Documentários ganham destaque na 45ª edição do Festival de Brasília | Rio das Ostras Jornal

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Documentários ganham destaque na 45ª edição do Festival de Brasília


Mostra, que começa nesta segunda, criou prêmios para esse tipo de filme.
Com a reforma do Cine Brasília, o Teatro Nacional será sede do evento.

Um dos mais antigos do país, o Festival de Brasília de Cinema Brasileiro (FBCB) continua, a cada ano, tentando se renovar. A maior mudança na 45ª edição, que começa nesta segunda-feira (17), foi a criação de 14 categorias voltadas apenas para documentários.

No ano passado, o festival foi completamente reformulado. O ineditismo deixou de ser pré-requisito, a mostra passou a aceitar filmes em formatos digitais e os valores das premiações aumentaram. Nesta edição, os 30 filmes que participam da mostra competitiva vão disputar R$ 635 mil, distribuídos em 42 categorias. A maior premiação vai para o melhor filme de longa metragem de ficção, R$ 250 mil.

As novidades modernizaram o FBCB, mas também trouxeram o questionamento sobre uma possível perda de identidade da mostra, já que as regras para selecionar os trabalhos que vão disputar os prêmios mudam a cada edição.
O fato do festival ser tradicional não significa que ele tem que parar no tempo, que não tenha que evoluir"

Sérgio Fidalgo, coordenador do 45º FBCB

O coordenador geral do festival, Sérgio Fidalgo – que assumiu o cargo após o conturbado afastamento do empresário e produtor cultural Nilson Rodrigues – afirma que as mudanças traduzem um desejo constante de aprimorar a mostra. “O fato do festival ser tradicional não significa que ele tem que parar no tempo, que não tenha que evoluir. No ano passado, por exemplo, foi a primeira vez que a seleção permitiu filmes em formatos digitais. Foi uma mudança que só veio acrescentar ao festival. Aumentou muito a quantidade de filmes inscritos e também deu um panorama mais diverso da produção cinematográfica do país.”

Em tempos em que os diretores brincam sem receios com os limites da linguagem cinematográfica, a criação das categorias exclusivas para documentários também trouxe questionamentos. Em qual categoria deveria ser enquadrado, por exemplo, o vencedor do festival em 2008, “Filmefobia” de Kiko Goifman, longa que mostra a reação de atores e não atores ao encarar os objetos de seus medos?

Fidalgo explica que coube a cada diretor definir, na hora da inscrição, a categoria em que seu trabalho deveria concorrer: ficção, documentário ou nas duas. “O filme carioca ‘Esse amor que nos consome’ é exemplo desse tipo de trabalho híbrido, que mistura as duas linguagens. Ele retrata a história de um casal de dançarinos que vive junto há muitos anos e que ocupa uma casa no centro do Rio. É um filme com estética de documentário, mas que o diretor inscreveu como ficção.”

Além disso, as 14 categorias exclusivas buscam valorizar a crescente produção de documentários no país. De acordo com Fidalgo, na edição do ano passado o festival recebeu a inscrição de 140 longas de documentários, contra 60 de ficção. “A gente sentiu que precisava criar um espaço próprio para esse tipo de trabalho, tanto nos longas quanto nos curtas. É uma experiência. Todas essas mudanças são experiências que podem dar certo e podem não dar. E se não der a gente não terá problema nenhum em rediscutir isso e voltar atrás”, resume. 
Com a reforma do Cine Brasília, o Teatro Nacional será a sede do festival neste ano. Os filmes da mostra competitiva serão exibidos na Sala Villa-Lobos, que tem capacidade para cerca de 1,3 mil pessoas.

Os curtas e longas de documentário serão exibidos a partir das 19h. Às 21h serão exibidos os curtas de animação e ficção e os longas de ficção. O ingresso custa R$ 6, a inteira. Os filmes serão exibidos simultaneamente no Teatro Newton Rossi, no Sesc de Ceilândia; no Teatro de Sobradinho; no Teatro Paulo Autran, no Sesc Taguatinga e no teatro do Sesc do Gama. No dia seguinte, a programação poderá ser conferida no cinema do Centro Cultural Banco do Brasil.

O longa “Última estação”, de Márcio Curi, vai abrir o festival. O filme recupera a história da imigração libanesa no Brasil. A sessão é reservada para convidados. A programação do festival inclui ainda oficinas e seminários, mostras paralelas e lançamento de livros. Confira detalhes na página do evento.

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