Em vídeo, Sérgio Cabral admite que recebeu R$ 5 milhões em propina para isentar cervejaria de multas em 2013 | Rio das Ostras Jornal

Em vídeo, Sérgio Cabral admite que recebeu R$ 5 milhões em propina para isentar cervejaria de multas em 2013


Grupo de Combate à Sonegação Fiscal ainda ressaltou que mesada de R$ 500 mil era paga para isentar empresa de pagar ICMS.
A propina mensal que Sérgio Cabral recebia de uma cervejaria, como o ex-governador afirmou em audiência na Justiça Federal, não era o único dinheiro que supostamente vinha do Grupo Petrópolis. Nesta terça-feira, o MP-RJ ajuizou uma ação contra Cabral depois de ele ter admitido que recebeu R$ 5 milhões em propina no exterior para isentar a cervejaria de pagamento de multas.
O documento foi conseguido com exclusividade pela GloboNews. Cabral, em depoimento na última semana a promotores do Grupo de Combate à Sonegação Fiscal do Ministério Público, afirmou que, depois de dois decretos terem sido publicados em 2006, ainda no governo Garotinho, e 2009, a cervejaria não conseguia ficar isenta do pagamento de ICMS.
Neste último decreto, a mesada paga a Regis Ficthner, ex-homem forte de Cabral e Chefe da Casa Civil, era de mais de R$ 1 milhão.
Em 2013, uma nova solução foi pensada. Por isso, naquele ano Cabral baixou um novo decreto, para livrar a cervejaria dessas multas. Com essa medida, ele recebeu uma boa recompensa: enquanto milhões de reais deixavam de entrar nos cofres do estado, R$ 5 milhões em propina, pagas pelo grupo Petrópolis, entraram nas contas do ex-governador no exterior. O acerto foi feito, segundo Cabral, com o presidente do grupo Petrópolis, Walter Faria.
"Esse decreto não fez parte da propina usual de R$ 500 mil. Foram R$ 5 milhões, como disse o Carlos Miranda, e é verdade o que ele disse", narrou Cabral.
"Isso foi pago, eu chamei o Carlos para conhecer o Walter... E fazer ali um combinado de como seria a viabilidade daquele dinheiro, porque ele me perguntou se poderia receber no exterior", continuou.
"Como eu tinha os irmãos Chebar cuidando do meu dinheiro no exterior, eu pedi ao Carlos (Miranda), que era quem fazia o contato com os irmãos Chebar, pra combinar com o Walter Faria a melhor maneira de fazer chegar no exterior o pagamento dessa propina de R$ 5 milhões", disse em seu depoimento.
Segundo uma ação de improbidade administrativa ajuizada nesta terça-feira pelo Ministério Público Estadual, "em razão do regime tributário diferenciado, a Barley Malting, empresa do Grupo Petrópolis, deixou de recolher aos cofres públicos do estado, entre 2009 e 2013, R$ 33,6 milhões só a título de ICMS, valor que, atualizado, chega a R$ 53,6 milhões".
Foram processados por improbidade Sergio Cabral, o empresário Walter Faria, o ex-secretário da Casa Civil Regis Fichtner, o ex-secretário de Desenvolvimento Econômico Júlio Bueno, o ex-agente fazendário Ary Filho, a empresa Barley Malting e o Estado do Rio de Janeiro.
"Esse valor atualizado de 2009 a 2013 está hoje na casa dos R$ 53 milhões. Além disso, foram pagos valores a título de propina, mais um pagamento mensal de R$ 500 mil por mês aos réus Sérgio Cabral e Ary Filho, além disso mais um pagamento em torno de R$ 2 milhões ao Regis Fichtner, tudo isso com a contribuição valiosa de Júlio Bueno. Então, estamos pedindo o retorno desses valores pra que esse ato cesse e os agentes políticos sejam punidos", explicou o promotor Vinicius Cavalleiro.
Por Marcelo Gomes, GloboNews

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