Presidente do TCE-MT é investigado após sacar R$ 15,6 milhões em dinheiro vivo, aponta PF | Rio das Ostras Jornal

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Presidente do TCE-MT é investigado após sacar R$ 15,6 milhões em dinheiro vivo, aponta PF

Presidente do TCE de Mato Grosso sacou R$ 15 milhões
 na boca do caixa, diz PFTCE-MT

O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo de Almeida, foi preso pela Polícia Federal na quinta-feira (29), durante a Operação Tomada de Contas. A investigação apura um suposto esquema de pagamentos irregulares, favorecimento de empresas contratadas pelo órgão e movimentações financeiras suspeitas envolvendo integrantes da instituição.

Um relatório da Polícia Federal aponta que o conselheiro realizou 150 saques em dinheiro vivo, que totalizaram aproximadamente R$ 15,6 milhões entre janeiro e outubro de 2025. As operações ocorreram ao longo de dez meses e incluem retiradas diretamente no caixa de uma agência bancária e em terminais de autoatendimento.

Investigação aponta movimentação de R$ 75,8 milhões

Segundo os investigadores, a análise bancária identificou movimentações consideradas suspeitas de R$ 75,85 milhões em um período de 294 dias, entre janeiro e outubro de 2025.

A Polícia Federal também identificou 101 lançamentos financeiros destinados ao conselheiro, que somaram R$ 15,44 milhões. Desse total, parte dos valores teria sido registrada sob rubricas de pagamentos a fornecedores e ordens bancárias, além dos vencimentos oficiais.

Um dos pontos que chamou a atenção dos investigadores foi a diferença entre os valores efetivamente creditados e aqueles divulgados oficialmente. Segundo o relatório, enquanto aproximadamente R$ 288,5 mil foram publicados em nome de Sérgio Ricardo, os créditos identificados nas contas chegaram a R$ 15,44 milhões.

Saques em dinheiro chamaram a atenção da PF

Dos 150 saques identificados, 64 foram realizados diretamente no guichê bancário, totalizando aproximadamente R$ 15,47 milhões. Outros 86 ocorreram em terminais de autoatendimento.

A investigação também analisou imagens do circuito interno de uma agência do Sicoob instalada nas dependências do próprio Tribunal de Contas. O material, segundo laudo pericial, registrou operações de retirada e entrega de dinheiro com participação de servidores da instituição.

Entre os nomes citados está Roseli Loss, chefe de gabinete do presidente desde janeiro de 2024, que também foi alvo da operação policial.

Os relatórios financeiros apontam ainda que parte dos saques ocorreu em valores imediatamente abaixo dos limites que geram comunicação automática ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Suspeita de favorecimento a empresas

A Polícia Federal investiga se o presidente utilizava sua posição no Tribunal para interferir em contratos administrativos e pagamentos a fornecedores.

Uma das suspeitas é de que suspensões de contratos e bloqueios de pagamentos, justificados por supostas restrições orçamentárias, teriam sido utilizados como mecanismo de pressão sobre empresas contratadas pelo órgão.

A investigação busca esclarecer se fornecedores foram favorecidos em troca de vantagens financeiras destinadas a integrantes da estrutura administrativa do Tribunal.

Para a Polícia Federal, há indícios de uma estrutura organizada para movimentar recursos e converter parte dos valores em dinheiro vivo, dificultando o rastreamento da origem e do destino dos recursos.

Presidente e outros investigados foram presos

A Operação Tomada de Contas foi autorizada pelo ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ao todo, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.

Além do presidente do TCE-MT, outros cinco investigados foram presos. Também foram determinadas medidas cautelares contra outros 15 agentes públicos, incluindo afastamentos de funções e restrições de acesso às dependências e aos sistemas do Tribunal.

O Ministério Público Federal sustentou, em manifestação ao STJ, que existem indícios de continuidade das atividades investigadas, além de riscos à instrução criminal e à aplicação da lei penal.

TCE-MT se manifesta

Em nota, o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso informou que seguirá atuando com responsabilidade e serenidade, em observância à legalidade e ao cumprimento de sua missão constitucional de controle externo.

A defesa de Sérgio Ricardo foi procurada pela reportagem do Estadão, mas não havia apresentado manifestação até a publicação da notícia original. Segundo informações divulgadas pela imprensa, a defesa afirmou que ainda não conhecia os fundamentos da prisão e que o conselheiro permaneceria em silêncio até ter acesso ao inquérito.

A investigação continua sob responsabilidade das autoridades federais. As suspeitas ainda dependem de apuração judicial, e os investigados têm direito à ampla defesa e à presunção de inocência.

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