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Governador
do Ceará fala sobre a crise na segurança
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O governador do
Ceará, Camilo Santana (PT), classificou as ações criminosas registradas no
Ceará desde o dia 2 de janeiro como atos de terrorismo e defendeu uma mudança
na legislação brasileira sobre o assunto durante entrevista à GloboNews nesta
quarta-feira (16).
"Eu
defendo que precisa de uma mudança. Até porque nesses atos, foi a primeira vez
que se usou explosivos em ações no Ceará, bombas. Isso precisa ser tipificado como
terrorismo. Precisa o Congresso Nacional rever uma série de leis, inclusive uma
delas é essa, a lei antiterrorismo, que precisa tipificar esse tipo de ação
como terrorismo".
A onda de
violência no Ceará começou quando chefes de facções criminosas ordenaram, de
dentro de presídios, que uma série de ataques fossem cometidos no estado. Até
esta quarta-feira, foram pelo menos 206 crimes como incêndio de ônibus, carros
e prédios públicos, e uso de explosivos em pontes, viadutos e torres. 46 dos
184 municípios cearenses foram alvos de ações criminosas, o que levou o
governador a pedir ajuda da Força Nacional.
Camilo Santana
também confirmou o fechamento de 67 cadeias municipais no interior do Ceará nos
últimos dias. "Eram cadeias precárias, concentrei na Região Metropolitana
para ter mais controle sobre esses presos. Isso foi uma decisão do próprio
secretário [da Administração Penitenciária, Mauro Albuquerque]. Tenho tido todo
o apoio do poder Judiciário", afirmou.
A fala do
governador acompanha a forma como o ministro da Justiça, Sérgio Moro, abordou a
situação vivida no estado também em
entrevista à GloboNews na terça-feira (15).
"Se o
Estado não tomar uma atitude enérgica em relação a essas organizações
criminosas, o problema tende a crescer. O caso do Ceará é um ilustrativo disso,
em que organizações criminosas se sentiram à vontade de praticar, na minha
opinião, verdadeiros atos terroristas. Diante da perspectiva de adoção de uma
política mais rigorosa contra essas organizações, o que eles fizeram foi tentar
explodir viadutos, incendiar, buscando que o estado, o governo voltasse
atrás", disse.
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Ceará
registra série de ataques criminosos. Foto:
Infográfico: Karina Almeida/G1
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Entenda o
que está acontecendo no Ceará
- O governo criou a Secretaria de Administração
Penitenciária e iniciou uma série de ações para combater o crime dentro
dos presídios.
- O novo secretário, Mauro Albuquerque, coordenou a
apreensão de celulares, drogas e armas em celas. Também disse que não
reconhecia facções e que o estado iria parar de dividir presos conforme a
filiação a grupos criminosos.
- Criminosos começaram a atacar ônibus e prédios
públicos e privados. As ações começaram na Região Metropolitana e se
espalharam pelo interior.
- O governo pediu apoio da Força Nacional. O ministro
da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, autorizou o envio de tropas;
406 agentes da Força Nacional reforçam a segurança no estado.
- A população de Fortaleza e da Região Metropolitana
sofre com interrupções no transporte público, com a falta de coleta de
lixo e com o fechamento do comércio.
- A onda de violência afastou turistas e fez a
ocupação hoteleira no estado cair.
- 35 membros de facções criminosas foram transferidos
do Ceará para presídios federais desde o início dos ataques, segundo o
último balanço do Ministério da Justiça.
Ordens
partiram de presídios
Áudios
compartilhados entre membros de facções do Ceará revelaram que as ordens para
as ações contra ônibus, prefeituras e prédios públicos partiram de
presidiários. As mensagens chegaram até as autoridades após a apreensão de 407
aparelhos de celulares nas unidades prisionais do estado, no dia 6 de janeiro.
Em uma
mensagem, um detento ordena: "Uns toca fogo na prefeitura, uns toca fogo
nas coisa lá dos policial, tá ligado?". O Palácio Municipal da Prefeitura
de Maracanaú, na Grande Fortaleza, foi um dos 49 prédios públicos atacados no
Ceará. "Agora a bagunça vai começar é com força", diz outra mensagem
de áudio. “Agora nós vamos parar os ônibus, vamos tocar fogo com vocês dentro”,
ameaça um terceiro detento.
Em outro áudio,
um detento diz que a sequência de crimes é uma tentativa de fazer com que o
secretário da Administração Penitenciária, Luís Mauro Albuquerque, desista de
medidas que tornam mais rigorosa a fiscalização no sistema penitenciário.
"Vocês vão tirar esse secretário aí dos presídios. Vocês vão ver, vai
piorar é pra vocês", ameaça um criminoso.
Por Ranniery Melo, G1 CE


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