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© Fornecido
por AFP Estudante junto a um grafite
que pede "Fora Daniel" em alusão ao
presidente Ortega
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A Nicarágua
amanheceu nesta quinta-feira em greve geral convocada por uma aliança opositora
para pressionar o Daniel Ortega a cessar a repressão contra as manifestações
populares que já deixou 152 mortos em quase dois meses de protestos.
A paralisação
de 24 horas, em um país já semiparalisado por bloqueios de estradas e protestos
de rua iniciados em 18 de abril, foi convocada pela Aliança Nacional pela
Justiça e Democracia, que aglutina estudantes, empresários, camponeses e a
socidade civil.
Até a Igreja
católica, mediadora no diálogo entre o governo e a oposição, acolheu a
convocação de paralisação.
Os bispos
católicos também convocaram o governo e a oposição a retomar o diálogo para
buscar uma saída para a crise política.
A Mesa Plenária
do Diálogo Nacional foi convocada para esta sexta-feira, quando deverá ser
apresentada a resposta de Ortega à proposta da Conferência Episcopal de
antecipar as eleições como parte de um plano de democratização.
Na reunião, em
Manágua, serão divulgadas a proposta dos bispos e a resposta por escrito de
Ortega.
"Todos
querem a paz, queremos superar estas circunstâncias duras, dolorosas, trágicas.
Todos querem encontrar, nas mesas do diálogo, as possibilidades de traçar um
caminho para frente", disse a vice-presidente Rosario Murillo ao comentar
o anúncio dos bispos.
O anúncio
ocorreu após a oposição nicaraguense convocar uma greve geral de 24 horas como
medida de pressão exatamente para a retomada do diálogo e contra a repressão
violenta.
Os confrontos já
deixaram 152 mortos e 1.340 feridos, segundo o Centro Nicaraguense de Direitos
Humanos (Cenidh).
O país está
semiparalisado há quase dois meses por uma onda de protestos, iniciada em 18 de
abril contra a reforma da Previdência.
Em carta
publicada nesta quarta-feira nos principais jornais da Nicarágua, mais de 4 mil
personalidades pediram à polícia que pare com o banho de sangue causado pela
violenta repressão aos protestos.
"O regime
de Daniel Ortega já está acabado. Vocês precisam deter de uma vez por todas
este insensato banho de sangue", exigiram os signatários da "Carta
aberta aos policiais", publicada pelos jornais La Prensa e Nuevo Diario.
Entre os
signatários estão o ex-candidato presidencial opositor Fabio Gadea e Claudia
Chamorro, filha da ex-presidente Violeta Barrios.
Diante da
perspectiva de greve, a população de Manágua e de outras cidades passou a
estocar alimentos e gêneros de primeira necessidade, temendo que a paralisação
se estenda por mais de um dia.
Ortega, de 72
anos, está na presidência desde 2007 e é acusado de abuso de poder e de
corromper opositores.
AFP

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