O anúncio da saída do ministro da
Fazenda, Joaquim Levy, só não foi ainda oficializado porque a presidente Dilma
Rousseff ainda não conseguiu definir o nome que irá substituí-lo. Auxiliares
diretos da presidente dizem que a substituição poderá acontecer a qualquer
momento, com grandes chances de ser antes do Natal. Embora não fosse o motivo
do encontro, na quarta-feira à noite, a saída de Levy foi um dos temas tratados
na reunião da presidente Dilma com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
três ministros e o presidente do PT, Rui Falcão, no Palácio da Alvorada, que
terminou perto da meia noite.
O ex-presidente Lula, que vinha batendo
na tecla e insistindo em emplacar o ex-presidente do Banco Central Henrique
Meirelles, agora, demonstra simpatia pelo senador Armando Monteiro, atual
ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Um grupo de
senadores também trabalha pelo ex-presidente da Confederação Nacional de
Indústria (CNI). Lula já conversou com uma série de pessoas sobre Monteiro e
recebeu boas referências dele, embora sempre existam prós e contras. O fato de
ser um político cordato, com jogo de cintura, está entre os prós. Ele não ser
um homem de mercado, pode ser um contra, mas que acham que isso pode ser
revertido. No Congresso, há quem divulgue que toda empresa que ele pega,
quebra. Mas a abertura de uma vaga na Esplanada para acomodações políticas
também ajudaria na decisão pelo nome.
Enquanto a simpatia e Lula por
Monteiro é divulgada, os petistas trabalham arduamente para que Dilma opte por
uma solução caseira, limitando-se a transferir Nelson Barbosa do Planejamento,
para a Fazenda. Essa ideia, no entanto, é rejeitada por muitos outros setores
do governo.
Esta semana, chegou-se a dizer que
o currículo de Otaviano Canuto, diretor-executivo do Fundo Monetário
Internacional estava sobre a mesa do gabinete da presidente Dilma no Planalto,
sob apreciação. O fato é que a presidente já estava em busca do substituto de
Levy e estava tentando evitar que fosse surpreendida com uma nova ameaça ou
saída súbita dele, prejudicando ainda mais o clima político que toma conta do
País, com o andamento do seu processo de impeachment no Congresso.
A gota d'água para o tempo de Levy
ter chegado ao fim mais rapidamente foi a nota do Ministério da Fazenda
divulgada na quarta-feira sobre o rebaixamento do Brasil pela Fitch, além do
fato dele estar fazendo festinhas de despedida, enquanto o Planalto precisava
dizer que ele ainda possuía a confiança do governo, para não piorar ainda mais
o quadro econômico. A presidente Dilma e auxiliares diretos dela ficaram muito
irritados com o trecho inicial da nota que diz que, nas palavras de um interlocutor
"deu razão à agência de risco" ao rebaixamento do Brasil. O Planalto
não gostou também dele sugerir, de acordo com a forma como o texto foi
elaborado, que faltava determinação do governo em implantar medidas pata
corrigir o déficit orçamentário de 2016.As ironias do ministro com várias
questões também deixaram de ser bem vindas e bem vistas há muito tempo.
A despedida de Levy do Conselho Monetário Nacional foi só
mais uma certeza de que a solução terá de ser ainda mais rápida do que o
Planalto esperava.

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