Manifestações, iniciadas há duas semanas, representam um dos
maiores desafios das autoridades teocráticas que governam o país desde a
Revolução Islâmica de 1979
Os temores de uma repressão brutal no Irã se intensificaram
neste sábado (10), após mais de dois dias sem acesso à internet e a retomada de
manifestações noturnas, em um movimento de protesto sem precedentes em três
anos. Os protestos, iniciados há duas semanas por comerciantes insatisfeitos
com a crise econômica do país, representam um dos maiores desafios das
autoridades teocráticas que governam o Irã desde a Revolução Islâmica de 1979.
Reza Pahlavi, que vive nos Estados Unidos e é filho do deposto xá do Irã,
celebrou a “magnífica” participação nas manifestações de sexta-feira e instou
os iranianos a organizarem protestos mais focados neste fim de semana e a
“tomarem e controlarem os centros urbanos”.
Pahlavi, cujo pai Mohammad Reza Pahlavi foi deposto na
revolução de 1979 e morreu em 1980, disse que também está se preparando para
“retornar à [sua] pátria” em breve. O
país está sem acesso à internet há 36 horas, após um apagão nacional imposto
pelas autoridades, segundo a ONG de cibersegurança Netblocks. Nessas
condições, é difícil ter acesso a qualquer informação.
“O regime iraniano cortou os canais de comunicação dentro do
país” e “bloqueou todos os meios de contato com o mundo exterior”, alertaram
dois cineastas e dissidentes proeminentes, Mohammad Rasulof e Jafar Panahi. “A
experiência mostra que o objetivo de tais medidas é encobrir a violência
infligida durante a repressão aos protestos”, afirmaram eles na conta do
Instagram de Panahi, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes do ano
passado.
A ganhadora iraniana do Nobel da Paz, Shirin Ebadi, alertou
na sexta-feira que as forças de segurança podem estar se preparando para
cometer um “massacre sob a cobertura de um amplo bloqueio de comunicações”. O
secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, escreveu em sua conta no X que “os
Estados Unidos estão ao lado do corajoso povo iraniano”.
Funerais em Shiraz
A Anistia Internacional afirmou estar analisando evidências
que sugerem que a repressão se intensificou nos últimos dias. Desde o início
dos protestos, em 28 de dezembro, pelo menos 51 manifestantes, incluindo nove
crianças, morreram e centenas ficaram feridos, segundo um comunicado divulgado
na sexta-feira pela ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega.
Neste sábado, a televisão estatal transmitiu imagens dos
funerais de membros das forças de segurança mortos durante os protestos. A
participação foi notável na cidade de Shiraz, no sul do país.
Após a mobilização em larga escala de quinta-feira, os
protestos continuaram na noite de sexta-feira em Teerã e outras cidades, de
acordo com imagens, cuja autenticidade foi verificada pela AFP, que circularam
nas redes sociais por meio de links de satélite. No distrito de Sadatabad, em
Teerã, manifestantes batiam panelas e gritavam “Morte a Khamenei!”, enquanto
carros buzinavam em apoio.
Outras imagens que circulam nas redes sociais e são
transmitidas por canais de televisão em língua persa fora do Irã mostram
protestos semelhantes em outras partes da capital, assim como nas cidades de
Mashhad, Tabriz e Qom. Na cidade de Hamadan, um homem agitava uma bandeira
iraniana da época do xá, com o emblema do leão e do sol, cercado por fogueiras
e pessoas dançando, segundo imagens que circulam nas redes sociais e que a AFP
ainda não conseguiu verificar.
“Em plena guerra”
O líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, criticou na
sexta-feira os “vândalos” que, segundo ele, estão por trás dos protestos, e
acusou os Estados Unidos de incitá-los. “Estamos em plena guerra”, declarou Ali
Larijani, um de seus conselheiros e chefe da principal agência de segurança do
país, denunciando “incidentes orquestrados no exterior”.
Em 22 de junho, Washington atacou instalações nucleares
iranianas como parte da guerra de 12 dias iniciada por Israel contra a
República Islâmica. “O Irã tem problemas sérios. Parece que o povo está tomando
o controle de certas cidades, algo que ninguém imaginava ser possível há poucas
semanas”, disse o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Neste sábado,
Trump afirmou que os Estados Unidos estão prontos para “ajudar” os iranianos,
além de afirmar que o país busca “liberdade”.
No entanto, o republicano considerou prematuro que Reza
Pahlavi assumisse a liderança. O governo iraniano não enfrentava um movimento
de protesto dessa magnitude desde as marchas organizadas em 2022 após a morte
de Mahsa Amini, que foi presa por supostamente violar o código de vestimenta
feminino.
Essas manifestações ocorrem em um momento em que o Irã está
enfraquecido após a guerra com Israel e os golpes sofridos por vários de seus
aliados regionais, enquanto a ONU restabeleceu, em setembro, as sanções relacionadas
ao programa nuclear do país.
*Com informações da AFP
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