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O representante da SBM no Brasil Julio Faerman (Divulgação)
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Representante da empresa holandesa
no Brasil, Julio Faerman relatou que o pedido de contribuição para o caixa
petista partiu do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, ligado ao
PT
A empresa holandesa SBM Offshore
pagou 300.000 dólares em propina à campanha da então candidata à Presidência
Dilma Rousseff em 2010. É o que relata o representante da companhia no Brasil,
o lobista Julio Faerman, em depoimento ao Ministério Público Federal, no dia 20
de maio deste ano. O trecho faz parte da denúncia oferecida pela procuradoria
do Rio de Janeiro à Justiça contra doze pessoas acusadas de desviar 46 milhões
de dólares de contratos firmados entre a companhia holandesa e a Petrobras, de
1997 a 2012.
No depoimento, Faerman afirma que
transferiu o dinheiro para uma conta do então gerente de Serviços da Petrobras
Pedro Barusco, que confirmou os repasses. A transação foi feita em contas na
Suíça.
O pedido de contribuição à
campanha petista teria partido do então diretor de Serviços da estatal, Renato
Duque, que foi indicado ao cargo pelo PT e de quem Barusco era braço-direito.
"Nesse pedido de Duque (...) ficou evidente a ligação de Duque com o
partido", diz trecho do depoimento. Numa primeira reunião, entre Duque e
Faerman, o lobista da SBM recusou o pedido. Num segundo encontro, Barusco o
cobrou da doação, ao que, desta vez, foi atendido pelo representante da empresa
holandesa. "Diante do pedido, o depoente transferiu 300.000 da sua conta
Bienfaire, na Suíça, para conta de Barusco, na Suíça, para conta que não sabe
dizer, porque dava as ordens ao banco sem precisar especificar para qual conta
do beneficiário iriam os recursos", diz outro trecho do relato.
Pedro Barusco, que também depôs ao
MPF, falou sobre o episódio, destacando que a solicitação pelo dinheiro ocorreu
quando o tucano José Serra, principal adversário de Dilma nas eleições, subiu
nas pesquisas eleitorais de opinião. "Que o depoente esclarece que no ano
de 2010, durante a campanha presidencial, quando Serra encostou em Dilma nas
pesquisas, foi solicitado por Renato Duque a intermediar o recebimento de uma
contribuição de 300.000 dólares para a campanha de Dilma", disse Barusco,
em depoimento prestado no dia 26 de novembro de 2014.
Barusco explica que não precisou
trazer o dinheiro da Suíça, porque o montante se transformou no que foi chamado
de "créditos de propina" - ou "compensação de propinas".
Diz o depoimento: "Na verdade o depoente não transferiu 300.000 dólares
para a conta de ninguém, simplesmente passando ao PT um crédito em propinas a
receber. Que não sabe como esse pagamento teria sido feito ao PT, se no país ou
no exterior, se em forma de doação oficial de campanha ou não",
Nova operação - Os
doze denunciados pela procuradoria do Rio são alvos da operação Sangue Negro,
que assim como a Lava Jato apura um esquema de corrupção na Petrobras. Entre
eles, estão o ex-diretor de Internacional da estatal Jorge Luiz Zelada e os
executivos da SBM Roberto Zubiate, Didier Keller e Tony Mace, que não são
brasileiros, além de Julio Faerman, Pedro Barusco e Renato Duque.

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