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© AFP Manifestantes
em Porto Alegre na segunda-feira.
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Na sala de
sessão quatro onde acontecerá o julgamento em segunda instância do
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva as três togas dos
desembargadores já estão penduradas. Se na última semana o espaço recebeu uma
série de cinegrafistas de TV e fotógrafos, na próxima quarta-feira ele se
tornará o lugar mais preservado do prédio mais resguardado de toda Porto
Alegre. O corredor do terceiro andar do Tribunal Regional Federal da 4ª Região
(TRF4), onde haverá a sessão, será bloqueado. Além dos julgadores, de
funcionários essenciais e dos advogados, ninguém poderá acessá-lo. Pela imensa
janela da sala também devem chegar apenas sons distantes de protestos: todo o
entorno do prédio e o enorme parque que fica em frente a ele estarão isolados.
O julgamento
começará às 8h30 na quarta-feira e está previsto para durar até, no máximo,
16h. Os desembargadores deverão decidir se acatam o recurso da defesa de
Lula contra a sentença do juiz Sérgio Moro, que considerou que ele é
culpado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Para o juiz da
Lava Jato, o ex-presidente recebeu da construtora OAS dinheiro ilícito de
corrupção dissimulado na compra e reforma de um triplex no Guarujá (litoral de
São Paulo). Caso a condenação seja confirmada, ele corre o risco de ficar de fora
da corrida presidencial.
A rotina da
cidade começa a mudar já nesta terça-feira, quando se inicia a movimentação de
militantes favoráveis e e contrários à condenação do ex-presidente. A partir de
12h, o trânsito já será modificado e todos os órgãos públicos do entorno do
tribunal terão suas atividades encerradas, assim como os comércios da
redondeza. Os responsáveis pela segurança —um gabinete integrado por diversas
áreas que se reúne desde dezembro passado — temem que os dois grupos se
enfrentem. Por isso, houve um reforço de policiais na capital: toda a força que
estava deslocada para o litoral do Estado por conta da Operação Verão retornou.
O número total do efetivo não é divulgado. Para garantir a segurança do prédio,
atiradores de elite estarão a postos. Também haverá 150 câmeras de
monitoramento e o espaço aéreo do local será fechado.
O município de
pouco mais de 1,4 milhão de habitantes no sul do Brasil não terá comente sua
rotina alterada, mas concentrará a atenção de todo o mundo. A cobertura do
julgamento contará com 250 jornalistas brasileiros e 43 estrangeiros. Haverá
profissionais da Inglaterra, Estados Unidos, China, Japão, Alemanha, França,
Espanha, Dinamarca, Catar e Argentina, segundo o TRF4.
Credenciados na
semana passada, eles serão colocados em um anfiteatro no térreo do prédio com
11 mesas e um enorme telão, que transmitirá a decisão dos desembargadores em
tempo real. A mesma imagem será transmitida pelo YouTube e
pelo Periscope do
órgão, algo inédito na história do TRF4, que já julgou também Eduardo
Cunha e José Dirceu. E para evitar as dificuldades de transmissão,
tanto para os jornalistas da sala quanto para os usuários das redes sociais, o
tribunal contratou um engenheiro de telecomunicações.

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