Censo 2022: sobe para 207 o número de etnias indígenas encontradas no Estado do Rio | Rio das Ostras Jornal

Censo 2022: sobe para 207 o número de etnias indígenas encontradas no Estado do Rio

Foto: Divulgação

Quantidade deixa o Rio entre as sete unidades da federação com mais registros. Em 2010, eram 163 etnias. Dados foram divulgados pelo IBGE

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou mais um recorte do Censo 2022. Desta vez, o estudo de Etnias e línguas indígenas – Principais características sociodemográficas – mostrou que indígenas de 207 etnias, povos ou grupos vivem no Estado do Rio de Janeiro. Em 2010, esse número era de 163 etnias. Com o resultado, o Rio é a sétima unidade da federação com mais etnias. A maior parte deles da etnia Guarani Mbya e vivem, principalmente, em Terras Indígenas. Como consequência, o número de línguas faladas subiu de 42 para 74. Os dados foram revelados nesta sexta-feira (24).

Entre as 207 etnias do Estado, a maior concentração está na capital do Estado com 176. Após a capital, elas são mais encontradas em: Niterói (56), São Gonçalo (53), Duque de Caxias (52), Nova Iguaçu (34), Cabo Frio (30) e Campos dos Goytacazes (28). Já as menores, com uma etnia apenas estão Bom Jardim, Comendador Levy Gasparian, Carmo, Cordeiro, Laje do Muriaé, Quatis e Sapucaia.

No Rio de Janeiro das 16.994 pessoas indígenas, 31,64% declararam uma etnia, 38,15% não declararam, 16,06% não sabem, 6,18% possuem declaração mal definida (quando o nome informado não é de origem indígena), 6,06% têm declaração não determinada (quando o nome informado é de origem indígena, mas não houve precisão para se determinar o nome da etnia) e 1,91% duas etnias.

Em números absolutos, a maior parte dos que declararam uma etnia vive no Rio de Janeiro (2.164), Angra dos Reis (443), Paraty (408) e Maricá (203). Os que possuem duas etnias estão no Rio de Janeiro (157), Nova Iguaçu (14), São Gonçalo (14), Duque de Caxias (13).

TERRAS INDÍGENAS REÚNEM A MAIOR PARTE DOS GUARANI MBYA DO ESTADO

O agrupamento Guarani, que reúne as etnias Avá-Guarani, Guarani, Guarani Kaiowá, Guarani Mbya, Guarani Nhandeva e Tupi-Guarani possui a maior quantidade dos que declararam, ou seja, 1.787 indígenas. Levando em consideração somente as etnias separadas dos agrupamentos, a maior concentração está em: Guarani Mbya (653), Tupinambá (541), Guarani (460), Potiguara (440), Guarani Kaiowá (355) e Pataxó (350).

A etnia Guarani Mbya possui 539 deles residindo dentro de três Terras Indígenas: Guarani Araponga (26) e Parati-Mirim (174), localizadas em Paraty; e Guarani de Bracuí (379), em Angra dos Reis. Além dos integrantes da etnia Guarani Mbya que vivem nas Terras Indígenas, outros 71 residem fora delas e em situação urbana; e 43 residentes fora das terras e em situação rural. Do total, 340 são homens e 313 mulheres; a maior parte (108) na faixa etária de 0 a 4 anos; e 10 deles apenas declararam dupla etnia.

Dos que possuem dois anos ou mais e vivem dentro das Terras Indígenas, 505 declararam fazer o uso de apenas uma língua indígena dentro do domicílio, outros seis informaram português ou Libras.

A taxa de alfabetização total das pessoas de 15 anos ou mais que falam a língua Guarani Mbya no Estado fica em 80,92%. Dentro das Terras Indígenas, a taxa de alfabetização geral (pessoas de 15 anos ou mais) na Guarani Araponga é de 66,67%; na Guarani de Bracuí é de 79,23%; e na Parati-Mirim, 83,33%.

AUMENTA O NÚMERO DE LÍNGUAS INDÍGENAS FALADAS NO RIO

Em 2022, no Brasil, foram 295 línguas indígenas faladas ou utilizadas no domicílio por pessoas indígenas com dois anos ou mais de idade. Em 2010, eram 274. Já no Estado Rio de Janeiro elas passaram de 42 registradas, em 2010, para 74, em 2022. A mais falada, passou da Guarani Nhandeva, em 2010, para a Guarani Mbya, em 2022.

A maior quantidade de línguas faladas está Cidade do Rio de Janeiro (56), bem como em São Gonçalo, Paraty e Niterói, todas com 12. Do total de indígenas com dois anos ou mais, 1.320 falam língua indígena, enquanto 15.474 não falam. Daqueles que falam, a idade média é de 26,5 anos.

DADOS DO BRASIL

Pelo Brasil, o Censo Demográfico 2022 registrou 391 etnias, povos ou grupos indígenas residentes no Brasil. As três etnias mais populosas são Tikúna (74.061), Kokama (64.327) e Makuxí (53.446). No Censo de 2010, foram registradas 305 diferentes etnias.

Ao mesmo tempo, entre as 29 etnias com mais de 10 mil pessoas, o maior percentual de pessoas residindo em Terra Indígena é da etnia Yanomami/Yanomán, com 94,34%, seguida da Guajajara (80,28%) e da Xavante (79,5%). A etnia com menor percentual vivendo em Terra Indígena é a Tupinambá, com apenas 1,21%. 

O documento revela ainda que das 308 mil pessoas indígenas de 15 anos ou mais falantes de língua indígena, 78,55% (242 mil) são alfabetizados, uma taxa de alfabetização inferior à das pessoas indígenas como um todo (84,95%).

DADOS DO CENSO

Os dados do Censo 2022 já haviam revelado que no Brasil vivem 1,7 milhão de indígenas. No Rio de Janeiro, eles eram 16.994. Em 2010, eram 15.894. Em 2022, os indígenas foram mais encontrados na Cidade do Rio de Janeiro (6.941), Duque de Caxias (864) Angra dos Reis (704), São Gonçalo (661), Niterói (627). Por outro lado, eles estavam menos presentes em Rio das Flores (1), Lage do Muriaé (2), Sumidouro (3).

Em 2022, o retrato do Estado mostrou ainda que 94,59% deles estão em área urbana e 5,41% na rural. Desses, 96,79% viviam fora de área indígena e 3,21% em Terras Indígenas. Em 2010, eram 97,17% e 2,83%, respectivamente.

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