As eleições de
2018 representam a batalha final para o futuro da operação Lava Jato, disseram
nesta segunda-feira procuradores da operação de Curitiba, Rio de Janeiro e São
Paulo, alertando que não vão se acanhar com os ataques que vêm sofrendo por
causa das investigações e que haverá ações conjuntas no próximo ano.
Eles
ressaltaram que o futuro da operação depende da composição do próximo Congresso
Nacional e exortaram a população a fazer boas escolhas, de preferência,
candidatos ficha limpa, sem histórico de corrupção e que pretendem se eleger
para apoiar a Lava Jato.
"É preciso
que a sociedade continue atenta aos movimentos dos atuais parlamentares,
manifestando-se contra qualquer tentativa de dificultar ou impedir as
investigações criminais de pessoas poderosas", afirmaram em carta os
procuradores da Lava Jato de Curitiba, Rio e São Paulo.
O procurador
federal do Paraná Deltan Dallagnol acrescentou em entrevista concedida na
capital fluminense: ”2018 será a batalha final para a Lava Jato….será uma
vitória para a Lava Jato se forem eleitos candidatos com passado limpo e que
atuem no combate a corrupção, mas o futuro será sombrio se os que estão aí
forem mantidos”.
Procuradores
que atuam nas forças-tarefas do Rio de Janeiro, de Curitiba e de São Paulo se
reuniram nesta segunda para traçarem novas estratégias para 2018, e a
perspectiva é que ocorram novas operações conjuntas.
“As
forças-tarefas da Lava Jato vão deflagrar operações conjuntas no ano que vem e
a reunião foi para traçar diretrizes”, disse a jornalistas o procurador
fluminense Eduardo El Hage.
Representantes
do grupo afirmaram ainda que o foro privilegiado é um obstáculo enorme para
avançar nas investigações e ressaltaram que a tentativa de garantir a
impunidade de políticos poderosos certamente vai se intensificar.
"Se em
2019 estiverem no Congresso pessoas acuadas pelo combate à corrupção, haverá
reação à Lava Jato….esperamos uma renovação no Congresso em 2019 que levará a
uma redução nos níveis de corrupção”, disse Dallagnol.
Com mais de
três anos, a operação Lava Jato já conta com 47 fases no Paraná, enquanto no
Rio são 17. Nos dois Estados, foram condenadas 144 pessoas e mais de 500
investigados foram denunciados à Justiça.
Segundo o MPF,
já foram recuperados a partir das investigações da Lava Jato mais de 10 bilhões
de reais. No entanto, somente em Curitiba, há em curso no momento mais de 26
milhões de operações financeiras sendo monitoradas que juntas superam 2
trilhões de reais.
Os procuradores
de São Paulo, Rio e Curitiba acreditam que as investigações podem ir além, caso
o Supremo Tribunal Federal aprove restrições para o benefício do foro
privilegiado. A discussão sobre o tema foi interrompida no Supremo na semana
passada, quando a votação era favorável à restrição. Oito dos 11 ministros
tinham votado favoravelmente, mas o ministro Dias Toffoli pediu vistas,
empurrando a retomada do debate para 2018, ano de eleições no país.
“Esperamos que
o STF dê uma resposta rápida para o foro privilegiado e se essa restrição não
vier pelo STF ou Congresso esperamos que a sociedade acabe com o foro não
votando em corruptos e ficha suja”, disse Dallagnol. “Se a população quer que
pessoas com foro sejam investigadas então o caminho é não elegê-las em 2018
para que possam ser investigadas.”
Apesar do tom
político dado na entrevista, os procuradores da Lava Jato disseram desconhecer
que algum membro da operação tenha pretensões eleitorais em 2018.
O procurador
paranaense aproveitou para criticar o Judiciário brasileiro, que segundo ele,
peca pela falta de “resolutividade” dos processos. “O sistema brasileiro é
feito para não resolver questões importantes e investigações contra poderosos”,
finalizou Dallagnol.
Por Rodrigo
Viga Gaier
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