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23ª
fase da Operação Lava Jato reforçou elo entre
a Odebrecht
e a corrupção na Petrobras
(Rodrigo
Paiva/Reuters)
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O Ministério Público Federal
relatou ao juiz Sérgio Moro, que conduz as ações penais da Operação Lava Jato
em Curitiba, no âmbito da Operação Acarajé, prováveis pagamentos de propina da
Odebrecht na Argentina, Peru e El Salvador. Segundo o MPF, o responsável pelos
pagamentos na Argentina e no Peru é o executivo da empreiteira Fernando
Migliaccio, que controla as offshores Constructora Internacional Del Sur e
Klienfeld Services, ambas utilizadas pela Odebrecht. Migliaccio tem contra si
um mandado de prisão preventiva, que não foi cumprido porque ele está nos
Estados Unidos.
E-mails interceptados pela
força-tarefa da Lava Jato mostram conversas entre o executivo da empreiteira
Maurício Couri Ribeiro e um Manuel Vazquez, assessor do ex-secretário de
Transportes da Argentina, Ricardo Raúl Jaime. Na correspondência, Ribeiro e
Vazquez conversam a respeito de problemas em um dos pagamentos da Klienfeld ao
assessor do secretário argentino. O MPF ressalta que tanto Vazquez quanto Jaime
já foram condenados por corrupção no país vizinho.
No relatório enviado a Moro, os
procuradores relatam a suspeita de que os pagamentos em favor de Ricardo Raul
Jaime foram feitos para a obtenção do contrato de soterramento do Ferrocarril
Sarmiento pela Odebrecht. "Nesta seara, impende observar que quando da
análise do celular de Marcelo Odebrecht, foram encontradas diversas anotações
acerca de 'Sarmiento'", afirma o MPF.
Além de Jaime, é citada pela
força-tarefa da Lava Jato a vinculação do presidente do Peru, Ollanta Humala,
eleito em 2011, a 3 milhões de dólares, o equivalente a 4,8 milhões de reais
pela cotação de 1,6 real adotada no relatório. Os procuradores consideraram no
documento as diversas obras no país sul-americano conduzidas pela empreiteira
de Marcelo Odebrecht, "muitas das quais financiadas pelo governo
brasileiro, havendo contundentes indícios de prática de lobby pela empreiteira
junto a agentes políticos peruanos, assim como de financiamento de campanhas
eleitorais pela Odebrecht". Entre as anotações do empresário apreendidas
pela Polícia Federal, a Lava Jato cita uma em que o empreiteiro menciona
"OH vs humildade" e valores em espécie remetidos ao Peru.
Em El Salvador, onde o marqueteiro
João Santana assinou a campanha que elegeu o ex-presidente Maurício Funes em
2009, a força-tarefa da Lava Jato relatou a Sergio Moro que a Odebrecht fez
pagamentos destinados a um evento "Via Feira", referência ao
publicitário nas anotações e planilhas de pagamento de propina da empreiteira.
Principal alvo da Operação Acarajé, Santana ainda não foi preso porque está na
República Dominicana, onde trabalhava na campanha à reeleição do presidente
Danilo Medina. O marqueteiro abandonou o trabalho no país caribenho na tarde de
hoje.

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