Fernando Migliaccio é
ex-funcionário da Odebrecht e foi detido em Genebra.
O Ministério Público Federal (MPF)
informou à Justiça Federal que Fernando Migliaccio, investigado na 23ª fase da
Operação Lava Jato, foi preso em Genebra, na Suíça. A prisão foi comunicada
nesta terça-feira (23), entretanto ocorreu na quarta-feira (17). Ela não tem
relação com o mandado expedido no Brasil, que era desconhecido pelas
autoridades estrangeiras, de acordo com o MPF.
De acordo com as autoridades
policiais suíças, ele foi preso em Genebra por volta das 12h enquanto tentava
encerrar contas bancárias e esvaziar um cofre em uma instituição bancária
daquele país, informou a Polícia Federal (PF).
O Ministério Público Federal da
Suíça informou que Fernando Migliaccio foi detido, a princípio, por três meses
para evitar a fuga do suspeito ou que ele atrapalhasse as investigações. Além
disso, o órgão suíço afirmou que as investigações no país estão relacionadas à
Odebrecht e à Petrobras.
“Ontem, 17 de fevereiro de 2016,
por volta das 12:00 horas, a Polícia suíça prendeu o cidadão brasileiro
Fernando Migliaccio da Silva em Genebra com base numa ordem do nosso Ministério
público federal”, diz ofício encaminhado à PF e que é datado em 18 de fevereiro
deste ano.
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Documento
suíço mostra a prisão do investigado pela
Operação
Lava Jato (Foto: Reprodução)
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Segundo o Ministério Público
Federal, existe na Suíça uma investigação autônoma sobre a Odebrecht. Isso, de
acordo com os procuradores, pode indicar a relação da prisão com as
investigações da Lava Jato. De qualquer forma, o MPF destaca que desconhece as
razões da prisão.
No âmbito da Lava Jato, a prisão
de Migliaccio foi decretada em 11 de fevereiro deste ano - onze dias antes da
deflagração da operação no Brasil. Segundo a investigação, ele era responsável
por gerenciar contas usadas pela Odebrecht no exterior para pagar propinas para
autoridades do Brasil e de outros países. Essas contas estavam atreladas a
offshores.
Ainda conforme o MPF, Migliaccio
mudou-se para o exterior após as buscas e apreensões feitas na Odebrecht, em 19
de junho de 2015. Para os procuradores da força-tarefa da Lava Jato, a mudança
de Migliaccio - custeadas pela Odebrecht - foi uma manobras de Marcelo
Odebrecht e funcionários para dificultar as investigações. O MPF diz que as
despesas do de Migliaccio são pagas pela Odebrecht.
A 23ª fase - Operação Acarajé
A 23ª fase prendeu o publicitário
baiano João Santana e a esposa dele, Monica Moura. Marqueteiro das campanhas da
presidente Dilma Rousseff e da campanha da reeleição do ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, em 2006, Santana recebeu US$ 7,5 milhões em conta secreta
no exterior, segundo a PF e o Ministério Público Federal. Investigadores
suspeitam que ele foi pago com propina de contratos da Petrobras.
Os supostos pagamentos ilegais
para conta secreta de Santana seriam provenientes da construtora Odebrecht e do
engenheiro Zwi Skornicki, representante oficial no Brasil do estaleiro Keppel
Fels. Suspeita-se de pagamento de serviços eleitorais ao PT.
O advogado que representa João
Santana, Fábio Tofic, afirma que todos recursos em contas do exterior do
marqueteiro provêm, exclusivamente, de campanhas feitas em outros países.
Segundo a defesa, "nenhum centavo" é de campanha brasileira.
Santana, Monica Moura e Zwi
Skornicki estão em Curitiba. A prisão do casal é temporária. Eles estavam na
República Dominicana trabalhando em uma campanha eleitoral. Conforme o G1
antecipou, ele se apresentou sem celular e sem notebook, apesar de estar
voltando de uma viagem de trabalho, onde fazia campanha política junto com a
esposa.
O engenheiro Zwi Skornicki
A prisão de Zwi Skornicki é
preventiva. Ele é tido pela Operação Lava Jato como um dos operadores de
propina no esquema de corrupção descoberto na Petrobras. O patrimônio do
engenheiro aumentou 35 vezes em 10 anos - passando de R$ 1,8 milhão para R$ 63
milhões.
Na primeira vez em que a operação
levou a Polícia Federal à casa de Zwi Skornicki, em 5 de fevereiro de 2015, os
agentes recolheram na garagem subterrânea cinco carros importados e valiosos.
Nesta segunda, em outros endereços do suspeito de ser operador de propinas da
Petrobras, foram apreendidos pelo menos mais dez.
Por nota, a defesa do engenheiro
declarou que só vai falar nos autos do processo e que considera a prisão
desnecessária, já que desde a 9ª fase da operação, há mais de 1 ano, ele sempre
esteve no brasil e à disposição para prestar esclarecimentos.
Confira a situação dos
investigados até esta terça-feira:
Estão presos:
- João
Santana - marqueteiro do PT - prisão temporária
- Monica
Moura - sócia e mulher de João Santana - prisão temporária
- Zwi
Skornicki - engenheiro apontado como operador do esquema- prisão preventiva
- Benedicto
Barbosa - diretor-presidente da
Construtora Norberto Odebrecht (CNO) - prisão temporária
- Vinícius
Veiga Borin -administrador de uma consultoria financeira ligada à offshore da
Odebrecht - prisão temporária
- Maria
Lúcia Guimarães Tavares - funcionária da Odebrecht - prisão temporária
- Fernando
Migliaccio - ex-funcionário da Odebrecht - prisão preventiva (detido na Suíça)
Ainda não foram detidos:
- Marcelo
Rodrigues - suposto operador do esquema - prisão temporária


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