Delações da Odebrecht: Jorge Bittar recebeu R$ 700 mil de Caixa 2 para campanha de 2010

Segundo os delatores, o codinome
 de Bitar era "Passadão".
 
Segundo Benedicto Júnior, caixa dois foi definido dentro da sede de secretaria ocupada por Bittar, que tinha o codinome 'Passadão'.
O ex-deputado federal pelo PT, Jorge Bittar, aparece nas delações da Odebrecht no âmbito da Operação Lava-Jato. Segundo Benedicto Júnior e João Borba Filho, a empresa forneceu R$ 700 mil em quatro parcelas, com dinheiro de caixa dois, para a campanha de deputado federal de Bittar em 2010. Benedicto Júnior afirma que ele próprio foi procurado por Bitar no primeiro semestre daquele ano, e que a propina foi pedida dentro da própria sede da secretaria.
"No ano de 2010, eu fui procurado pessoalmente pelo senhor Jorge Bittar, então secretário de habitação da Prefeitura do Rio de Janeiro, uma figura importante do Partido dos Trabalhadores do Rio de Janeiro, com a demanda de uma ajuda de campanha para a sua eleição a deputado federal. Eu consenti na ajuda, de R$ 700 mil, e indiquei um executivo meu, João Borba, para que tratasse de uma pessoa indicada por ele para que esses pagamentos feitos via caixa dois utilizando o sistema de operações estruturadas da Odebrecht acontecessem ao longo de 2010", explicou Benedicto Júnior.
Segundo os delatores, o codinome de Bitar era "Passadão". Benedicto explicou que tinha uma relação pessoal com Bittar, a quem considerava uma pessoa fundamental no partido no Rio de Janeiro. "O viés dele me procurar, o viés dele dele estar em uma secretaria de habitação no momento em que a gente desenvolvia um projeto com o 'Minha Casa Minha Vida' me fizeram avaliar, que era importante ajudá-lo", afirmou Benedicto.
Senha e endereço para propina
Segundo a petição de Fachin, o pagamento foi feito em quatro parcelas. "Foi acordado o valor de R$ 700 mil, pago em quatro parcelas. Seguindo as instruções do Benedicto Júnior, foi procurado o senhor Francisco Abenza, conhecido como Paquito, que era coordenador da campanha do deputado à época. Ele foi até o escritório, na Praia de Botafogo, 300, onde expliquei o acordo entre o Benedito e o deputado. Eu entregaria mensalmente as senhas e os endereços para pegar os recursos", explicou João Borba.
"Ele tinha designado a senhora Regina Toscano, e seria ela que receberia a senha e os endereços. Esses recursos eram criados pela equipe do Gilberto Simon. Normalmente ela me ligava para saber, e uma vez fui até o escritório de campanha levar, na Avenida Nilo Peçanha, número 50, a senha e o endereço", disse Borba.
Documentos
Benedicto Júnior apresentou na Procuradoria, em sua delação, documentos que comprovam sua relação estreita com o deputado.
"Aqui estão todos os contatos que eu fazia com o doutor Jorge Bittar. Em outro documento, são ligações telefônicas, de 2013, conversava com ele com alguma frequência", explicou ele. "Quando o pedido de reunião foi feita, eu imaginava que seria de apoio para campanha dele ou para o partido", relatou ele.
O G1 liga para telefones de Jorge Bittar desde terça-feira (18), mas não obteve retorno até o momento da publicação desta reportagem.

Por G1 Rio
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