Ele estava preso em presídio e foi
levado para a carceragem da polícia. Peritos dizem que mensagens falam de
campanhas feitas por João Santana.
O presidente afastado da
Odebrecht, Marcelo Odebrecht, foi ouvido pela Polícia Federal (PF) nesta
terça-feira (23). Ele foi transferido do presídio em que estava preso para a
carceragem da PF após a 23ª fase da Operação Lava Jato para esclarecer
anotações encontradas em um dos oito celulares apreendidos na casa dele.
Peritos que analisaram o celular
dizem que ele usava siglas e apelidos para se referir a pessoas, e que parte
das anotações feitas no aparelho fala do financiamento de campanhas políticas
ligadas ao marqueteiro do PT João Santana.
Em uma das anotações investigadas,
Marcelo Odebrecht escreveu: “Liberar para feira pois meu pessoal não fica
sabendo. Deixar prédios com vaca”. Em outro trecho, Odebrecht afirma. “40 para
vaca – parte para feira”. Os peritos concluíram que “Feira” era o apelido de
João Santana, que nasceu em uma cidade perto de Feira de Santana, na Bahia. Já
“Vaca” era o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, preso desde abril de 2015.
No relatório apresentado ao juiz
Sérgio Moro, os policiais afirmam que não restam dúvidas de que o Grupo Odebrecht
efetuou depósitos no exterior de “recursos espúrios” em favor do publicitário e
da mulher e sócia dele, nas principais e recentes campanhas eleitorais do PT.
Em outra anotação, Marcelo
Odebrecht escreve: “Para Edinho visão da conta toda inclusive o gasto com
Haddad”. A PF suspeita que a anotação trata dos gastos de campanha de Fernando
Haddad (PT), atual prefeito de São Paulo. “Edinho” é referência a Edinho Silva,
que atuou na campanha de 2010 e coordenou a campanha de 2014 da presidente
Dilma Rousseff, segundo a PF.
Outras frase que os policiais
querem que Marcelo Odebrecht explique são: “Dizer do risco cta Suíça chegar
campanha dela?” e “Delação (RA) livrar todos e só eu. Era amigo e orientado por
eles. Pagou-se feira de cta que eles mandaram. Mandaram ODB pagar campanha a
priori. Mas é certo que aceitava algumas indicações a título de bom
relacionamento. Campanha incluindo caixa dois, se houver. Era só com M.O. Que
não aceitava vinculação. PRC só se foi rebate de CX2”.
A PF diz que “M.O” é o próprio
Marcelo Odebrecht. Os investigadores querem saber se “R.A” é Rafael Ângulo, um
funcionário do doleiro Alberto Youssef que já fez delação premiada, ou Rogério
Araújo, um ex-diretor da Odebrecht que está preso.
Os policiais dizem que Marcelo
Odebrecht, ao que parece, listou argumentos que o funcionário da Odebrecht
poderia usar caso decidisse colaborar com as investigações. Segundo a polícia,
Marcelo avaliava que Rogério Araújo poderia dizer que foi orientado por pessoas
ligadas ao PT para pagar João Santana e conta indicada.
Além das anotações no celular, uma
planilha encontrada no e-mail de um ex-executivo da Odebrecht também faz
referências a “Feira”, que seria o apelido de João Santana. Segundo as
investigações, a tabela traz informações sobre pagamentos de campanhas
eleitorais e estava na caixa de e-mails de Fernando Migliaccio, que está preso
na Suíça. O apelido “Feira” aparece ao lado de valores que somam R$ 26 milhões.
Migliaccio movimentava contas no exterior para fazer repasses de propina em
nome da Odebrecht, segundo a PF.
As investigações dizem que João
Santana e a mulher, Monica Moura receberam no exterior US$ 3 milhões, entre
2012 e 2013, de empresas ligadas à Odebrecht.
Outro lado
Em nota, o PT declarou que refuta,
com veemência, as ilações apresentadas, e que todas as doações que o partido
recebeu foram realizadas dentro dos parâmetros legais e posteriormente
declaradas à Justiça Eleitoral
O ministro Edinho Silva declarou
que não teve nenhuma função administrativa na campnha de Fernando Haddad, em
2012.
A campanha do prefeito Fernando
Haddad declarou que o contrato celebrado com a empresa de João Santana seguiu
padrões de mercado. Segundo a chefia de campanha, o mesmo contrato foi quitado
seguindo a legislação eleitoral, conforme prestação de contas apresentada e
aprovada pela Justiça Eleitoral
A defesa de João Vaccari Neto
declarou que ele não recebeu diretamente nenhum dinheiro ou qualquer valor de
Marcelo Odebrecht ou de qualquer outra pessoa para o PT. Segundo a defesa,
qualquer doação sempre ocorreu na conta do partido em banco, com prestação de
contas às autoridades.
A Odebrecht declarou que não
conhece os termos do inquérito que deram origem à nova fase da Lava Jato e que
não pode se pronunciar.
A defesa de Marcelo Odebrecht
declarou que ele irá se manifestar quando tiver pleno conhecimento de todos os
elementos da investigação. Que ele já esclareceu em interrogatório que as
anotações do celular são pessoais dele, para ele mesmo. Que o significado delas
não condiz com o que chamou de especulações que estão sendo feitas pela Lava
Jato. Por fim, afirmou que o executivo deseja colaborar, mas precisa de tempo
para conhecer os termos da investigação.
O advogado de Rafael Ângulo disse não
conhecer o contexto das investigações.
A defesa de Rogério Araújo não foi
localizada.
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