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Migrantes
hondurenhos caminham por estrada em Esquipulas,
na Guatemala,
em direção aos Estados Unidos, na quarta-feira (16)
Foto: Reuters/Jorge Cabrera
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É a terceira
caravana de migrantes centro-americanos que tentam migrar para os EUA.
Debaixo de uma
persistente chuva, centenas de migrantes hondurenhos, entre eles muitas
crianças, retomaram nesta quarta-feira (16) a marcha rumo à capital da
Guatemala. De lá, eles devem seguir em direção aos Estados Unidos, em mais uma
caravana de migrantes centro-americanos.
Dezenas de
pessoas dispersas em grupos caminham às margens de uma rodovia, enquanto
outras, com mais sorte, são transportadas por voluntários na parte de trás de
caminhonetes para percorrer os 225 km de distância entre a fronteira com
Honduras e a Cidade da Guatemala.
Carregando
crianças pequenas em braços ou em carroças, os hondurenhos entraram na noite de
terça-feira em solo guatemalteco, após romper o cerco policial em seu país, e
continuam a travessia rumo à fronteira com o México para se aproximar da meta
final: os Estados Unidos.
Trezentos
migrantes permanecem, no entanto, em território hondurenho. Isso porque as
autoridades migratórias deste país não permitiram que muitos menores de idade
entrassem na Guatemala.
"Fora
JOH", gritavam migrantes incomodados, em alusão às iniciais do presidente
hondurenho, Juan Orlando Hernández, diante de uma barreira de policiais.
Em mensagem
divulgada pelas redes sociais, anônimos convocaram a "Caravana migrante 15
de janeiro", partindo de San Pedro Sula, a segunda cidade de Honduras, 180
km ao norte da capital, Tegucigalpa.
"Buscamos
refúgio. Em Honduras nos matam", acrescenta a convocação.
Terceira
caravana
Apesar das
advertências do presidente norte-americano, Donald Trump, de não permitir a
migração irregular, esta é a terceira caravana de hondurenhos que empreende
esta longa viagem a pé. A primeira saiu em 13 de outubro.
Trump
aproveitou a saída destas centenas de hondurenhos para voltar a defender a
construção de um muro entre os Estados Unidos e o México, uma obra cujo
financiamento é rejeitado pelos democratas, que têm maioria na Câmara de
Representantes. A disputa política mantém paralisado o governo federal
americano há meses.
Dificuldades
em Honduras
"O fiz
pela família, mas me dói deixar minha tenha, minha esposa e meus quatro
filhos", diz, resignado, Angel Mejía, de 36 anos, enquanto faz uma longa
fila para passar pela migração hondurenha.
Mejía deixou os
filhos com idades entre 3 e 12 anos em Tegucigalpa, com a esperança de chegar
ao território norte-americano e melhorar suas condições de vida.
"O que era
vida em Honduras, não é mais vida", disse Franklin Aguilera, enquanto
descansa sentado na calçada de um posto de gasolina, ao lado da esposa,
Jennifer, e de seu filho de dois anos e seis meses.
Embora
reconheça que a viagem é perigosa e pesada, Aguilera afirma que deixou seu país
por causa do desemprego e da violência.
Este homem de
25 anos lamenta que em Honduras as oportunidades de emprego sejam poucas e mal
remuneradas, como na indústria têxtil, onde dão trabalho por períodos de três
meses.
"Lamento
deixar meu país, vou buscar trabalho e fazer algo para voltar porque Honduras é
belo, mas não tem futuro", comenta Aguilera, soldador e eletricista de San
Pedro Sula.
"Não
podemos viver onde estamos, em Honduras não há trabalho e por isso, decidimos
arriscar a vida", diz, com lágrimas nos olhos, Juan Hernández, de 52 anos,
acompanhado do filho Marlon, de 10 anos.
Ele assegura
que, por necessidade se viu obrigado a deixar o país porque "não aguentava
tanta pressão, não há nada, não podemos [pagar] a cesta básica porque está
muito cara e os salários, muito baixos", lamenta.
Confiando em
que a Virgem de Guadalupe o guiará para chegar aos Estados Unidos ou ao México
para trabalhar, Hernández conta que deixou esposa e outros dois filhos, um
menino de quatro anos e uma menina de 18 meses, no povoado de La Ceiba.
"Vou
com fé de que a Virgem vai nos ajudar", diz, após mostrar uma tatuagem com
imagem da santa em seu braço direito.
Plano
migratório
Delegados de El
Salvador, Guatemala, Honduras e México se reuniram na terça-feira, em San
Salvador, com técnicos da Comissão Económica para a América Latina (Cepal) para
discutir um plano de atenção para os migrantes.
O governo
mexicano prepara um abrigo no estado de Chiapas (sul), fronteiriço com a
Guatemala, mas advertiu que não permitirá que os migrantes entrem à força no
país como ocorreu com outras caravanas em 2018. O governo de Andrés Manuel
López Obrador anunciou que investirá recursos para maior segurança na
fronteira.
Por France Presse

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