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© Fournis
par France Médias Monde
Gregorio
Borgia/Pool via REUTERS
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Em uma coletiva
de imprensa no voo de volta de Dublin, onde encerrou o Encontro Mundial
das Famílias no domingo, o papa respondeu à pergunta de um jornalista sobre o
que ele diria aos pais que constatassem orientações homossexuais em seus
filhos. "Eu diria primeiramente que eles rezassem, não condenassem,
dialogassem, compreendessem, para acolher o filho ou a filha", respondeu
Jorge Bergoglio.
Ao mesmo tempo,
o sumo pontífice afirmou que é preciso levar em conta a idade das pessoas.
"Quando [a homossexualidade] se manifesta desde a infância, há muitas
coisas a serem feitas pela psquiatria, para ver como são as coisas. É diferente
de quando se manifesta depois dos 20 anos", reiterou.
O papa também
recomendou que as famílias conversem sobre o assunto. "Jamais diria que o
silêncio é um remédio. Ignorar seu filho ou sua filha que tem tendências
homossexuais é um defeito na paternidade ou maternidade", concluiu.
Homossexualidade
não é doença, dizem ONGs
As associações
de defesa dos direitos LGBT da França denunciam a irresponsabilidade das
declarações do sumo pontífice. "Condenamos essas afirmações que dão a
ideia que a homossexualidade é uma doença. Ora, se há uma doença é essa
homofobia engessada na sociedade que persegue as pessoas LGBT", reagiu a
porta-voz da ONG francesa Inter-LGBT, Clémence Zamora-Cruz.
Segundo ela, as
declarações são graves porque elas focam nas crianças, lembrando que
"estudos demonstram que o risco de suicídio é mais alto entre os jovens
LGBT".
"Graves e
irresponsáveis", classifica a ONG SOS Homofobia da França. No Twitter, a
organização escreve que as afirmações do sumo pontífice "incitam ao ódio
em nossas socidades já marcadas pela homofobia e a transfobia".
"Adoraria
que o papa Francisco não usasse os homossexuais para que paremos de falar
dos padres pedófilos", diz a présidente da GayLib, Catherine Michaud.
O mesmo tom foi
adotado em um comunicado da Associação das Famílias Homoparentais da França.
"É impressionante escutar regularmente conselhos e julgamentos morais da
Igreja na qual certas pessoas são incapazes de denunciar atos
pedocriminais cometidos por padres". Segundo o documento, esses religiosos
é que "deveriam ser os primeiros a se beneficiar de tratamentos
psiquiátricos".
Papa se
recusa a falar sobre acusação de acobertamento de padre
No mesmo avião,
o papa se recusou a fazer comentários quando foi questionado sobre as acusações
de acobertamento contidas em uma carta aberta publicada no fim de semana.
Segundo o documento, assinado pelo arcebispo Carlo Maria Vigano, ex-embaixador
do Vaticano em Washington, o sumo pontífice cancelou sanções contra o cardeal
Theodore McCarrick, acusado publicamente em julho de cometer abusos sexuais.
"Não direi
uma palavra sobre isso. Acho que o comunicado fala por si só", declarou
aos jornalistas que o acompanharam no voo.
Na carta
aberta, Vigano também acusa o papa de ter ignorado as advertências
internas sobre o comportamento sexual do cardeal com jovens seminaristas e
párocos. "A corrupção alcançou o topo da hierarquia da Igreja", diz o
arcebispo que também pede a renúncia do sumo pontífice.
"Li esse
comunicado esta manhã", declarou o papa aos jornalistas que o acompanhavam
na aeronave, em alusão à carta. "Leiam com atenção o comunicado e julguem
vocês mesmos", disse. "Vocês têm a capacidade jornalística suficiente
para tirar conclusões. É um ato de confiança. Quando o tempo passar e vocês
tirarem as conclusões, talvez eu fale, mas gostaria que a maturidade
profissional de vocês faça o seu trabalho. Isso lhes fará realmente bem",
aconselhou Jorge Bergoglio aos jornalistas.
RFI

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