![]() |
Imigrantes
venezuelanos passam a noite em calçada
na fronteira com Peru (Foto: CRIS BOURONCLE /
AFP)
|
Por razões
humanitárias, Peru vai permitir a entrada de mulheres grávidas, idosos e
crianças que forem encontrar seus pais.
O Peru
flexibilizou as novas regras destinadas a impedir a entrada de imigrantes
venezuelanos, e permitirá a entrada sem passaporte de mulheres grávidas, idosos
e crianças que forem encontrar seus pais.
"Por
razões humanitárias, será admitido a entrada mediante apresentação de um
documento de identidade dos cidadãos venezuelanos nos casos específicos de
mulheres grávidas, menores que vierem para se reunir com seus pais e adultos
com idade superior a 70 anos", declarou o governo em um comunicado
expedido no sábado à noite.
Essa
flexibilização foi anunciada 24 horas após a entrada em vigor da exigência de
passaporte aos milhares de venezuelanos que chegam pela fronteira de Tumbes,
procedentes do vizinho Equador, após atravessarem a Colômbia.
"No caso
dos menores de idade em trânsito para o Peru para se encontrar com seus pais,
eles entrarão com a certidão de nascimento. Se for o caso, o acompanhante
adulto deverá ter um passaporte", explicou o ministro do Interior peruano,
Mauro Medina Guimarães, citado no comunicado.
Esta é a
segunda medida de flexibilização adotada por Lima depois da entrada em vigor da
obrigatoriedade de apresentar um passaporte, uma vez que as autoridades
seguiram autorizando as entradas de venezuelanos com carteira de identidade
acompanhada de um pedido de refúgio no Peru.
"Eles me
deixaram entrar como refugiada", indicou à AFP Leydi Cisneros, de 26 anos,
após passar pelo posto de fronteira de Tumbes.
"Fomos
capazes de processar o pedido de refúgio para entrar no país e solicitar
carteira de trabalho", disse aliviada Mariana Medina, de 19 anos.
Medina e outros
imigrantes disseram que demoraram a chegar à fronteira peruana devido aos
obstáculos das autoridades no Equador.
"Graças a
eles (as autoridades equatorianas) a situação se complicou e chegamos
tarde" à fronteira do Peru, indicou Medina à AFP.
A solicitação
de refugiado permite que os venezuelanos permaneçam legalmente no Peru e
encontrem emprego, enquanto buscam uma solução definitiva para sua situação.
As autoridades
peruanas não especificaram quantos venezuelanos entraram no país desde a nova
exigência, mas jornalistas da AFP contabilizaram cerca de 15 ônibus.
Diante da crise
humanitária sem precedentes, as autoridades do Equador e do Peru adotaram
medidas de emergência para enfrentar a avalanche de imigrantes. Em ambos os
lados da fronteira, oficiais e organizações humanitárias distribuíam comida
para os venezuelanos, muitos deles com crianças pequenas, e instalaram tendas
com colchões para que pudessem descansar da longa e difícil jornada.
Alguns
percorreram os 2.250 km que separam a Venezuela da fronteira peruana a pé,
carregando crianças pequenas e arrastando malas.
Ao longo do
caminho, muitos venezuelanos sobreviveram graças à generosidade de pessoas
locais que lhes deram comida, hospedagem e transporte, mas as autoridades
peruanas temem surtos de xenofobia como os distúrbios recentes no Brasil entre
imigrantes e populações locais.
O chanceler
peruano, Néstor Popolizio, pediu aos seus compatriotas que "evitem atos de
discriminação ou xenofobia", após o registro de casos isolados.
"Vão
voltar"
Pela Rodovia
Panamericana, ao sul da passagem de Tumbes, grupos de imigrantes venezuelanos
caminhavam neste fim de semana em direção a Lima, a uma distância de 1.292
quilômetros da fronteira.
Enquanto isso,
o número dois do governo chavista, Diosdado Cabello, atribuiu no sábado o êxodo
de compatriotas a uma "campanha da direita" contra as medidas
econômicas lançadas pelo presidente Nicolás Maduro.
Estas medidas
incluem uma reconversão monetária com a retirada de cinco zeros do bolívar,
pulverizado por uma hiperinflação que o FMI projeta em 1.000.000% este ano.
O ministro da
Comunicação, Jorge Rodriguez, assegurou na sexta-feira que os milhões de venezuelanos
que partiram "vão voltar" ao país, contando com o êxito das medidas
econômicas do governo.
Mais de 2,3
milhões de venezuelanos vivem no exterior (7,5% da população). Destes, mais de
1,6 milhões deixaram o país a partir de 2015 em meio ao agravamento da crise
econômica e política.
Cerca de 90%
foram para países da América Latina, de acordo com dados do escritório da ONU
para os Refugiados (ACNUR) e da Organização para as Migrações (OIM).
Por France Presse

0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!