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Ceará vive
onda de violências desde quarta-feira
Foto: José Leomar/SVM
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Após ataques
no Ceará, a Força Nacional foi enviada para reforçar a segurança. Ações
criminosas começaram em Fortaleza e se espalharam para o interior.
A série de
ataques criminosos contra ônibus, bancos, prefeituras, comércios e prédios
públicos que atinge Ceará completou uma semana. Desde quarta-feira (2), o G1 contabilizou
164 ataques em 41 dos 184 municípios cearenses. Para tentar conter a onda de
violência em Fortaleza e no interior, o estado recebeu
o reforço de tropas da Força Nacional e de policiais
da Bahia.
Resumo
Membros de
facções criminosas atacaram veículos da frota de ônibus, bancos, postos de
saúde, prédios públicos e privados e veículos utilizados em serviços como
Correios e coleta de lixo.
Em pichações,
os criminosos pedem a saída do secretário da Segurança Penitenciária, Mauro
Albuquerque, que prometeu acabar com a entrada de celulares nos presídios e com
a divisão nas unidades conforme a facção a que cada preso pertence.
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| Força Nacional reforça a segurança no Ceará após série de ataques criminosos — Foto: Thiago Gadelha/Sistema Verdes Mares |
- Foram
164 ataques em 41 cidades desde quarta-feira (2). Criminosos
incendiaram pelo menos 31 ônibus, quatro delegacias e cinco postos de
combustível. Também foram usados explosivos em um viaduto e duas pontes na
Grande Fortaleza. Na BR-020, um viaduto recebe escoras e está bloqueado
para o tráfego de veículos. Os policiais prenderam 185 suspeitos.
- Criminosos que estão presos afirmam não
aceitar a proposta do secretário de acabar com a divisão das facções no
sistema penitenciário. Atualmente, cada presídio do Ceará recebe
detentos de uma única organização criminosa. Os presos ordenaram que
comparsas fizessem uma série de ataques para que o Governo do Estado
recuasse das medidas.
- O governo
respondeu que não iria "recuar um milímetro" das
medidas contra organizações criminosas. Para combater a onda de ataques, o
governador do Ceará, Camilo Santana, pediu apoio ao Governo Federal e ao
governador da Bahia, Rui Costa, que enviou
100 policiais militares baianos ao Ceará.
- Trezentos
agentes da Força Nacional foram enviados ao Ceará na
sexta-feira (4), e começaram
a atuar no dia seguinte. Os ataques permaneceram, e o Ministério
da Justiça anunciou
o envio de mais 200 agentes. A Força Nacional atua principalmente
em Fortaleza e Região Metropolitana, que concentram cerca de 80% dos
ataques. Eles formam blitz em "vias estratégicas", já que a
maior parte dos ataques são cometidos por criminosos em veículos.
- No sexto dia de ataques, após ameaça das
facções, comerciantes
fecharam as portas em algumas regiões da periferia de Fortaleza e Região
Metropolitana. Três
foram presos pelas ameaças. O transporte
público também funciona com frota reduzida e com policiais
militares embarcados. Nos bairros onde os ataques são mais comuns também
foram suspensos os serviços de coleta de lixo e de entrega de postagens.
Início dos
ataques
A sequência de
ações criminosas teve início após uma fala de Mauro Albuquerque, que afirmou
que iria acabar
a entrada de celulares nos presídios e encerrar a divisão de presos nas
detenções conforme a facção criminosa a que pertencem.
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| Ataques no Ceará — Foto: Alexandre Mauro/G1 |
Entre a noite
de quarta e a madrugada de quinta-feira (5), criminosos incendiaram dois ônibus
em Fortaleza e ampliaram as ações também na Região Metropolitana da capital.
Uma bomba foi
explodida em um viaduto na cidade de Caucaia. O local precisou ser isolado e
passou por reparos para evitar um desmoronamento.
Veículos
incendiados
Os criminosos
queimaram pelo menos 31 ônibus e vans do transporte público, de prefeituras e
escolares no estado. Devido aos ataques, a frota precisou ser reduzida na
Grande Fortaleza. Ônibus passaram a circular em comboio e com policiais
embarcados para evitar novos ataques.
Além dos
ônibus, bandidos também incendiaram veículos de empresas particulares e que
prestam serviços públicos, como ambulâncias, caminhões de lixo e carros da
Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), Enel Distribuidora de Energia.
Prédios
públicos atacados
Agências
bancárias, fóruns, prefeituras e sedes de secretarias municiparam também foram
alvos de atentados. Durante o fim de semana, suspeitos atiraram contra um posto
de observação da Guarda Municipal de Fortaleza e incendiaram um carro na frente
da delegacia da Pajuçara, em Maracanaú. Outras três delegacias foram atacadas
no estado
Na
segunda-feira (7), sexto dia seguido de ataques, criminosos o prédio da Câmara
dos Vereadores da cidade de Icó. Uma estação
ambiental foi queimada na Praia de Requenguela, em Icapuí, litoral cearense.
Força
Nacional
Após
autorização do ministro da Justiça, Sérgio Moro, tropas da Força Nacional
chegaram ao estado na noite de sexta-feira (4) e começaram a atuar no sábado.
Após o início da operação com o reforço policial, a capital cearense registrou
uma redução no número de crimes. No entanto, mesmo
com a atuação dos agentes, ocorreram dezenas de ataques criminosos no estado.
Os policiais
foram descolados para diferentes pontos de Fortaleza e Região Metropolitana,
locais responsáveis por cerca de 80% dos ataques no estado. Os agentes
intensificaram as blitze e também reforçaram a segurança nos terminais de
ônibus da capital para assegurar a operação do transporte público.
A Secretaria da
Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que já capturou 185 pessoas
por envolvimento nos atos criminosos. Desse número, foram 156 adultos presos e
29 adolescentes apreendidos. Pelo menos 80 envolvidos foram capturados após a
chegada da Força Nacional no estado.
Dentre os
presos, está um motorista suspeito de vender combustível ilegalmente para
criminosos. Em outra ação policial, foi preso um homem suspeito de provocar um
incêndio que causou a destruição de nove ônibus escolares e um caminhão na
cidade de Morada Nova.
Ações nos
presídios
Até agora, 191
detentos foram autuados pelos crimes de desobediência, resistência e motim
dentro das unidades prisionais do estado. Os indiciamentos ocorreram nas cadas
de detenções do complexo prisional de Itaitinga, na Região Metropolitana de
Fortaleza.
Após os
ataques, o governo
do Ceará informou que transferiu um dos chefes de facção para um presídio
federal e 19 membros serão levados a outras unidades prisionais. O
governo federal ofereceu 60 vagas nos presídios que administra para receber
criminosos que atuam no estado.
Por Valdir Almeida e André Teixeira, G1 CE



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