Hugo Motta e Davi Alcolumbre, presidentes de Câmara e Senado, cumprimentam-se após aprovação da PEC dos Precatórios. Ton Molina/Fotoarena/Estadão Conteúdo
Deputados avaliam que Davi
Alcolumbre rompeu acordo e cobram reação de Hugo Motta; proposta foi barrada
por unanimidade na CCJ da Casa Alta após pressão popular
A decisão do Senado de rejeitar a
chamada PEC da
Blindagem acirrou os ânimos no Congresso e provocou uma crise de
confiança entre as duas Casas Legislativas. Deputados federais afirmam ter sido
“humilhados” pelos senadores e prometem retaliações, enquanto a liderança do
presidente da Câmara, Hugo
Motta (Republicanos-PB), passou a ser questionada.
PUBLICIDADE
A proposta, aprovada pela Câmara com
353 votos a 134, previa que a abertura de ações penais ou a prisão de
parlamentares dependeria de autorização do próprio Congresso, em votação
secreta. O texto, apelidado de “PEC da Bandidagem” por críticos, foi rejeitado
por unanimidade na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, após forte
pressão popular e manifestações contrárias em várias capitais.![]()
![]()
Nos bastidores, deputados dizem
que havia um acordo entre Motta e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP),
para a PEC avançar. Como o texto foi arquivado, parlamentares cobram que o
presidente da Casa “defenda a Câmara” e acusam-no de adotar discursos
diferentes em público e em reuniões internas. Aliados próximos de Motta afirmam
que o acordo de fato existiu, mas que não é do perfil do dele confrontar
publicamente Alcolumbre. A percepção, no entanto, é de que sua liderança saiu
fragilizada.
Deputados discutem travar
projetos de interesse dos senadores e até direcionar a CPI do INSS contra o
Senado. Outra possibilidade seria atrasar a tramitação de propostas originadas
na Casa vizinha. A rejeição também colocou em dúvida a tramitação do
projeto que trata da anistia aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro. O
relator, Paulinho da Força (Solidariedade-SP), admite que o clima de
desconfiança pode travar a votação.
Eduardo Bolsonaro (PL-SP),
em viagem aos Estados Unidos, chamou os senadores de “serviçais complacentes
dos tiranos” e acusou a Casa de manter os “poderes ilimitados” do Judiciário
por “medo politiqueiro”. Governadores como Tarcísio de Freitas
(Republicanos-SP), Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (União Brasil-GO)
também se manifestaram contra a PEC, alegando que ela criaria privilégios e
poderia abrir espaço para a atuação do crime organizado.
Guerra fria no Congresso
A avaliação de integrantes do
Senado é de que não houve traição, mas uma leitura equivocada da Câmara sobre a
articulação política. Para senadores, a rejeição reflete a necessidade de
barrar projetos impopulares em ano eleitoral e preservar a imagem da
instituição. O impasse inaugura um período de tensão entre as duas Casas, em
que cada movimento tende a ser acompanhado de desconfiança. Líderes já falam em
uma “guerra fria” legislativa, cujo impacto pode travar votações importantes
para o governo e prolongar a instabilidade política em Brasília.
JP

0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!