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| Falta de respeito de parte dos veranistas e turistas com os espaços públicos, monumentos e bens históricos do município. |
Casos recorrentes de vandalismo e uso inadequado de monumentos históricos e espaços de lazer colocam em risco cartões-postais da cidade e reforçam a necessidade de conscientização de veranistas e turistas.
Rio das Ostras, na Região dos Lagos, enfrenta um problema
recorrente durante a alta temporada: a falta de respeito de parte dos
veranistas e turistas com os espaços públicos, monumentos e bens históricos do
município. A situação tem levado o poder público a adotar medidas mais rígidas
para preservar áreas que foram planejadas para o lazer, a cultura e a
convivência de pessoas de todas as idades.
Um dos exemplos mais recentes é o Chafariz da Baleia, localizado na tradicional Praça da Baleia, no bairro Costazul.
Diante do uso inadequado do espaço, a Prefeitura precisou instalar grades de
proteção ao redor da escultura, um dos principais cartões-postais da cidade. A
decisão veio após registros de atitudes extremas, como pessoas entrando no
chafariz para tomar banho, lavar os pés ou retirar a areia e a água salgada do
mar.
O comportamento inconsequente acabou limitando o acesso da
população e dos próprios visitantes que desejavam apenas registrar uma foto ao
pé da escultura, algo que hoje não é mais possível justamente por conta da
necessidade de preservação. O que deveria ser um espaço de contemplação e
orgulho coletivo passou a exigir barreiras físicas para conter a falta de
cidadania de maus usuários.
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| Fotos: Divulgação |
A Praça da Baleia
foi reinaugurada em dezembro de 2019, após passar por intervenções que
trouxeram melhorias estruturais e mais comodidade à população. No centro do
espaço está a escultura da baleia-jubarte,
confeccionada em latão e bronze pelo artista Roberto Sá. A obra foi inspirada
nas visitas frequentes desses mamíferos à costa brasileira durante os períodos
de acasalamento, reprodução e amamentação, especialmente no inverno e na
primavera, quando é comum avistar fêmeas acompanhadas de seus filhotes na
região. A ideia deu origem a um espaço simbólico à beira-mar, que se tornou
referência turística e cultural do município.
Outro caso emblemático envolve o histórico Poço de Pedras, localizado na Praça José Pereira Câmara, no Centro da cidade, popularmente apelidado de “Poço Lava-Pé”. O local passou a chamar a atenção após veranistas, turistas e até foliões utilizarem a estrutura de forma totalmente inadequada, lavando pés, rosto, tomando banho e até dando ducha em animais.
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| Fotos: Angel Morote |
Construído por escravizados em meados do século XVIII, o
poço — originalmente conhecido como Poço
de Pedras do Largo de Nossa Senhora da Conceição — é considerado um
marco da fundação de Rio das Ostras. Registros históricos indicam que ele era
utilizado por moradores da antiga vila e por navegadores que cruzavam a baía e
atracavam no cais do Morro do Limão, área onde hoje funciona o Iate Clube, para
o abastecimento de água potável.
Após as obras de urbanização da orla da Praia do Centro, na
década de 1990, o poço foi demolido. Em 2000, a estrutura foi reconstruída pela
Prefeitura e transformada em ponto de visitação turística. Na época, correntes
de proteção foram instaladas justamente para garantir a preservação do
patrimônio histórico — medida que, mais uma vez, se mostra necessária diante do
uso irresponsável.
Os episódios reforçam a importância do respeito aos espaços
públicos e à história local. Monumentos e áreas de lazer não pertencem apenas
ao poder público, mas a toda a coletividade. Preservá-los é um dever de
moradores, veranistas e turistas, garantindo que Rio das Ostras continue sendo
uma cidade acolhedora, bonita e culturalmente rica para as atuais e futuras
gerações.
https://riodasostrasjornal.blogspot.com/2012/02/o-poco-que-lava-os-pes-em-rio-das.html



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