
Partido diz
que acusações são falsas, feitas por criminosos em troca de redução da pena e
da manter dinheiro roubado. Delatores deram depoimentos à força-tarefa da
Operação Lava Jato.
O Jornal
Nacional teve acesso a depoimentos de delatores da empreiteira OAS que
relataram pagamentos ilegais feitos em dinheiro vivo e por meio de doações
oficiais ao PT.
O PT afirmou
que as acusações contra o partido são falsas, feitas por "criminosos
confessos" em troca de redução da pena e de manter o dinheiro roubado.
Os depoimentos
dos colaboradores foram dados a procuradores da força-tarefa da Operação Lava
Jato em Curitiba.
A OAS afirmou
que os delatores são ex-executivos da empresa, que está contribuindo com a
Justiça e que a nova gestão quer seguir de forma ética, transparente e íntegra.
Os
ex-executivos da OAS reproduziram o que disseram na delação premiada, já homologada
pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal.
Em dois
depoimentos, em junho e agosto do ano passado, o ex-funcionário da OAS,
Ramilton Lima Machado Junior, relatou que a OAS desviou dinheiro de uma obra em
Salvador paga pelo Petros, o fundo de pensão da Petrobras.
A Petros, em
nota, "informa que vem colaborando de forma irrestrita com a Polícia
Federal, o Ministério Público Federal e demais órgãos competentes e tem
acompanhado de perto essas investigações". E prossegue: "Para não
comprometer o trabalho das autoridades, a Fundação não comenta sobre
investimentos em investigação. A Petros reforça ainda seu comprometimento com a
transparência, as boas práticas de governança e a responsabilidade na
administração dos recursos dos participantes".
A construção
foi feita em parceria com a Odebrecht, cujos executivos também delataram desvio
de dinheiro.
Ramilton
Machado Júnior relatou que o dinheiro destinado ao PT seria equivalente a 1% da
parte executada pela OAS na obra. Segundo o Ministério Público Federal, a obra
foi superfaturada e custou R$ 1,3 bilhão.
O delator
afirmou ainda que os pagamentos em espécie foram feitos a Marice Lima, cunhada
de João Vaccari, ex-tesoureiro do partido, preso e já condenado na Lava Jato.
Entre os pontos
delatados, Ramilton Machado afirmou que houve uma reunião "em que ficou
acordado com Marice que seria feito um pagamento mensal de R$ 200 mil e que se
faria um acerto, ao final, de acordo com o fluxo de pagamentos da obra".
A defesa de
Marice Lima afirmou que as delações são feitas em benefício do delator e
desacompanhadas de prova material. A de João Vaccari afirmou que nada de ilegal
foi imputado ao ex-tesoureiro e que a citação foi somente uma referência ao seu
parentesco com Marice.
O delator
Ramilton Machado contou ainda que parte do dinheiro foi repassado ao PT por
meio de varias doações oficiais e que havia uma planilha "elaborada para o
controle das vantagens indevidas destinadas ao Partido dos Trabalhadores".
Na planilha
estão repasses como
- R$ 500 mil via doação oficial ao Diretório Nacional
do Partido dos Trabalhadores no dia 4 de maio de 2012;
- R$ 250 mil repassados no dia 5 de junho
- R$ 700 mil nos dias 8 e 15 de agosto
Os
ex-executivos da OAS não informaram o valor total desviado da obra para o PT
porque afirmaram que os repasses pararam assim que a Lava Jato começou, em
2014.
Eles disseram
que essas doações foram autorizadas pelo ex-vice-presidente da OAS, César Matta
Pires Filho – a defesa dele disse que não vai se pronunciar.
Uma fase da
Lava Jato já foi deflagrada para investigar justamente as pessoas citadas
nesses depoimentos.
Ainda em
relação à Lava Jato, outro ex-funcionário da OAS, José Ricardo Nogueira
Breghirolli, delatou que houve uma ordem da empreiteira logo no início da
operação para destruir celulares.
Breghiroli
disse que usava duas linhas telefônicas para os acertos de propina, inclusive
com o doleiro Alberto Youssef, um dos principais delatores da Lava Jato.
Ele afirmou que
não mantém mais os aparelhos telefônicos referentes a essas linhas porque foram
destruídos por ordem de Bruno Brasil , diretor jurídico da OAS na data da
prisão de Alberto Youssef na Operação Lava Jato.
A defesa de
Alberto Youssef afirmou que ele já falou sobre o caso e não tem mais nada a
comentar. O Jornal Nacional não conseguiu contato com a defesa de Bruno Brasil.
A defesa dos
delatores Ramilton Lima Machado Júnior e José Ricardo Nogueira Breghirolli disse
que não vai se manifestar por causa da cláusula de sigilo prevista no acordo de
colaboração.
Por Camila Bomfim e Marcelo Parreira, TV
Globo — Brasília
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