
Para
maioria, lei que permite cancelar título de quem não comparecer à revisão do
eleitorado não fere Constituição. Segundo TSE, 3,4 milhões tiveram título
cancelado entre 2016 e 2018.
Por sete votos
a dois, o Supremo Tribunal Federal rejeitou nesta quarta-feira (26) pedido
apresentado pelo PSB para autorizar a votação dos eleitores que tiveram o
título cancelado por não terem comparecido à revisão do eleitorado nem terem
feito o cadastramento biométrico.
Para a maioria
dos ministros, a legislação que permite o cancelamento do título de quem não
comparecer à revisão do eleitorado não fere a Constituição nem prejudica os
eleitores.
COMO VOTARAM
OS MINISTROS
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Contra o
pedido
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A favor do
pedido
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Luís Roberto
Barroso
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Ricardo
Lewandowski
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Alexandre de
Moraes
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Marco Aurélio
Mello
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Edson Fachin
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Luiz Fux
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Cármen Lúcia
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Gilmar Mendes
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Dias Toffoli
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Fonte: Supremo
Tribunal Federal
Segundo dados
do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cerca de 3,4 milhões de eleitores tiveram
título cancelado por não comparecer à revisão do eleitorado, na qual o
cadastramento biométrico é realizado. Com a decisão, o Supremo confirma o
cancelamento desses títulos.
O PSB pediu ao
Supremo para liberar a votação de quem perdeu o cadastramento biométrico no
primeiro turno. O partido também fez pedido alternativo para que, pelo menos,
as pessoas sejam liberadas a votar no segundo turno.
A ação do
partido argumentou que cerca de 4 milhões de eleitores não fizeram a biometria
e que seria injusto impedir que votem.
Segundo dados
do PSB, a maioria do eleitorado que teve título cancelado por não comparecer à
revisão na Justiça Eleitoral entre 2016 e 2018 está nas regiões Nordeste e
Norte do país, o que prejudicaria mais eleitores de áreas pobres.
Votos dos
ministros
Confira abaixo
o voto de cada um dos ministros – Rosa Weber não participou do julgamento porque
se declarou suspeita, por ter prestado informações como presidente do TSE (ela
afirmou que autorizar os votos comprometeria o calendário eleitoral e
aumentaria os custos da eleição); Celso de Mello se declarou impedido por
razões "de foro íntimo".
Luís Roberto
Barroso - No início do julgamento, o relator do caso, ministro Luís
Roberto Barroso, disse que liberar a votação dessas pessoas poderia gerar um
"caos" no processo eleitoral, uma vez que o TSE ponderou que não há
tempo hábil para incluir os dados dos eleitores com título cancelado nas urnas
eletrônicas de cada seção eleitoral.
"As
informações do TSE dão conta da impossibilidade de inclusão, quer para o
primeiro quer para o segundo turno. No primeiro turno, isso é expresso, e no
segundo, se pode inferir. Portanto, sob o risco de inviabilizar a eleição e
lançar o país no caos, a liminar deve ser indeferida", defendeu Barroso.
Alexandre de
Moraes - O ministro Alexandre de Moraes destacou que a Constituição
estabelece critérios para votação e que, quem não comparece à revisão do
eleitorado, não preenche os requisitos para votar. Para ele, a Justiça
Eleitoral divulgou amplamente o recadastramento.
“Para que possa
votar, para que possa exercer, tem de estar devidamente alistado. Não estando
alistado porque não compareceu ao recadastramento falta o requisito
constitucional”, afirmou.
Edson Fachin
- O ministro Edson Fachin também afirmou que o alistamento dos
eleitores é exigência para exercer o direito do voto.
"A Justiça
eleitoral é elemento sólido da democracia brasileira. Votar não traduz apenas o
exercício periódico de soberania popular, mas traduz a participação nos
assuntos da vida. Votar nos faz cidadãos e participar ocm seu sentido, da
gestão da coisa pública, nos torna iguais. O voto é, pois, fundamento da
República que a todos iguala ou deve igualar. Tanto o alistamento quanto o
sufrágio são instrumentos da soberania, visam assegurar o direito ao
voto."
Luiz Fux - O
ministro Luiz Fux deu o quarto voto contra o pedido do PSB para liberar a
votação dos eleitores que tiveram o título cancelado por não terem comparecido
à revisão do eleitorado para fazer o cadastramento biométrico.
"Temos uma
justiça eleitoral organizada, as urnas ja foram programdas, estamos às vesperas
da eleição, as outras eleições foram revisadas por meio da mesma
metodologia", afirmou Fux.
Cármen Lúcia
- Ex-presidente do STF, Cármen Lúcia proferiu o quinto voto no mesmo
sentido. “A dez dias da eleição, decisão dessa natureza seria inviabilizar o
processo. Seria desfazer tudo o que foi feito, e foi feito com base na
lei."
Ricardo
Lewandowski - O ministro Ricardo Lewandowski foi o primeiro a votar a
favor do pedido do PSB. Lewandowski disse que, por ter sido presidente do TSE,
considera "exequível" liberar a votação desses eleitores.
O ministro
afirmou que a inclusão dessas pessoas pode fazer a diferença no resultado da
eleição. "Eu verifico nas últimas eleições presidenciais a diferença entre
a candidata vencedora e o segundo colocado ficou em aproximadamente 3 milhões e
meio de votos. Imagine, Vossa Excelência, se nós tivermos eleição apertada como
esta, uma diferença dessa natureza, numa eleição que já vem sendo questionada
por determinados setores?"
Marco
Aurélio Mello - Depois dele, votou Marco Aurélio Mello, a favor de
liberar a votação desses eleitores. Para ele, não se pode deixar quase 4
milhões de eleitores "na clandestinidade".
"Por que
então, agora, potencializando a sanção imposta administrativamente, não por
norma legal, pelo TSE, nós vamos excluir cerca de 4 milhões de eleitores e
colocá-los como que na clandestinidade, como se não fossem cidadãos
brasileiros, impedindo-os do sufrágio?", afirmou Marco Aurélio.
Gilmar
Mendes - O ministro Gilmar Mendes deu o sexto voto contra o pedido do
PSB. Segundo ele, seria "uma grande irresponsabilidade" paralisar a
marcha do processo eleitoral para prestigiar quem não compareceu para revisão
do eleitorado.
"Parece-me
que seria uma grande irresponsabilidade paralisarmos a salutar marcha do
processo eleitoral em um momento tão decisivo do país para prestigiar uma
parcela da população que se omitiu perante o chamamento da Justiça Eleitoral
para recadastramento. Não são os cancelamentos de títulos que representa grave
ameaça à soberania popular num estado de direito constitucional", disse o
ministro.
Dias Toffoli
- Em meio ao voto de Gilmar, Dias Toffoli comentou que o número de
títulos cancelados têm relação com o avanço do processo de biometria. Segundo
ele, quanto mais se avança, mais irregularidades se encontra.
"Era
previsível que com o passar do tempo, aumentando a base de pessoas que foram
biometrizadas, que se submeteram ao processo de biometria, com o batimento, se
ampliaria por consequência a captura daquelas que se utilizam do mecanismo de
tentar se alistar mais de uma vez." Ao final, Toffoli acompanhou a
maioria, confirmando o placar de 7 a 2 contra o pedido do PSB.
PSB
No início da
sessão, o advogado do PSB Daniel Sarmento, falou em nome do partido, autor da
ação. Para ele, não se pode restringir a participação de eleitores.
"É uma
quantidade muito grande de eleitores, 2,4% do eleitorado brasileiro, isso pode
fazer diferença em pleitos proporcionais, e majoritários. As últimas eleições
foram decididas com 3,4 milhões de votos", disse.
Advogado do PT,
que pediu para fazer parte da ação, Eugênio Aragão afirmou que os mais pobres
seriam prejudicados.
"As
pessoas que estão sujeitas ao cancelamento do titulo são as mais pobres, são as
mais fracas, que não conseguem chegar à zona eleitoral para fazer o recadastramento."
Maria Cláudia
Buchianeri, advogada do PC do B, outro "amigo da corte", também
frisou que não se pode excluir eleitores.
"É um
numero histórico. As informações do TSE revelam que de 2016 a 2018 é número que
assusta, de uma população alijada de direito fundamental sem nunca ter sido
ouvida, nunca ter sido chamada."
AGU e PGR
Grace Mendonça,
advogada-geral da União, disse que as regras estão em vigor no país há vários
anos e não se pode querer alterações a poucos dias da eleição.
"As urnas
já estão lacradas, isso vai exigir uma reprogramação. Não se trata de impressão
ou não impressão dos cadernos. Se trata do processo de escolha mais importante
do nosso país. É imprescindível que a regra do jogo seja assegurada e que o
aprimoramento seja para o futuro."
A
procuradora-geral da República, Raquel Dodge, opinou contra a ação por entender
que ele pretende privilegiar quem faltou à revisão do eleitorado.
"Não há
voto livre e igualitário sem processo para cadastramento ágil e confiável.
[...] A concessão da cautelar estaria protegendo quem não cumpriu a obrigação
constitucional de não se alistar", disse.
Por Mariana Oliveira e Luiz Felipe Barbiéri,
TV Globo e G1 — Brasília
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