Japão suspende importação de carne brasileira após operação da PF

Além da União Europeia, pelo menos seis países restringiram compra de carne do Brasil. No ano passado, Japão foi o quinto maior importador do produto brasileiro.
A embaixada do Japão anunciou nesta terça-feira (21) que suspendeu a importação de carne dos 21 frigoríficos investigados na Operação Carne Fraca. Em nota, a embaixada informa que a suspensão seguirá valendo "até novas notificações". Depois do Japão, também o México anunciou restrição.
Em 2016, o Japão foi o quinto maior importador de carne brasileira: US$ 747 milhões, o equivalente a 5,5% do total. O país adquiriu basicamente carne de frango do Brasil no ano passado.
No total, as exportações de carnes pelo Brasil no ano passado somaram US$ 13,49 bilhões.
Além do Japão, restringiram oficialmente a importação de carne brasileira:
  • Chile
  • Suíça
  • China
  • Hong-Kong
  • México
  • União Europeia
China e Hong-Kong são os principais compradores de carnes do Brasil. A União Europeia também anunciou sanções.
A Coreia do Sul chegou a anunciar a suspensão de importação de frango, na segunda, mas voltou atrás nesta terça.
Principais importadores
Saiba quais são os principais compradores de carne brasileira, segundo o Ministério da Indústria e Comércio Exterior:
  1. China - US$ 1,75 bilhão (13% do total)
  2. Hong Kong - US$ 1,51 bilhão (11,2% do total
  3. Arábia Saudita - US$ 1,27 bilhão (9,4% do total)
  4. Rússia - US$ 1,03 bilhão (7,6% do total)
  5. Japão - US$ 747 milhões (5,5% do total)
  6. Países Baixos - US$ 715 milhões (5,3% do total)
  7. Egito - US$ 690 milhões (5,1% do total)
  8. Emirados Árabes Unidos - US$ 585 milhões (4,3% do total)
  9. Chile - US$ 441 milhões (3,2% do total)
  10. Reino Unido - US$ 389 milhões (2,9% do total)
Argentina
Em comunicado divulgado nesta terça-feira (21), o Serviço Nacional de Saúde e Qualidade Alimentar (Senasa) da Argentina informou que vai aumentar ainda mais os controles de todos as carnes vindas do Brasil.
No comunicado, a Argentina classifica de prudente a decisão brasileira de suspender as exportações dos 21 frigoríficos investigados na Operação Carne Fraca e diz que está acompanhando atentamente os resultados das investigações.
A Argentina informou ainda que, dos frigoríficos investigados, somente um exporta para o país.
Segundo dados do Ministério da Agricultura, nos últimos 60 dias só o frigorífico Larissa, em Iporã (PR), exportou para a Argentina. O país comprou carne congelada de suíno sem osso.
A operação
Deflagrada pela Polícia Federal na semana passada, a Operação Carne Fraca investiga corrupção de fiscais do Ministério da Agricultura, suspeitos de receberem propina para liberar licenças de frigoríficos. Segundo a PF, partidos como o PP e o PMDB também teriam recebido propina.
Além de corrupção, a PF também apura a venda, pelos frigoríficos, de carne vencida ou estragada, dentro do Brasil e no exterior.
As investigações envolvem empresas como a JBS, que é dona de marcas como Friboi, Seara e Swift, e a BRF, dona da Sadia e Perdigão, além de frigoríficos menores, como Mastercarnes, Souza Ramos e Peccin, do Paraná, e Larissa, que tem unidades no Paraná e em São Paulo.
Na segunda, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, já havia anunciado a suspensão das exportações dos 21 frigoríficos investigados pela PF. Três deles fora interditados e pararam a produção. Os outros 18 podem continuar a vender dentro do Brasil.
O Ministério da Agricultura também afastou preventivamente os 33 servidores da pasta que são investigados na Operação Carne Fraca. Segundo o ministério, esses servidores vão responder a processo administrativo disciplinar.

G1, Brasília
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