Tribunal vetou chapa avulsa e deu
poder ao Senado para barrar impeachment. Presidente da Câmara reunirá líderes na segunda para tratar do assunto.
O presidente da Câmara, Eduardo
Cunha
(PMDB-RJ), criticou nesta quinta-feira (17), em entrevista coletiva, a
decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de barrar o rito de impeachment
definido pela Casa, especialmente, em relação à declaração de
inconstitucionalidade da eleição de uma "chapa alternativa" e do
lançamento de candidaturas avulsas. Na visão do peemdebista, ao proibir chapas
alternativas, o Supremo “afasta a disputa”.
Nesta quinta, a maioria dos
ministros da Suprema Corte se manifestou contrariamente à escolha, pelo
plenário da Câmara, de deputados não indicados por líderes
partidários para a comissão especial que vai analisar o pedido de impeachment
da presidente Dilma Rousseff.
Ele argumentou ainda que as regras
para a eleição da comissão especial do impeachment, na qual foi escolhida uma
chapa alternativa integrada por oposicionistas e dissidentes da base
governistas, foram definidas seguindo o que diz o regimento interno da Câmara
sobre a eleição da Mesa Diretora. O regimento, destacou, permite as
candidaturas avulsas.
“Quando a lei pressupõe eleição,
pressupõe o voto para se eleger. Primeiro, se pressupõe disputa, isso foi
afastado pelo Supremo”, afirmou. E continuou: “A questão que causa mais
desconforto é a possibilidade de você impedir a disputa que sempre pautou a
Casa.”
No entanto, o deputado do PMDB
ressaltou que "respeita" a decisão do Supremo e irá cumprir a ordem
judicial.
"A gente sempre respeita
decisão [do STF]. Vamos obviamente cumprir. Têm pontos que precisam ser
esclarecidos", disse o peemedebista.
Para o presidente da Câmara, ficou
indefinido no julgamento o que deve acontecer caso a chapa única seja rejeitada
pelo plenário. “Eleição pressupõe que tenha aprovação. Mesmo sem discutir, se
foi correto ou não: se o plenário não aceitar chapa única, como fica?",
questionou.
Reunião com líderes
Na entrevista concedida pouco depois de o Supremo encerrar a sessão que analisou os procedimentos adotados pela Câmara para o processo de afastamento da presidente Dilma Rousseff, Cunha disse que convocou para segunda-feira (21) uma reunião com os líderes partidários para discutir os próximos passos.
Na entrevista concedida pouco depois de o Supremo encerrar a sessão que analisou os procedimentos adotados pela Câmara para o processo de afastamento da presidente Dilma Rousseff, Cunha disse que convocou para segunda-feira (21) uma reunião com os líderes partidários para discutir os próximos passos.
Cunha listou uma série de itens
que, segundo ele, não ficaram claros no julgamento da Suprema Corte, mas que
ainda avalia se irá recorrer da decisão do tribunal para esclarecer esses
pontos.
O presidente da Câmara afirmou
que, na visão dele, não ficou esclarecido o que aconteceria caso a chapa
oficial – indicada pelos líderes partidários – fosse rejeitada, uma vez que a
decisão do Supremo determina que não tenha chapa alternativa.
Na avaliação de Eduardo Cunha, essas incertezas, de
certa forma, travam o andamento do processo de impeachment. Ele falou ainda que
não sabe se será realizada uma nova eleição para definir os integrantes da comissão
especial antes do recesso parlamentar, previsto para ter início a partir do dia
23.
Antes do julgamento, o
peemedebista chegou a dizer estar "absolutamente seguro" sobre os
trâmites que elegeu a chapa alternativa por voto secreto.
Questionado sobre se sentia
frustrado, o presidente da Câmara negou e afirmou estar "muito
tranquilo". "Não estou frustrado, estou muito tranquilo. O debate foi
acalorado. A questão do voto secreto foi decidido com voto de minerva",
afirmou.
A decisão do Supremo
O STF também considerou inconstitucional a eleição, na semana passada, de uma "chapa alternativa", de maioria oposicionista, composta por 39 dos 65 deputados do colegiado. Para 7 dos 11 ministros, os deputados não poderiam lançar candidaturas avulsas.
O STF também considerou inconstitucional a eleição, na semana passada, de uma "chapa alternativa", de maioria oposicionista, composta por 39 dos 65 deputados do colegiado. Para 7 dos 11 ministros, os deputados não poderiam lançar candidaturas avulsas.
Por 6 votos a 5, o Supremo também
determinou que a eleição da comissão especial ocorra por votação aberta, ao
contrário do que ocorreu na eleição da chapa de oposição.
"Não há razão para que
aqueles que representam o povo possam, de alguma forma, atuar na sombra. Eles
precisam dizer a que vieram. Precisam expressar de maneira clara, para saber os
seus representados em que sentido estão atuando", sustentou o presidente
do STF, Ricardo Lewandowski, responsável por desempatar o placar.
Papel do Senado
No julgamento sobre o rito do impeachment, a Corte também decidiu reconhecer o poder do Senado de recusar a instauração do processo, mesmo após a Câmara aprovar, por ao menos 2/3 de seus membros (342 dos 513 deputados), a abertura do impeachment.
No julgamento sobre o rito do impeachment, a Corte também decidiu reconhecer o poder do Senado de recusar a instauração do processo, mesmo após a Câmara aprovar, por ao menos 2/3 de seus membros (342 dos 513 deputados), a abertura do impeachment.
Para 8 dos 11 ministros, que a
decisão dos deputados é uma "autorização", mas não uma
"determinação", que obrigaria os senadores a dar prosseguimento ao
caso. "Seria indigno a um órgão de estatura constitucional funcionar como
carimbador de papéis", disse o ministro Luís Roberto Barroso, que abriu a
divergência em defesa da tese.
Assim, somente se o processo for
recebido pelo Senado, por maioria simples (metade mais um, presentes 41 dos 81
senadores), a presidente da República ficará provisoriamente afastada do cargo,
por até 180 dias, até o julgamento final sobre o mandato. Para depor a
presidente em definitivo, serão necessários 2/3 dos votos (54 senadores).
Em seu voto, o relator da ação,
Luiz Edson Fachin, defendeu que a decisão da Câmara obrigava a instauração do
processo pelo Senado. Concordaram com esse entendimento os ministros Gilmar
Mendes e Dias Toffoli.
Defesa prévia e suspeição de
Cunha
As decisões sobre a escolha da comissão e sobre o papel do Senado coincidem com o que defendeu o PC do B, autor da ação que questionou regras seguidas pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para iniciar o impeachment.
As decisões sobre a escolha da comissão e sobre o papel do Senado coincidem com o que defendeu o PC do B, autor da ação que questionou regras seguidas pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para iniciar o impeachment.
Os ministros, porém, rejeitaram
outros pedidos do partido, como a necessidade de defesa prévia da presidente
antes do acolhimento da denúncia pelo presidente da Câmara; e também o
impedimento de Cunha em analisar o pedido, por suposta falta de imparcialidade.
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