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© Foto:
Esteban Felix/AP
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Alvo de
críticas internacionais por denúncias de repressão e violência, o governo da
Nicarágua do presidente Daniel Ortega deteve a documentarista brasileira Emilia
Mello. A expectativa é que ela seja expulsa do país a qualquer momento, segundo
Paulo Abrão, da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), na sua
conta no Twitter.
Emilia Mello
foi presa no momento em que se preparava para filmar um protesto e levada ao
Departamento de Migrações para ser deportada. O episódio ocorreu no sábado (25)
e provocou reações entre entidades de defesa dos direitos humanos e da cultura.
A Associação
Nicaraguense de Cinematografia (Anci) condenou a ação e considerou o ato uma
forma de censura. “Isso estabelece um precedente muito perigoso para futuros
cineastas que queiram tentar entrar no país para documentar o que sucede e
contar ao mundo a história do que estamos vivendo e registrar qualquer violação
dos direitos humanos”, informa o comunicado da Anci.
Alerta
Recentemente,
a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), ligada à Organização
dos Estados Americanos (OEA), informou que 322 pessoas morreram em quatro meses
de protestos contra o governo de Ortega, das quais 21 eram policiais e 23,
crianças e adolescentes.
A estudante
brasileira de medicina Raynéia Gabrielle Lima foi morta a tiros no final de
julho. As autoridades nicaraguenses negam perseguição política, assim como o
uso da força e da violência.
Os protestos na
Nicarágua começaram no dia 18 de abril contra a reforma da Previdência,
que acabou sendo revogada diante da pressão social. Mas as manifestações se
intensificaram e houve repressão da polícia e de grupos paramilitares ligados
ao governo.
Rejeição
Ortega rejeitou
a proposta feita por setores da sociedade civil (estudantes, agricultores,
organizações de defesa dos Direitos Humanos e empresários) e pela Igreja
Católica, de antecipar as eleições para acabar com a crise.
Líder da
Revolução Sandinista de 1979, que derrotou a ditadura de Anastásio Somoza,
Ortega está sendo acusado até por ex-aliados de querer instalar o autoritarismo
semelhante ao que ele combateu. Ele foi reeleito em 2016, mas a votação, sem a
presença de observadores internacionais, foi questionada pela oposição.
Na sexta-feira
(24), a CIDH alertou que os direitos humanos continuam sendo violados pelo
governo nicaraguense, com “estigmatização e criminalização do protesto
social”.
Monica
Yanakiew - Repórter da Agência Brasil

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