Coreia do Norte faz crítica a seu maior aliado, a China, que responde que quer ser boa vizinha

Desfile de armamentos em Pyongyang, em imagem
de arquivo (Foto: Damir Sagolj / Reuters)
No entanto, Pequim deixa claro que quer Península Coreana sem armas nucleares.
A China disse nesta quinta-feira (4) que quer ser uma boa vizinha da Coreia do Norte depois que a agência de notícias estatal norte-coreana publicou uma rara crítica a comentários da mídia estatal chinesa com pedidos de sanções mais rígidas contra o programa nuclear de Pyongyang.
Os Estados Unidos vêm exortando a China, a única grande aliada da Coreia do Norte, a fazer mais para conter os programas nuclear e de mísseis de sua vizinha. O governo do presidente dos EUA, Donald Trump, já alertou que a "era da paciência estratégica" acabou.
A agência Reuters informa que um texto publicado pela agência de notícias norte-coreana KCNA se referiu a comentários recentes publicados nos jornais chineses "Diário do Povo" e "Global Times", dizendo que estes são "amplamente conhecidos como a mídia que veicula a posição oficial do partido e do governo chinês".
"É preciso entender claramente que a linha de acesso da Coreia do Norte a armas nucleares para sua existência e desenvolvimento não pode ser alterada nem abalada. E que a Coreia do Norte nunca vai implorar pela manutenção da amizade com a China, arriscando seu programa nuclear, que é tão precioso como a sua própria vida, não importa o quão importante seja a amizade", diz o comentário na KCNA. "A China não deve mais tentar testar os limites da paciência da Coreia do Norte", prossegue o texto.
É incomum para a mídia estatal norte-coreana emitir criticar a China diretamente, já que o país responde por 90% do seu comércio exterior, como informa o "New York Times".
Em Pequim, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Geng Shuang, disse que a posição de seu país é consistente e clara.
"A posição da China sobre a desnuclearização da Península Coreana é consistente e clara, e assim é a nossa posição no desenvolvimento de uma boa vizinhança e relações amigáveis a Coreia do Norte", disse Geng a repórteres, em resposta a uma pergunta sobre o comentário da KCNA.
A China está resolutamente dedicada à desnuclearização da península, à manutenção da paz e da segurança e a resolução da questão por meio do diálogo, acrescentou Geng.
'Guerra Fria'
Em sua reação ao texto da KCNA, a conta da edição estrangeira do Diário do Povo em uma rede social disse estar claro que as atividades nuclear e de mísseis norte-coreanas são uma ameaça à China.
"A Coreia do Norte não deixou a Guerra Fria para trás e não quer fazê-lo, e está emaranhada em uma teia de antagonismo entre seus inimigos e ela, que ela mesma teceu", disse.
A China vem dizendo repetidamente que, embora fique contente de organizar conversas, em última instância cabe aos EUA e à Coreia do Norte resolverem suas diferenças.
Diplomatas dizem que Washington e Pequim estão negociando uma reação possivelmente mais forte do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), como novas sanções, aos repetidos lançamentos de mísseis balísticos da Coreia do Norte em desafio às resoluções do Conselho de Segurança.
O comentário da KCNA argumentou que os artigos chineses tentaram atribuir a Pyongyang a culpa pelas "relações deterioradas" entre a China e a Coreia do Norte e pela mobilização de recursos estratégicos norte-americanos na região, além de acusar a China de "exagerar" os danos causados pelos testes nucleares norte-coreanos às três províncias do nordeste chinês.

Por G1
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