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Foto de
novembro de 2014, mostra arcebispo de Chicago, Blase Cupich,
cumprimentando
clérigo durante cerimônia na Catedral do Santo Nome
Foto: Joshua
Lott / Getty Images América do Norte / AFP
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Para
procuradora, Igreja Católica fracassou em 'sua obrigação moral de fornecer o
número total e preciso de todos os comportamentos sexualmente inapropriados
envolvendo padres'.
A Procuradoria
de Illinois revelou nesta quarta-feira (19) que 685 padres foram denunciados
por pedofilia no estado, um número muito maior do que o fornecido pela Igreja
Católica, em mais um escândalo envolvendo o clero.
De acordo com
resultados preliminares de uma investigação que começou em agosto, mais de 500
padres e membros do clero foram acusados de abuso sexual infantil nas seis
dioceses do estado. Esses casos, somados aos 185 citados pela Igreja Católica,
totalizam 685 acusados. Segundo a Procuradora-Geral de Illinois, Lisa Madigan,
as revelações da Igreja ficaram aquém do número descoberto por seu gabinete.
"Ao optar
por não investigar completamente as denúncias, a Igreja Católica fracassou em
sua obrigação moral de fornecer às vítimas, aos paroquianos e ao público, o
número total e preciso de todos os comportamentos sexualmente inapropriados
envolvendo padres em Illinois", escreveu Madigan em um comunicado.
"As
etapas preliminares desta investigação têm demonstrado que a Igreja Católica
não consegue controlar a si mesma", declarou a Procuradora.
A investigação
de Illinois foi motivada por um relatório da Justiça divulgado em agosto, que
revelou denúncias contra mais de
300 suspeitos de serem padres abusadores e identificou mais de
1.000 vítimas de abuso sexual infantil. Os casos foram acobertados durante
décadas pela Igreja Católica no estado da Pensilvânia. Em outubro, as
autoridades federais abriram pela primeira vez uma investigação sobre o abuso
do clero. Dioceses no estado relataram receber intimações federais do júri para
produzir documentos.
Arquidiocese
diz que apoiou investigação
A Arquidiocese
de Chicago, a maior de Illinois, reagiu ao relatório de Madigan apoiando a
investigação de todas as denúncias.
"Desde
2006 publicamos os nomes dos padres diocesanos, sobre os quais pesam denúncias
fundamentadas de abuso, e em 2014 publicamos mais de 20.000 documentos dos
arquivos destes sacerdotes", destacou a Arquidiocese.
"As
denúncias de abuso sexual contra menores, mesmo que derivem de uma conduta que
ocorreu há muitos anos, não podem ser tratadas como meros assuntos
internos", declarou Madigan.
"Este
relatório impactante é exatamente o que esperávamos", disse à AFP Zach
Hiner, diretor-executivo da Rede de Sobreviventes dos Abusados por Sacerdotes
(SNAP).
"Sabíamos
há muito tempo que os funcionários da Igreja ignoravam ou minimizavam as
acusações de abuso e este relatório é apenas mais uma prova de que se trata de
um problema sistêmico e não local".
Casos se multiplicam
Na
segunda-feira, jesuítas dos Estados Unidos, que administram numerosas
instituições de ensino, publicaram os nomes de dezenas de padres envolvidos em
"acusações críveis" de pedofilia, que remontam a 1950. A lista com 89
nomes se somou à publicada há algumas semanas por outros grupos jesuítas, o que
elevou a mais de 200 o número de padres da ordem envolvidos em supostos abusos
de menores.
Em agosto,
a promotoria da Pensilvânia
divulgou outro devastador relatório sobre abusos sexuais praticados
durante décadas por mais de 300 padres, envolvendo cerca de mil menores,
durante sete décadas.
Por RFI

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