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Soldados
preparam tapete vermelho para a chegada das
autoridades
ao arporto de Lima (Foto: Reuters/Guadalupe Pardo)
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Corrupção,
relação com os EUA e situação da Venezuela são temas importantes que permeiam
encontro de dois dias no Peru.
A ausência de Donald Trump tirou um
pouco do brilho da Cúpula das Américas, reunião de líderes que começa nesta
sexta-feira (13), em Lima, já abalada por diversos problemas na região e pela
complicada relação dos países latino-americanos com o atual governo dos EUA.
Desde a criação
do encontro regional pelo democrata Bill Clinton, em 1994, para promover o
livre-comércio e os direitos humanos, esta será a primeira edição sem a
participação de um presidente americano.
Os
organizadores esperam cerca de 20 mandatários no encontro de dois dias, entre
eles os de Brasil, Chile, Equador, Colômbia, Canadá, Panamá e Honduras.
Segundo a Casa
Branca, Trump ficará em Washington para "acompanhar a resposta americana à
Síria" e "monitorar os acontecimentos em todo o mundo".
Quem irá à
oitava edição do evento é o vice-presidente, Mike Pence, à frente de uma cúpula
que inclui a também a filha do mandatário, Ivanka Trump. Segundo Washington,
ela vai promover os direitos das mulheres.
Veja abaixo
três pontos que marcam as relações dos países americanos e que devem se
refletir na cúpula:
1) Corrupção
Os anfitriões
peruanos escolheram o tema “governabilidade democrática frente à corrupção”
para a cúpula. A ideia é adotar na reunião um documento contendo um compromisso
de chefes de estado de aumentar a cooperação dos países na prevenção e combate
à corrupção.
No entanto, o
assunto é muito latente na região. Recentemente, escândalos de corrupção
derrubaram o presidente peruano, Pedro Pablo Kuczynski, - substituído por seu
vice-presidente Martín Vizcarra - e levaram à prisão, na última semana, do
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Será uma cúpula
de "feridos, mais que de grandes líderes", como descreveu a analista
política peruana Lucía Dammert.
2) Governo
Trump
A relação de
Trump com a América Latina não foi fácil ao longo de sua presidência,
especialmente com o México.
Além de ameaçar
dar fim ao Acordo de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta), em vigor desde
1994, e querer construir um muro na fronteira com o país latino, Trump voltou a
atacar a imigração nos últimos dias. Sua ausência de Lima deve apenas
aprofundar essa distância.
"Pela
primeira vez em muitos anos, os Estados Unidos deixaram de ter uma agenda
proativa com a América Latina, e essa decisão só reafirma essa posição",
critica Lucia Dammert.
"Para
Trump, a América Latina, com a possível exceção do México, está no nível de um
vice-presidente. A mensagem, que todos mais ou menos intuíamos, agora não pode
ficar mais clara. E é assim que a região vai ler. Bem como a China", disse
à AFP Kevin Casas, ex-presidente da Costa Rica e diretor da Análitica
Consultores.
Com uma troca
comercial cada vez mais forte e a crescente presença da China na região, a
Américan Latina está migrando dos Estados Unidos protecionistas de Trump para
mirar cada vez mais na Ásia. Um exemplo é o Acordo de Associação Transpacífico
(TPP), assinado em março por 11 países, entre eles Chile, Peru e México.
Neste contexto,
a América Latina vê com preocupação a guerra comercial declarada por Trump à
China, que questionou na Organização Mundial de Comércio (OMC) as tarifas
impostas por Washington ao aço e ao alumínio chineses.
3) Venezuela
Após viajar no
ano passado para se reunir com os presidentes de Argentina, Chile, Colômbia e
Panamá para ampliar a pressão sobre Maduro, o vice-presidente americano Mike
Pence espera alcançar "de forma coletiva que os atores antidemocráticos da
região prestem contas por suas ações".
Maduro não irá
à cúpula. "Não está convidado, nem o deixaremos entrar na cúpula",
disseram à AFP fontes oficiais peruanas.
Uma união de
países, liderados pelo Grupo de Lima, foi criada para promover a democratização
da Venezuela e trabalham para "não reconhecer os resultados
eleitorais" da eleição presidencial de maio, boicotada pela oposição.
Para
Washington, a Venezuela "é o problema mais urgente deste hemisfério neste
momento", disse recentemente um alto funcionário do Departamento de
Estado.
Por France Presse

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