Setembro, o Mês da Diversidade e da Luta pela Inclusão | Rio das Ostras Jornal

Setembro, o Mês da Diversidade e da Luta pela Inclusão


Setembro é um mês repleto de significados para nós, pessoas com deficiência. Logo no dia 6, lembramos o Dia Mundial da Distrofia; no dia 21, celebramos o Dia Nacional do Cadeirante e o Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência; no dia 23, o Dia Internacional da Língua de Sinais; e no dia 26, o Dia Nacional do Surdo. Além disso, o calendário ainda nos traz o Setembro Amarelo, dedicado à prevenção do suicídio, e campanhas como a doação de órgãos, entre outras datas importantes que ressaltam a importância da vida, da empatia e do cuidado coletivo.

Entretanto, a verdade é que ainda temos pouco a comemorar. A falta de empatia e de políticas eficazes para atender às necessidades das pessoas com deficiência em Rio das Ostras e no Brasil é gritante. Como pessoa com deficiência, paratleta e editor deste jornal, sigo firme na luta por qualidade de vida e dignidade. Sei que “uma andorinha só não faz verão”, mas acredito que minha voz pode ao menos conscientizar, sensibilizar e incentivar outros a se juntarem nessa caminhada. Também não deixo de reconhecer colegas e parceiros que, movidos pelo verdadeiro amor ao próximo, somam esforços e ajudam a completar o que falta.

Os últimos quinze dias, para mim, foram intensos e marcados por luta e engajamento: participei de reuniões, fóruns, palestras e inaugurações, sempre levando a pauta da deficiência para o centro do debate. É fundamental ir além da simples discussão sobre acessibilidade; precisamos fortalecer a presença ativa das pessoas com deficiência em todos os espaços e causas sociais.

Nosso compromisso deve ser retratar a diversidade humana, valorizando as capacidades e os potenciais de cada pessoa, em vez de reforçar imagens estereotipadas de heróis ou vítimas. A deficiência deve estar presente em todas as pautas — educação, cultura, saúde, trabalho, esporte — como parte natural da vida em sociedade. É preciso, sobretudo, combater o capacitismo, o preconceito silencioso que ainda insiste em segregar e limitar oportunidades.

Tenho clareza de um ponto essencial: saúde e inclusão caminham juntas. E acredito que Rio das Ostras pode se tornar referência em esportes para pessoas com deficiência. O esporte é uma ferramenta poderosa de transformação. Ele melhora a saúde física e mental, fortalece a autoestima, desenvolve habilidades sociais e rompe barreiras, unindo pessoas em torno de objetivos comuns.

No Brasil, já existem diversas modalidades adaptadas — como o basquete, o tênis e o futebol em cadeira de rodas — que comprovam a força do paradesporto. Em Rio das Ostras, há uma oportunidade única de investir em infraestrutura acessível e em programas de formação e incentivo. Com quadras adaptadas, pistas preparadas e equipamentos adequados, além de políticas de apoio aos atletas, é possível não apenas promover inclusão, mas também revelar talentos e inspirar a sociedade.

Setembro nos convida à reflexão, mas também à ação. Precisamos transformar a consciência em políticas, e a empatia em atitude. Somente assim construiremos uma cidade verdadeiramente inclusiva, onde cada pessoa, com ou sem deficiência, terá espaço para viver com dignidade, saúde e oportunidades.

Vamos que vamos!

Angel Morote
Editor

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