereiro e março de 2009 estão muito parecidos com os mesmos meses de 2008", disse o vice-presidente da Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin), Tito Anspach.
O modelo mais blindado do ano passado foi um sedan médio produzido no Brasil que sai da montadora por aproximadamente R$ 70 mil. Para blindar o veículo com o nível III-A, que protege o ocupante até contra disparos de pistola ponto 40, o proprietário paga entre R$ 40 mil e R$ 60 mil. A conta pode ser dividida em até 36 vezes.
Número de pacientes com a nova gripe sobe a 135 no Japão
Maioria dos casos são de contágio interno, em quem não deixou o país. Escolas foram fechadas em Osaka e Hyogo, e premiê pediu calma.
O número de casos da nova gripe no Japão atingiu 135 nesta segunda-feira (18), segundo a agência Kyodo, citando o Ministério da Saúde e autoridades sanitárias locais.
A maioria dos casos é de contágio interno, ou seja, de pessoas que não viajaram recentemente à América do Norte, onde surgiu a epidemia. Foram registrados 39 novos infectados em Osaka e Hyogo, o que levou ao fechamento de quase todas as escolas nestas províncias.
O país registrou um aumento rápido no número de contaminados no fim de semana. Na sexta-feira, havia apenas 7 casos, 4 deles em pacientes que "importaram" a doença do Canadá.
O premiê Taro Aso pediu aos japoneses que mantenham a calma. O governo disse não ter planos de pedir à população que interrompa suas atividades cotidianas.
A idade dos contaminados varia entre 5 e 60. Muitos dos casos foram registrados entre estudantes que não viajaram para o exterior recentemente, segundo o Ministério da Saúde e autoridades sanitárias locais.
"Muitos infectados receberam tratamento apropriado na fase inicial da doença e se recuperaram", disse Aso.
Segundo os critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS), agência da ONU que centraliza o combate à epidemia, o aumento do número de contágios domésticos, como o que ocorre no Japão, pode significar que a transmissão "em nível comunitário" já teria começado.
Isso poderia levar a OMS a aumentar o alerta pandêmico do atual nível 5 -de pandemia iminente- para o 6, que indicaria que a epidemia, iniciada no México, já tem alcance mundial.
A OMS disse no domingo que está observando a situação no Japão com cuidado, mas que não está claro ainda se o surto no país poderia aumentar o alerta pandêmico.
Os quatro casos "importados" do Canadá foram os primeiros registrados no Japão. Os afetados são cidadãos japoneses - um professor do ensino médio de cerca de 40 anos e três alunos de aproximadamente 16 anos - da província de Osaka e tinham voltado de uma viagem de estudos em Oakville, no Canadá.
Governo do Sri Lanka declara vitória e anuncia morte de líder rebelde tâmil
Velupillai Prabhakaran está entre os mortos em 'confronto final'. Separatistas dos Tigres Tâmeis renderam-se após 25 anos de guerrilha.
O governo do Sri Lanka declarou nesta segunda-feira (18) que "esmagou" a resistência final da guerrilha dos Tigres Tâmeis, matando pelo menos 150 rebeldes, entre eles o chefe da guerrilha, Velupillai Prabhakaran.
Com isso, segundo o governo, encerram-se 37 anos de luta pela independência da minoria tâmil e 25 anos de guerra civil no país -que deixaram, segundo a ONU, mais de 70 mil mortos, 6 mil deles apenas em 2009.
O anúncio foi feito na TV estatal em um boletim extraordinário. Não foram dados detalhes das circunstâncias da morte. Seus principais assessores, conhecidos como Soosai e Pottu Amman, também tiveram suas mortes anunciadas.
Analistas dizem que a morte ou a captura de Prabhakaran era essencial para calar de fato a guerrilha, que havia anunciado sua rendição no domingo. Livre, ele poderia usar sua rede internacional de contrabando para reiniciar a guerrilha.
O chefe do Exército do Sri Lanka, general Sareth Fonseka, disse que as tropas derrotaram os últimos rebeldes que ainda se concentravam em uma área no norte do país, retomaram o controle da região e estavam tentando identificar o corpo de Prabhakaran entre os mortos.
Os rebeldes do grupo Tigres para a Libertação do Eelam Tamil (LTTE) anunciaram a rendição no domingo.
O anúncio foi feito em comunicado no site oficial pró-rebeldes e é assinado por Selvarajah Pathmanathan, chefe de relações internacional do gripo. Nele, o grupo disse que se encontra em um beco sem saída em sua guerra contra o governo.
"Só temos uma última escolha: remover a última desculpa de nosso inimigo para matar nosso povo. Nós decidimos silenciar nossas armas", diz o texto.
Britânica leva 500 picadas em ataque de abelhas na França
Grupo de turistas visitavam exposição em pombal quando enxame invadiu o local.
Uma britânica se recupera em um hospital da França após ter levado 500 picadas em um ataque de abelhas dentro de uma galeria de artes no sudoeste do país.
A mulher e outras nove pessoas foram atacadas pelo enxame na tarde de sábado enquanto visitavam uma exposição de pinturas e esculturas de bronze dentro do pombal do castelo de Ardennes, no vilarejo de Moulidars.
A organizadora da mostra, Laure Mouttet, contou ao jornal local "Charente Libre" que correu ao pombal ao ouvir gritos.
"Quando cheguei ao local me deparei com uma verdadeira cena de Hitchcock. As mulheres se debatiam em pânico em meio a uma nuvem de insetos".
"As abelhas estavam emaranhadas em seus cabelos, blusas, sobre o rosto e pescoço", completou Mouttet.
Duas das vítimas correram para seus carros, mas foram seguidas por parte do enxame, que conseguiu entrar nos veículos por janelas entreabertas.
Um dos visitantes da exposição conseguiu chamar o Corpo de Bombeiros, que chegou ao local com quatro ambulâncias.
Segundo um dos bombeiros, a britânica que levou 500 picadas foi atingida principalmente no rosto, pescoço e couro cabeludo.
A galeria foi fechada após o incidente e especialistas em insetos da região foram contratados pela prefeitura para tentar localizar a colmeia.
Blog com fotos constrangedoras de famílias faz sucesso na internet
Blogueiros colocaram site no ar há uma semana e já recebem 2 milhões de visitas diárias.
Criado há uma semana, o blog Awkward Family Photos, ou Fotos Esquisitas de Família em tradução livre, está atraindo a atenção dos internautas, celebrando a esquisitice de famílias.
O blog foi criado por dois americanos, Mike Bender e Doug Chernak, que cresceram juntos em Nova Jérsei e hoje trabalham como escritores em Los Angeles.
"Nós estávamos almoçando juntos há cerca de um mês, como sempre fazemos, contando histórias sobre nossas famílias, que normalmente envolvem alguma situação esquisita", disse à BBC Brasil Mike Bender.
"A gente se deu conta de que há algo de universal sobre a esquisitice de famílias e achamos que seria bacana fazer um blog. E qual a melhor maneira de mostrar isso do que as fotos de família, algo com que todo mundo pode se identificar?"
Os dois voltaram para a casa e começaram a procurar fotos antigas. "Doug encontrou a da família na árvore. Foi isso. Era lindamente esquisita...", disse Bender.
A dupla encontrou mais fotos na internet e pediu a amigos que doassem fotos para o projeto. "Eu mesmo inclui uma da minha família", disse Bender, "mas não vou dizer qual é!".
Quando tinham fotos suficientes, os dois lançaram o site. Um amigo que trabalha em uma estação de rádio anunciou o blog e outras estações foram atrás.
"Nosso medo era que não recebessemos contribuições suficientes", disse Bender, "mas as pessoas têm enviado fotos que nem malucos".
"Acho que há algo de catártico para as pessoas em dividir a esquisitice de suas famílias e era isso que esperávamos que o site se tornasse, uma celebração comunitária da esquisitice."
Bender conta que já houve alguns incidentes, como o de uma menina que enviou uma foto e, no dia seguinte, disse que ela e o namorado estavam bêbados quando a fizeram e queriam retirá-la. "Infelizmente, àquela altura ela já estava na internet!"
Com apenas uma semana de vida, o blog está recebendo mais de 2 milhões de visitas por dia. Os autores também já foram procurados por três editoras - Penguin, Harper Collins e Random House - interessadas em publicar um livro com as fotos.
Americana deu à luz gêmeos de pais diferentes
Testes de DNA revelaram que os filhos gêmeos nascidos de uma mulher nos Estados Unidos há quase um ano são de pais diferentes.
Segundo informações da rede de TV americana Fox 4, Mia Washington, de Dallas, engravidou do namorado James Harrison, e também de um outro homem, cuja identidade não foi revelada. Intrigada porque os meninos - hoje com 11 meses de idade - estavam crescendo com feições bastante diferentes, a mãe decidiu fazer um exame de DNA para provar a paternidade.
Para sua surpresa, o resultado confirmou que os meninos tinham 99,999% de chances de serem filhos de pais diferentes. Mia Washington então procurou a rede de TV para contar sua história. A mãe admitiu o caso, e o noivo, James Harrison - pai de um dos meninos -, diz ter perdoado a traição. Ele prometeu criar Justin e Jordan como se fossem seus filho
O pai do outro menino não foi identificado, mas Mia Washington disse à rede Fox que pretende contar a história aos filhos no futuro. Ela, no entanto, não pensa em entrar em contato o outro pai. "De todas as pessoas nos Estados Unidos, e de todas as pessoas no mundo, foi acontecer comigo. Estou chocada", disse Mia Washington à Fox.
O caso de dois gêmeos de pais diferentes é bastante raro, mas pode ocorrer se a mulher liberar mais de um óvulo durante seu período fértil e tiver relações sexuais com dois homens em um curto período.
O fenômeno é conhecido como superfecundação heteropaternal. De acordo com o médico Chris Dreiling, da Associação Pediátrica de Dallas, ouvido pelo canal de TV, "este provavelmente será o único caso que vamos ver na cidade de Dallas. É raro assim".
Enchente faz Zoo de Teresina funcionar em regime de emergência
Algumas áreas de contenção dos animais foram destruídas pela chuva. Local abriga 170 animais de 57 espécies e passou por recente reforma.
Atingido pela enchente, o Parque Zoobotânico de Teresina está funcionando sob protocolo de emergência, nesta segunda-feira (18). As águas do Rio Poti chegaram a tomar 30% da área de visitação, que foi interditado por três dias. Com a diminuição do nível do rio, o que se vê são estruturas comprometidas e mudanças na rotina dos animais que tiveram que se adaptar.
O Posto de Observação foi levado pelas águas, a Lagoa das Capivaras teve sua barreira de contenção arrebentada pela força das águas e poluentes vindos de seis bairros vizinhos contaminaram a área de banhos dos animais.
Renato Uchoa, coordenador do parque, disse que o Zoobotânico vai trabalhar com este protocolo emergencial até o final do período chuvoso para solucionar os problemas causados pela enchente.
Segundo a administração do parque, o local abriga 170 animais de 57 espécies e passou por recente reforma, que custou cerca de R$ 350 mil aos cofres públicos.
Australiano quer doar pele tatuada para museu
Professor de história aposentado tem 62 tatuagens que pretende doar depois de sua morte.
O australiano Geoffrey Ostling, de 62 anos, quer doar a própria pele tatuada a um museu ou galeria de arte no país quando morrer.
O professor de história aposentado começou a tatuar o corpo aos 42 anos, e considera as 62 tatuagens espalhadas pelo corpo "uma obra de arte".
"Quando eu morrer meu corpo vai junto, e não quero que todo o trabalho que tive seja enterrado comigo", disse ele, que contou também que o museu nacional de Canberra já o questionou sobre se ele realmente consideraria fazer a doação.
Ostling vai garantir a doação colocando-a no seu testamento. Porém, o problema, segundo ele, "é que pode haver o interesse (do museu) agora, mas daqui há alguns anos, quando eu morrer, as pessoas na diretoria do museu podem não querer", disse o professor, que começou a se tatuar após se aposentar.
A paixão do australiano por arte e flores hoje é visível por todo o seu corpo. São flores e plantas coloridas e variadas, nativas e estrangeiras, do pescoço aos pés, incluindo a ponte de Sydney e a Opera House.
Ostling foi tatuado por artistas de várias partes do mundo, como italianos, neozelandeses e um brasileiro, e já gastou cerca de R$ 70 mil em tatuagens.
"Fiz as folhas de eucalipto na parte direita da barriga dele", disse Luciano Lima, que trabalha como tatuador em Sydney, à BBC Brasil.
Ostling considera a tatuagem única. "Ela não é como cartões postais, que você vai escolhendo qualquer um. Foi tudo planejado", disse ele.
O ex-professor explicou que esse tipo de tatuagem, cobrindo o corpo todo, pode levar de 15 a 20 anos para se completar. A dele, no entanto, vai levar ainda mais.
"Ainda tenho que acabar as tatuagens de um dos braços", disse ele. "Não sei se quando acabar as que faltam, farei mais."
Questionado sobre o por que de tantas tatuagens, o australiano respondeu que "são como chocolate. Você faz uma e quer mais".
O tema da tatuagem do australiano é "todas as flores de um jardim de Sydney".
O conceito de doar a pele de Ostling já foi documentado em um filme na Austrália sobre anatomia.
Segundo o diário "Daily Telegraph", o especialista em taxidermia de Sydney Sascha Smith disse que seria um desafio conservar as tatuagens, mas o processo não seria diferente ao de remover a pele de um animal.
TV do Iraque divulga confissão que seria de suposto líder da al-Qaeda
Governo iraquiano diz ter prendido Abu Omar al-Baghdadi no mês passado. Mas a veracidade da captura continua sendo questionada no país.
A televisão estatal iraquiana "Al-Iraquiya" transmitiu nesta segunda-feira (18) vários fragmentos da confissão do suposto líder da rede terrorista al-Qaeda no Iraque, Abu Omar al-Baghdadi, que teria sido capturado pelas autoridades do país em 23 de abril passado . No entanto, sua detenção foi questionada depois da aparição de uma gravação, em 13 de maio, na qual uma pessoa que se identificava como o verdadeiro Baghdadi dizia estar em liberdade.
Nas imagens divulgadas pela "Al-Iraquiya", Baghdadi explica que se incorporou à organização da al-Qaeda no Iraque em 2005, quando o grupo era liderado pelo jordaniano Abu Musab al-Zarqawi.
Baghdadi se proclamou sucessor de Zarqawi após sua morte em um bombardeio aéreo americano em 8 de junho de 2006, no nordeste de Bagdá. Na confissão, ele diz, além disso, que se tornou emir (príncipe) do Estado Islâmico no Iraque, um conglomerado de grupos radicais islâmicos liderados pela al-Qaeda, após sua formação em 2006. Baghdadi, que apareceu com uma camisa cinza e duas cicatrizes nos lábios, afirma que seu grupo recebe doações e fundos de organizações sem fins lucrativos de três estados árabes sunitas: Arábia Saudita, Síria e Egito. O grupo também recebe dinheiro de fonte locais, segundo Baghdadi, que não detalhou na confissão como são transferidos esses fundos a seu grupo terrorista. Não foi possível verificar realmente se a pessoa que aparece na gravação é Baghdadi.
A identidade do líder da al-Qaeda no Iraque é alvo de especulações, e alguns analistas asseguraram até que não existe uma pessoa com esse nome, mas que Baghdadi identifica um grupo.
Lituânia elege mulher presidente no primeiro turno com votação recorde
Comissária europeia Dalia Grybauskaitè venceu com 68,17% dos votos. Candidata independente de 53 anos ganhou fama de 'linha dura'.
A comissária europeia e ex-ministra das Finanças Dalia Grybauskaitè ganhou as eleições presidenciais na Lituânia no primeiro turno com 68,17% dos votos, a maior percentagem de votação em uma eleição à chefia do Estado no país, informou nesta segunda-feira (18) a Comissão Eleitoral Central. Segundo dados preliminares e após a apuração de todas as cédulas, pela candidata independente e comissária europeia votaram um total de 946.976 pessoas, com uma participação de 51,67%.
Grybauskaitè, de 53 anos, concorreu como candidata independente, ganhando popularidade como líder linha-dura em contraste com os principais partidos, cujo prestígio foi abalado pela crise econômica e por acusações anteriores de corrupção.
"Nosso cenário político local é tão chato para as pessoas que elas querem ver algumas caras novas... Em tempos difíceis eu posso dar minha experiência, meu conhecimento para o país," disse a candidata a jornalistas após votar na capital, Vilnia, no domingo. É a segunda vez desde a independência da Lituânia, em 1991, que o presidente é eleito já no primeiro turno, como ocorreu no pleito de 1993, nos quais ganhou Algirdas Brazauskas. Para vencer no primeiro turno, um candidato deve obter mais da metade dos votos emitidos, sempre que a participação supere 50% do censo. Nas eleições de ontem, o líder social-democrata, Algirdas Butkevicius, obteve 11,7% dos sufrágios, seguido do candidato da legenda Ordem e Justiça, Valentinas Mazuronis, com 6,09%. Eles são seguidos pelo candidato da associação dos poloneses da Lituânia, Waldemar Tomaszewski, com 4,69% dos votos, e a ex-primeira-ministra Kazimira Prunskiene, dirigente da União de Camponeses, com 3,86%. A representante do Partido Trabalhista, Loreta Grauziniene, obteve 3,57% dos votos, e o general-de-brigada em reserva Ceslovas Jezerskas, 0,66%. Só o ex-chefe do Estado Brazauskas, com mais de um milhão de sufrágios obtidos, superou Grybauskaité em número de votos em eleições presidenciais embora tenha somado 60,1% das cédulas, já que no pleito de 1993 a participação foi maior. Em 1997 foi eleito presidente Valdas Adamkus com 49,96% dos votos; Rolandas Paskas ganhou as presidenciais em 2002 com 54,15%; e em 2004 Adamkus voltou a ganhar com 51,89%.
Missionários brasileiros trabalham com refugiados na África do Sul
Eles ajudam oriundos de Burundi, Maláui, Angola e Congo, entre outros. Africanos fogem de guerras, secas e doenças e sonham com um futuro.
Um grupo de missionários brasileiros atravessou o Oceano Atlântico e atualmente ajuda refugiados de diversos países que chegaram à África do Sul para fugir de guerras civis, secas, doenças e miséria. Segundo estudos de 2005 da Cooperação Missionária Ibero-Americana, existem aproximadamente 80 agências brasileiras atuando em todo o mundo, com mais de três mil pessoas. A falta de recursos e as barreiras culturais e linguísticas são obstáculos para muita gente, mas não para eles. “Sinto-me realizado. Quando trabalhei em Moçambique, as histórias me desafiavam e eu descobri que um pequeno esforço pode dar sentido às nossas vidas”, conta ao G1 Gessé Rios, de 47 anos, oito deles na Cidade do Cabo, África do Sul, ajudando refugiados de países como Burundi, Maláui, Angola e Congo.
Ele é filiado à Agência Presbiteriana de Missões Transculturais, organização que tem mais de 170 missionários espalhados pelo mundo. Junto com a mulher, Iolanda, e os três filhos (Gulherme, 20, Philipe, 18, e Leonardo, 16), representa a instituição na África do Sul, sendo responsável por mais de 30 refugiados em um projeto que inclui oficinas de música, informática, cerâmica, costura, cultos, além de aulas de inglês e distribuição de cestas básicas.
“O trabalho fica mais forte, e a família também”, diz Iolanda. Quando soube da possibilidade de trabalhar na África do Sul, não hesitou em partir. “Sentimos saudades, mas este é o nosso desafio”, fala em nome do resto da família que, no momento, está em temporada no Brasil.Silvia Octaviano, de 46 anos, e filha Laura, de 14, são estreantes em missões do gênero. Sílvia conta que os seus conceitos sobre os refugiados mudaram radicalmente após a chegada à África. “Não apenas pelo trabalho diário, mas também pelos estudos em desenvolvimento comunitário. É preciso acreditar que há saída da "armadilha" da pobreza. A solução vem de dentro de cada um, do crescimento pessoal, do desenvolvimento de algumas habilidades.”
Esperança renovada
Pedro Vicente, de 27 anos, cresceu em meio às ruínas de Luanda, capital de Angola. Ele viu o país ser destruído pela guerra civil. Ainda criança, perdeu a visão de um olho em ambiente de guerra. Na adolescência, perdeu o outro por causa de um glaucoma. Em busca de tratamento, veio para a África do Sul e se instalou em uma das townships (equivalentes às nossas favelas, porém com estrutura mais precária) da Cidade do Cabo. “Quando eles identificavam que o Pedro era deficiente, se aproveitavam da situação para roubá-lo”, lembra Gessé. A vida do refugiado mudou quando ele conheceu os brasileiros. “Tem sido um trampolim para alcançar alguns dos meus sonhos. Vivendo como refugiado na África do Sul, ainda mais cego, seria praticamente impossível conquistar o que eu desejo. Tinha a sensação de estar afundando numa areia movediça, quando, de repente, fui resgatado”.
A história de Pedro rende um livro que já está sendo produzido. “Uma história de superação que, certamente, ajudará pessoas que passam por situações difíceis no Brasil e em qualquer lugar do mundo”, diz o missionário.
No mesmo clima de Pedro, Daniel Ernesto, de 22 anos, comemora a boa fase. “Hoje trabalho em uma gráfica. Estou mais feliz e com expectativas em relação ao futuro”, conta o angolano que chegou há quatro anos à África do Sul. Ele divide a casa com outros amigos lembrando que é a melhor alternativa para sobreviver. “A gente reparte os gastos e assim eu posso pensar em estudar engenharia”, completa. Conterrâneo de Pedro e Daniel, outro jovem reconhece o trabalho dos missionários brasileiros com quem ele estuda informática, teclado e inglês. Valdemiro Ndiro tem 17 anos e está no colégio, mas já pensando na universidade. “Eu não tinha como estudar em Angola e por isso vim para cá. Depois da universidade, que é o meu objetivo, volto”, diz determinado. Para se especializar em meio ambiente, Ephenis Nyimba, 31 anos, deixou o Maláui rumo ao país de Mandela. “A vida era muito difícil lá. Aqui também é, mas, pelo menos, posso pensar em estudar”. Ela ainda não tem previsão de quando será concretizado o sonho, mas renova a esperança. “Eu trabalho como empregada doméstica. Ainda não consegui estudar, mas vou!”, conta a refugiada, que faz aulas de informática com os brasileiros.
As histórias de vida desses refugiados são bem parecidas: pobreza, perdas, mas, principalmente, esperança. É por ela que os africanos substituem as dificuldades na terra natal por novos desafios. O primeiro deles, segundo Silvia, assim que pisam aqui, é reunir os documentos para conquistar direitos. “A África do Sul tem uma dificuldade tremenda em documentos. Cada um diz uma coisa”, conta a brasileira.
O segundo problema é a língua. “Eles até se comunicam, mas não conseguem escrever. Por isso, as aulas de inglês são tão importantes dentro do nosso projeto”. Ela destaca que a compreensão do idioma repercute em outros problemas. “Eles assinam coisas sem saber e muitas vezes trabalham na palavra, sem contrato."
O terceiro problema é a moradia. Na maioria das vezes, partem para as townships e vivem praticamente amontoados, sem qualquer estrutura, alimentando-se mal e sem medicamentos.
Os brasileiros tentam suprir essas carências. "Nós ajudamos todos e percebemos que, com o tempo e a convivência, criam-se laços que podem nos ajudar a mudar a maneira de pensar a vida", diz Silvia.
0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!