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Boa Vista,
em RR, já tem mais de 10% da população
formada por imigrantes venezuelanos. Reprodução
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Ministros de
Defesa, Justiça, GSI e Indústria terão reunião com a governadora Suely Campos e
lideranças do estado. Governo federal fará censo dos venezuelanos que entraram
no Brasil.
Uma comitiva de
ministros do governo federal desembarca nesta quinta-feira (8) em Roraima a fim
de avaliar ações para lidar com o fluxo de venezuelanos no estado, em especial
na capital Boa Vista.
Uma das medidas
previstas, a ser apresentada às autoridades locais, é um censo dos cidadãos do
país vizinho que entraram no Brasil.
Composta pelos
ministros Sergio Etchegoyen (Gabinete de Segurança Institucional), Raul
Jungmann (Defesa), Torquato Jardim (Justiça) e Marcos Jorge (interino da
Indústria, Comércio Exterior e Serviços), a comitiva se reúne na base área de
Boa Vista na manhã desta quinta com a governadora Suely Campos (PP) e
parlamentares. Técnicos do governo federal também integram o grupo.
Na noite desta
quarta, em entrevista, a governadora de Roraima, Suely Campos (PP), disse ter
sido informada do cancelamento da reunião com os ministros. “Lamentavelmente,
nós recebemos o comunicado de que a reunião com os ministros foi cancelada. É
muito desagradável verificar como o governo federal está tratando o estado de
Roraima e um tema tão relevante, que é questão migratória dos venezuelanos, que
vem impactando a vida do roraimense”, afirmou Suely Campos.
Consultado após
a manifestação da governadora, o ministro Sérgio Etchgoyen afirmou que não
houve cancelamento da reunião e que os ministros embarcarão para Roraima na
manhã desta quinta.
Censo
Roraima lida desde
2015 com a chegada desenfreada de venezuelanos, cujo êxodo é motivado pela
crise política, econômica e social do país. Em 2017, foram 17.130 pedidos de
refúgio. De acordo com dados da prefeitura de Boa Vista, a capital tem 40 mil
venezuelanos, mais de 10% dos 330 mil habitantes da cidade, que passa por
dificuldades para encarar o fluxo migratório.
Na semana
passada, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, informou oficialmente sobre
a intenção do governo federal de realizar um censo dos venezuelanos.
Ele explicou a
jornalistas que o objetivo do mapeamento é conhecer o perfil dos imigrantes,
inclusive com informações sobre quais trabalhos eles poderiam realizar no
Brasil.
"Vamos
fazer um censo e ver como nós podemos recebê-los, mas já com uma destinação
mais ou menos objetiva, sabendo quem são as pessoas, que habilitação têm, o que
pode fazer o que não pode fazer", disse Padilha na oportunidade.
À TV Globo e ao G1,
o ministro Sergio Etchegoyen afirmou que o censo é fundamental para que o
governo federal defina com precisão as ações que serão implementadas para
auxiliar o estado em diferentes áreas, a exemplo de saúde, segurança e emprego.
“O censo é a
base para estabelecer as condições de quais políticas serão aplicadas lá [em
Roraima]. É preciso saber exatamente de quantas pessoas estamos tratando",
explicou o ministro.
Segundo
Etchegoyen, o governo tem condições de iniciar logo o mapeamento, que terá
informações como origem do imigrante, qualificação profissional, intenção de
permanecer ou não no Brasil.
Jucá defende
fechar fronteira
Líder do
governo no Senado e parlamentar eleito por Roraima, o senador Romero Jucá
(PMDB-RR) diz acreditar que o censo e o “fechamento da fronteira” entre Brasil
e Venezuela integram as medidas necessárias para lidar com o fluxo de
imigrantes no estado.
Em sua conta no
Twitter, Jucá informou que vai a Boa Vista nesta quinta e
que tem cobrado “medidas urgentes” do governo federal para auxiliar Roraima.
“Eu defendo o
fechamento da fronteira, a realização de um censo, controle sanitário e triagem
das pessoas que entram no território brasileiro”, escreveu.
Na última
semana, quando anunciou o censo, o ministro Eliseu Padilha afirmou que não há
intenção de fechar a fronteira.
Etchegoyen
explicou que o governo federal pretende reforçar órgãos que atuam na área, como
Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Receita Federal e Vigilância
Sanitária.
"Vamos
tratar sobre o que chamamos de ordenamento de fronteira, que é aumentar o
contingente que trabalha nas agências federais", declarou.
Autoridades de
Roraima cobram ações e recursos do governo federal para administrar a chegada
dos venezuelanos.
Secretária de
Gestão Social de Boa Vista, Simone Queiroz defende a “interiorização”
dos imigrantes, ou seja, levá-los a outras cidades ou estados com maior
oferta de trabalho.
A proposta foi
reforçada por quatro deputados federais que estiveram com o presidente Michel
Temer na semana passada.
Os
parlamentares Carlos Andrade (PHS), Hiran Gonçalves (PP), Shéridan (PSDB) e
Remídio Monai (PR) também sugeriram ao presidente maior controle da fronteira
entre Brasil e Venezuela e a instalação de um campo de refugiados com hospital
de campanha.
Etchegoyen
informou que o governo federal tem um projeto pronto de interiorização dos
venezuelanos, inclusive com empresas e cidades interessadas em receber os
estrangeiros. O modelo será apresentado na reunião desta quinta em Boa Vista.
Por Guilherme Mazui e Roniara Castilhos, G1 e
TV Globo, Brasília

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