Procuradoria Eleitoral entra com ação contra Garotinho por propaganda antecipada | Rio das Ostras Jornal

Procuradoria Eleitoral entra com ação contra Garotinho por propaganda antecipada

Segundo a Procuradoria, ainda que de forma dissimulada, propagandas
 que tenham como objetivo induzir o eleitor a pensar que possível
candidato mereça seu voto caracterizam propaganda antecipada.
MP Eleitoral do Rio entendeu que ex-governador infringiu legislação em programa de rádio em que ele fala em "comprar" deputados se for eleito.
A Procuradoria Regional Eleitoral no Rio de Janeiro (PRE/RJ) apresentou à Justiça representação contra o ex-governador do estado Anthony Garotinho por propaganda eleitoral antecipada, por declarações em programa de rádio.
Em vídeo, divulgado em sua página pessoal no Facebook para promover possível campanha ao executivo fluminense, Garotinho declarou disposição para "comprar" deputados se for eleito sem formar maioria na Assembleia Legislativa (Alerj).
A Procuradoria Regional Eleitoral pede que o vídeo seja retirado imediatamente do ar. No vídeo, Garotinho também falou sobre metas de governo, fez promessas e pediu explicitamente votos, condutas proibidas pela legislação neste período.
Segundo a Procuradoria, ainda que de forma dissimulada, propagandas que tenham como objetivo induzir o eleitor a pensar que possível candidato mereça seu voto caracterizam propaganda antecipada. De acordo com a legislação, o pedido explícito de votos é proibido e as propagandas eleitorais só estão permitidas a partir do dia 16 de agosto.
A representação afirma, ainda, que as declarações de Garotinho poderiam ser analisadas sob o ponto de vista criminal, visto que faz referências expressas ao crime de corrupção ativa. No vídeo, ele afirmou que não bastaria que eleitores votassem nele e não votassem em deputados de sua base, já que assim teria que comprar o apoio de outros parlamentares.
“As palavras do representado não se coadunam com o momento histórico-social crucial que o país atravessa, em que práticas inaceitáveis como as mencionadas têm mobilizado o Ministério Público e o Judiciário. Anthony Garotinho propala esse tipo de ilícito como se fosse algo comum, corriqueiro e, sobretudo, impunível”, disse o procurador regional eleitoral Sidney Madruga.
Anthony Garotinho foi preso em novembro do ano passado por suspeita de fraudes nas eleições de 2014, quando disputou o governo do Rio de Janeiro.
Em dezembro, o ministro Gilmar Mendes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), concedeu habeas corpus e mandou soltar o ex-governador.

Por Camila Bomfim, TV Globo, Brasília
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