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Antonio
Ledezma, ex-prefeito de Caracas, concede entrevista
à Reuters
nesta terça-feira (20) em Genebra (Foto: Pierre Albouy/Reuters)
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'Estamos
ignorando uma armadilha', diz Antonio Ledezma.
A oposição não
irá registrar um candidato para a eleição presidencial do dia 22 de abril na
Venezuela, disse o prefeito de Caracas, atualmente no exílio, classificando a
votação como uma "armadilha" preparada pelo presidente Nicolás
Maduro.
Antonio
Ledezma, detido sob prisão domiciliar em 2015, por supostamente planejar um
golpe de Estado, antes de escapar para a Colômbia em novembro, pediu uma
investigação da ONU sobre violações de direitos humanos na Venezuela e o envio
de mais ajuda humanitária para o país.
"Não é um boicote.
Nós estamos, na verdade, ignorando uma armadilha. Não podemos chamar de uma
eleição, porque sabemos que será uma fraude", disse Ledezma à Reuters em
Genebra, onde participava de uma reunião de direitos humanos organizada pelo
grupo UN Watch.
"Sim, a
eleição uniu a oposição porque nós compartilhamos a opinião de que essa eleição
é apenas mais uma mentira do governo", disse, por meio de um tradutor.
A eleição
presidencial venezuelana estava inicialmente marcada para o final de 2018, mas
em 23 de janeiro a Assembleia Nacional Constituinte anunciou que ela seria
antecipada para o primeiro semestre.
Críticos dizem
que a eleição é uma farsa, com os principais adversários de Maduro proibidos de
concorrer e um órgão eleitoral submisso destinado a decidir a favor do partido
governista. Maduro nega que o sistema seja antidemocrático.
"Não
haverá nenhum candidato oficial da oposição. Por parte do governo o que temos
visto é repressão contra os líderes da oposição, porque eles não querem
participar já que isso legitimaria o processo", disse Ledezma, que agora
vive na Espanha.
O país com
população de 30 milhões de pessoas está perto de um colapso econômico, com
inflação de mais de 2.000% no último ano e milhões sem o suficiente para comer.
Eleição
parlamentar
Nesta terça, o
vice-presidente do governista Partido Socialista da Venezuela, Diosdado
Cabello, propôs a realização de uma eleição parlamentar antecipada junto com a
eleição presidencial do dia 22 de abril, potencialmente diminuindo o mandato do
atual Congresso dominado pela oposição.
A oposição da
Venezuela conquistou o controle da Assembleia Nacional em uma votação em 2015,
que foi sua maior vitória eleitoral em quase duas décadas do governo
socialista. Entretanto, o presidente Nicolás Maduro e o Judiciário pró-governo
tornaram o Congresso impotente derrubando todas as suas medidas e realizando
uma controversa eleição para estabelecer, no seu lugar uma poderosa Assembleia
Constituinte.
Cabello disse,
segundo publicações no Twitter da televisão estatal venezuelana, que uma nova
votação para a Assembleia Nacional é necessária "pelo interesse
nacional" porque o Congresso controlado pela oposição é ineficaz.
No passado, as
propostas de Cabello foram enviadas rapidamente à totalmente pró-governo
Assembleia Constituinte --que uma série de países se recusa a reconhecer-- onde
foram aprovadas.
Críticos devem
apontar a proposta de Cabello de antecipar a próxima eleição parlamentar,
prevista anteriormente para 2020, como mais uma tentativa de destruir a
oposição em um país que, segundo eles, foi transformado em uma ditadura pelos
socialistas.
Por Reuters

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