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Franciny
Tortato Silva, de 19 anos, que espera pelo transplante
de pulmão,
brinca com o cachorro 'Black' no quintal de casa.
(Foto:
Arquivo pessoal)
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Oito
pacientes em potencial estão sendo preparados pelo Hospital Angelina Caron, de
Campina Grande do Sul, para fazer a cirurgia a partir de abril. Em 2017, foram
realizados 112 transplantes de pulmão no Brasil.
O Paraná é o
quinto estado a ter um hospital credenciado para realizar transplantes de
pulmão pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Hospital Angelina Caron, de Campina
Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, projeta a primeira cirurgia
para ocorrer a partir de abril.
Um grupo de 11
pacientes começou a ser avaliado em novembro de 2017 por uma equipe
multidisciplinar de pré-transplante. Desses, oito são considerados em potencial
e estão sendo preparados para fazer o transplante – que nunca foi feito no
estado.
No último ano,
foram realizados 112 transplantes de pulmão no Brasil.
"A
preparação bem feita é determinante para ter um bom resultado. Normalmente, são
de três a seis meses para isso", afirma a pneumologista Orjana Araújo de
Freitas, que integra a equipe do hospital.
Ela explica que
para o transplante são selecionados pacientes com alto risco de morte e que já
esgotaram outras possibilidades.
Em média, a
sobrevida após a cirurgia é de cinco anos, conforme a pneumologista.
"Para
quem não tem perspectiva é muito tempo. É a oportunidade, talvez, de ver o neto
nascer. Mas tem pacientes que vão mais longe, com boa qualidade de vida",
diz.
À espera
Entre os
candidatos, está Franciny Tortato Silva, de 19 anos, que mora em Curitiba. Aos
dois meses de idade, um teste indicou que ela tinha fibrose cística, doença
crônica que danifica os pulmões e o sistema digestivo.
"Meu caso
é de transplante. Acabou sendo adiado nesse momento porque minha capacidade
pulmonar, que era de 25%, deu uma melhorada. Estou usando oxigênio só para
dormir. Mas num futuro bem próximo vou ter que fazer", conta.
Franciny não
faz planos para o futuro – nunca fez. A doença, que chegou a atrasar os
estudos, também não permitiu realizar um sonho, que a jovem espera poder
colocar em prática depois do transplante.
"Quero
viajar, ir para Minas Gerais na casa de uns parentes. Eu e minha família nunca
conseguimos programar nada a longo prazo. Vivo um dia de cada vez",
desabafa.
A jovem
aprendeu desde cedo a lidar com limitações. Atividades intensas nunca fizeram
parte do cotidiano da jovem, que não consegue trabalhar fora de casa.
Parte do tempo
livre, Franciny usa para pesquisar sobre a doença e novos tratamentos. O
espiritismo, segundo ela, também ajuda a entender melhor a própria situação.
"Me
ajuda a não ficar com raiva muitas vezes. A me aceitar mais, porque se a gente
não aceita é pior. Aceitando tudo evolui para poder dar certo. E eu tenho
bastante esperança", afirma.
São oito
medicações diárias, entre enzinas todas as vezes que vai comer e antibióticos
para combater bactérias. Além disso, tem as terríveis inalações, conforme a
jovem.
"É chato,
demora e tem que ficar eliminando secreções. Mas é necessário", aponta.
Rede de
transplantes
Conforme o
Ministério da Saúde, apesar do transplante de pulmão ser oferecido em apenas
cinco estados, não inviabiliza que pessoas de todo o país sejam atendidas, uma
vez que a lista de espera é única.
O SUS conta com
o maior sistema público de transplantes de órgãos do mundo, segundo a pasta. No
Brasil, 87% dos transplantes de órgãos são feitos pelo SUS.
Hospitais
que podem fazer transplante de pulmão:
- Hospital Ana Nery (BA)
- Hospital de Messejana (CE)
- Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre (RS)
- Hospital das Clínicas de Porto Alegre (RS)
- Hospital Israelita Albert Einstein (SP)
- Instituto de Coração (SP)
- Hospital de Base de São José do Rio Preto (SP)
- Hospital Angelina Caron (PR)
A rede
brasileira conta com 27 centrais estaduais de transplantes, 13 câmaras técnicas
nacionais, 494 hospitais cadastrados e 1.244 equipes habilitada. Além disso,
existem 70 organizações de procura de órgãos e 62 bancos de tecidos.
Preparação
Segundo a
pneumologista, muitos pacientes que aguardam por um transplante chegam para as
avaliações abaixo do peso, que é preciso recuperar, assim como fazer preparação
muscular, visto que a estrutura física é importante para o pós-operatório.
"Também
avaliamos o perfil psicológico e social. É uma mudança grande de vida",
diz Orjana. Em geral, os candidatos são pessoas com enfisema pulmonar, fibrose
pulmonar, fibrose cística, hipertensão pulmonar ou com alguma doença rara.
Do preparo ao
pós-operatório, o transplante – que dura cerca de 10 horas – exige
procedimentos complexos. A compatibilidade entre doador e paciente, por
exemplo, depende até do porte físico. "É preciso se atentar a cada detalhe
para que dê certo", indica.
Por
Ederson Hising, G1 PR, Curitiba

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