Trabalhadores vindos de várias partes do país, a maioria da região Nordeste, estão sofrendo com a precária situação em alojamentos na cidade de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense. Na manhã desta quinta-feira (29), fiscais do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil estiveram num deles e constataram os graves problemas.
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| Em apenas um quarto chegam a dormir 8 pessoas. |
O montador Edson Fiaz chegou ao interior do Rio de Janeiro com a
garantia de emprego em um canteiro de obras que fica na área nobre de Campos.
Ele trabalha na construção de um condomínio. Segundo ele, foi negociada uma
situação de trabalho com a empresa JRG Construtora Limitada, mas o acordo não
está sendo cumprido. Além dele, muitos outros funcionários sofrem o mesmo
problema. Os trabalhadores dizem que estão sem receber salários desde o mês de
outubro. Cerca de 180 funcionários contratados pela empresa terceirizada de São
Paulo estão parados há quatro dias.
Na manhã desta quinta (29), o Sindicato dos Trabalhadores da
Construção Civil tentou negociar com os donos da empresa, que teria sido
dispensada pela construtora, mas ninguém apareceu. O sindicato também esteve
nos alojamentos, onde os operários vivem em condições precárias.
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| Situação dos banheiros é crítica. |
Em uma casa foi registrada a superlotação: 16 pessoas em dois
andares. Em um dos quartos dormem oito operários. A única passagem de ar que
existe é uma pequena janela. No local, é possível encontrar um estrado de cama
que foi improvisado e virou uma espécie de guarda-roupa. Andando na residência,
foi possível verificar que uma cozinha foi transformada em quarto, onde dormem
mais duas pessoas. Atrás do cômodo, fica o banheiro. Ele é apertado e está com
a fiação elétrica aparente. Cerca de 10 pessoas usam o mesmo banheiro. Sem
geladeira ou água filtrada, eles matam a sede com água da torneira.
Em outra casa, onde estão alojadas 22 pessoas, algumas pessoas já
adoeceram, segundo os operários. Há sujeira e muito mofo nas paredes. A comida
de pouca qualidade é outro problema denunciado pelos operários.
A empresa responsável pelos funcionários, a JRG Construtora
Limitada, e um encarregado, que não quis ser identificado na matéria, afirmou
que os salários não estão atrasados. Segundo ele, os funcionários receberam um
adiantamento, correspondente a 40% do salário no meio de cada mês. Os
pagamentos de salários dos contratados pela empresa, segundo o encarregado, são
feitos em duas parcelas: 60% no início do mês, e os outros 40 % no meio de cada
mês. O próximo pagamento de salários a ser feito pela empresa está previsto
para o dia cinco de dezembro.
Sobre as péssimas condições nos alojamentos, o funcionário informou
que novos alojamentos serão providenciados o mais breve possível pela empresa.
Já sobre a dispensa da empresa JRG pela Construtora Tenda, que seria a responsável
pela obra, o encarregado não quis fazer comentários.



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