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O novo
presidente do Legislativo venezuelano, Juan Guaidó,
contesta a legitimidade de Nicolás Maduro
Foto:
Manaure Quintero/Reuters
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A Assembleia
Nacional declarou que a Presidência foi usurpada por Maduro, mas Juan Guaidó,
que muitos consideram o presidente interino, não assume oficialmente o comando
do país. Em entrevista à RFI, ele explica os obstáculos para assumir o cargo e
lembra sua detenção.
A Assembleia
Nacional, o Parlamento da Venezuela, declarou que a Presidência foi usurpada por Nicolás Maduro, mas
o líder da instituição, Juan
Guaidó, que muitos consideram o presidente interino, não assume
oficialmente o comando do país.
Por quê? Guaidó
tem apenas 10 dias como presidente da Assembleia, mas já foi preso pela polícia
política e abertamente ameaçado de prisão pelo governo de Maduro.
Em entrevista
exclusiva à RFI, ele explica os obstáculos para assumir a Presidência do país e
lembra sua detenção arbitrária. Ele representa atualmente as esperanças da
oposição venezuelana e lida com a responsabilidade de um crescente
reconhecimento internacional.
RFI:
Deputado Juan Guaidó. Para começar, temos dúvidas sobre como chamá-lo: você é o
presidente da Assembleia Nacional, mas muitos o consideram o presidente
interino da Venezuela. Você é o presidente do Congresso responsável pela
Presidência da República, ou não?
Juan Guaidó: Isso
tem a ver com a Constituição. Hoje há claramente um usurpador da Presidência.
Segundo todos os relatos, Nicolás Maduro exerce o Executivo de maneira
irregular, de forma usurpada. Toda autoridade usurpada na Venezuela, de acordo
com a Constituição, tem seus atos considerados nulos. Hoje, a Assembleia
Nacional - o presidente – deve assumir poderes presidenciais em conformidade
com os artigos 233 (sobre a absoluta ausência do presidente), 350 (sobre a
falta de autoridade que mina os direitos humanos) e 333 (que permite a todo
cidadão, investido ou não com autoridade, de fazer valer a Constituição).
Hoje sabemos
que na Venezuela, infelizmente, não há um Estado de Direito que resguarde e protege
o cidadão, que garanta a coexistência com o Estado e com todos os poderes.
Infelizmente hoje não é o caso. Não é suficiente apenas invocar os artigos da
Constituição, ou dizê-lo. Devemos fazer isso acontecer também reunindo todas as
forças políticas, todas as forças internacionais, todas as forças sociais... e
até mesmo ativar o apelo que fizemos repetidamente para os militares.
Então é um
processo que estamos construindo e que esperamos que dê frutos rapidamente. Que
chegue a ajuda humanitária que estamos pedindo ao mundo, que nós consigamos
anistia para os funcionários que decidam respeitar a Constituição, e que
resguardemos o dinheiro espalhado em contas pelo mundo.
No último
domingo, um comando da polícia política venezuelana, o temido SEBIN, prendeu-o
em Caracas, tentando até mesmo algemar você. Você poderia nos dizer o que
aconteceu?
Eles me
interceptaram na rodovia Caracas-La Guaira. Eles nos fecharam, portando armas
de grande calibre. Foi um sequestro, basicamente. E então houve uma situação muito
confusa. Eu perguntei quem tinha dado a ordem, não havia nenhuma informação.
Pessoalmente, acho que eles eram funcionários que ficaram do lado da lei, que
não cumpriram uma ordem ilegal.
Eu acho que
eles decidiram me libertar. Aproveito este espaço para fazer um apelo pela vida
desses funcionários. Que seus direitos fundamentais sejam respeitados. Parte do
decreto que foi aprovado hoje é que os funcionários que estão de acordo com a
Constituição e que a respeitaram poderão obter anistia.
A propósito,
a ministra das Prisões, Iris Varela, publicou um tuíte endereçado a você,
dizendo que ela tinha sua cela pronta, assim como o uniforme de prisioneiro.
Como você reage a tais ameaças?
Bem, reajo como
devo reagir. Convocando conselhos abertos, convocando manifestações para o dia
23 de janeiro, participando das sessões da comissão, exercendo nosso dever. O
regime já deve ter compreendido que, por mais que nos ameacem, que nos raptem,
por mais que ataquem nosso povo, como
Leopoldo López, como o exilado
Freddy Guevara ou como assassinaram
Fernando Albán... Para cada um desses fatos, há toda uma geração que se
rebela. Deus me ajude, mas se algo acontecer comigo, haverá alguém que estará
lá representando o Parlamento e o povo da Venezuela.
Você
convocou uma grande manifestação neste 23 de janeiro, Dia da Democracia na Venezuela.
No entanto, o governo de Maduro também pediu uma marcha no mesmo dia, uma
espécie de contramanifestação. O que se pode esperar desse dia?
Bem, um
fracasso total de Maduro e um sucesso total da democracia. Acho que ele comete
um erro quando quer medir forças com a população na rua, porque sabemos que ele
não tem gente. E outra coisa muito interessante é que esse governo perdeu a
agenda pública. Não apenas falaram de marcha em 23 de janeiro, mas também
falaram de "conselhos socialistas". O governo não tem nada a dizer e
estamos estabelecendo uma agenda para a democracia e a restauração da ordem
constitucional. O regime hoje tem medo porque não tem apoio nem respaldo
internacional, nem dinheiro, porque foi roubado.
Por RFI, Andreina Flores

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