Hospital do Câncer em Macaé desafogaria unidade da capital
Uma coisa já é certa: o diretor-geral do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o médico Luiz Antônio Santini, confirmou o interesse do órgão ligado ao Ministério da Saúde em instalar uma unidade hospitalar em Macaé.
Pode até parecer pouco, mas os contatos feitos ainda na semana passada aproveitam uma modificação pela qual o instituto está passando: a sua interiorização. E no vácuo desta alteração, o município pode receber um hospital especializado para doenças relacionadas ao câncer, evitando que estes pacientes sejam transferidos até o Rio de Janeiro. Isso, claro, se a burocracia ou vaidades políticas não atrapalharem os trâmites junto ao órgão.
A confirmação da vontade em trazer uma unidade para Macaé foi anunciada ainda antes do Carnaval por Santini. Ele se reuniu em seu gabinete, no 4º andar da sede do Inca - na capital fluminense -, junto ao vereador macaense Danilo Funke, ao deputado federal Chico D'Angelo e ao representante do Movimento Saúde para Todos na cidade, Moctezuma Pinto.
A ideia é que o município tenha um hospital do instituto, com profissionais capacitados pelo próprio governo federal, e que atenda a demanda não só da cidade - que é crescente na unidade da capital - como também dos municípios da região.
“Macaé seria um ponto estratégico no Estado”, explica o diretor-geral da autarquia federal. Com isso, se evita que pacientes continuem a passar horas dentro de uma ambulância, muitas vezes em jejum, para enfrentar uma fila no hospital do Rio de Janeiro. Assim, e ao mesmo tempo, a unidade macaense ajudaria a desafogar a unidade carioca. No caso do Hospital Regional do Inca, que seria instalado em Macaé, o gerenciamento ficaria entre o Ministério da Saúde e a Prefeitura, sendo que o Executivo municipal fica incumbido, de início, apenas em doar o terreno para a construção.
Óbitos de macaenses vêm aumentando
Porém, o encontro na sede do instituto na semana passada não contou com representantes da Prefeitura de Macaé. Segundo o vereador Danilo Funke, a Secretaria de Saúde foi convidada para a reunião. “Mesmo assim, comentei sobre a possibilidade de uma audiência pública sobre o assunto aqui em Macaé e o diretor do Inca se comprometeu a enviar um técnico para explicar como funciona este sistema”, conta o parlamentar. O Hospital Regional de Câncer inclui exames iniciais para diagnóstico precoce e combate na fase inicial da doença, incluindo cirurgias até de porte médio. O projeto, denominado Cacun, tem âmbito nacional e o credenciamento está em vigor, amparado em Lei Federal, desde 1999.
O Sistema Único de Saúde (SUS) também entra com recursos para a operação e manutenção da unidade hospitalar.
De acordo com dados oficiais do próprio Inca, obtidos por meio do sistema informatizado do SUS e expostos pelo diretor-geral do instituto, Macaé tem óbitos crescentes em decorrência de câncer na unidade do Inca na capital. Em função de leucemia, por exemplo, 29 macaenses ou moradores da cidade saíram do município para ser atendidos na capital e acabaram falecendo por lá nos últimos seis anos. Além disso, de 2001 para 2006, mais do que dobrou a quantidade de moradores de Macaé que faleceram em função de alguma neoplasia - ou tumor - no estômago.
“O objetivo, com o Hospital Regional na cidade, é diminuir o sofrimento destas pessoas que têm que se deslocar de um lado para o outro sob fortes dores”, lembra Funke. “E, como consequência, diminuir estes índices de óbito”, completa ele.
Há nove anos, morador vive debaixo de ponte de rodovia
Antônio Azevedo da Silva, ou Toninho da Geladeira. Assim é conhecido o técnico em elétrica de 50 anos de idade que vive sob uma ponte na Rodovia Amaral Peixoto, no bairro Engenho da Praia, em Macaé.
Toninho recebeu a visita do Secretário de Assistência Social na última quinta-feira
Ainda este ano, ele vai completar uma década vivendo no local, às margens do Canal Campos-Macaé. Sua casa não tem mais do que um improvisado de banheiro, uma pequena sala com um compensado de madeira fazendo às vezes de um mezanino - onde vive com mais uma mulher e uma criança.
Toninho, que ganha a vida consertando geladeiras, daí o apelido, conta que veio a Macaé em 1976. Servia o Exército e, naquela época, ganhava mais dinheiro. “Mas aí fiz umas coisas erradas, sabe como é”, explica ele, que chegou a morar na Barra e ter um comércio na Rua Silva Jardim. De qualquer forma, e apesar das dificuldades, Toninho é gente fina. “Camarada mesmo”, garante um amigo. Construiu à base de madeira de resto de empresas sua pequena casa sob a ponte e foi ficando por lá. Hoje, tem até antena para TV “com mais de 20 canais”, explica ele, e também luz elétrica, “mas nunca me mandaram a conta”, brinca.
No início da tarde da última quinta-feira, Toninho recebeu a visita da equipe da Secretaria de Assistência Social de Macaé.
O chefe da pasta, Julinho do Aeroporto, propôs a ele que se retirasse do local. A ideia, segundo o secretário, é levá-lo para algum condomínio residencial aos moldes do Bosque Azul. O motivo é bem simples: a família de Toninho da Geladeira está entre as mais de 300 que vivem às margens do Canal Macaé-Campos. E, como há famílias vivendo nestes pontos da cidade, não há como fazer a dragagem do canal. Resultado: quando chove, o canal sobe e aí é água para dentro das casas.
“Ele mora em um local público e numa área de risco”, explica o secretário. “Além disso, ninguém merece morar em baixo de uma ponte”, completa ele. Agora, a pasta da Assistência Social vai buscar outros braços da Prefeitura para realocar a família de Toninho. “O canal é uma artéria de escoamento de água e, para fazer sua dragagem, é necessário remover a população ribeirinha até para que as máquinas possam chegar aos pontos”, diz Julinho. Diante da casa de Toninho, há até pequenos peixes nas escuras águas do canal.
Casa treme com trânsito na estrada
E, além dos peixes à solta no canal, o técnico especialista em consertar geladeiras tem um galinheiro, dois porcos, muitos cachorros e um punhado de gatos. “Aqui tenho até água quente pois liguei uma resistência”, explica ele. Esta criatividade diante das dificuldades poderia até lhe conferir um outro apelido: MacGaiver. Um ventilador preso ao teto pode ser ligado da cama de Toninho num simples clique graças a alguns cabos elétricos interligados. “Eu me viro, rapaz”, brinca o próprio, enquanto mostra a sua casa. De qualquer forma, ele entende a situação e se mostrou disposto a deixar a área para ir a algum lugar mais seguro.
A casa de Toninho chega a tremer quando algum caminhão passa na ponte. E, durante o dia, o movimento é intenso principalmente com veículos de carga pesada das firmas dos bairros próximos. “À noite o barulho para um pouco”, conta o morador de área ribeirinha. “Estou disposto a receber ajuda, ela é sempre bem-vinda”, finaliza ele.
Sistema para facilitar verificação de infrações é implantado no município
De acordo com o Código Brasileiro de Trânsito, todo cidadão tem o direito de recorrer das notificações de infrações recebidas.
Em Macaé, a Junta Administrativa de Recursos de Infrações (Jari), órgão da Secretaria de Mobilidade Urbana, é o setor responsável pelo recebimento de recursos para verificação das multas de trânsito. A Secretaria está estruturando sistema para descentralizar o acesso, por parte do condutor, às imagens e vídeos das infrações cometidas, com o intuito de dar transparência e agilidade ao processo.
Somente em 2008, cerca de 4.700 protocolos foram recebidos pela Jari. Destes, 30% dos casos foram julgados a favor do condutor. O serviço realizado pela Jari é uma ferramenta para o condutor ter a oportunidade de recorrer da multa aplicada. Atualmente, a consulta e a entrada de recurso acontecem na Jari, que fica na Praça Washington Luiz. A meta é, com a estruturação e implantação do um novo sistema, possibilitar que a consulta às imagens das infrações ocorram em diferentes pontos da cidade.
O secretario de Mobilidade Urbana, Jorge Tavares Siqueira, explica a importância de se criar um sistema em que o próprio condutor possa ver as imagens e vídeos da infração cometida, facilitando a decisão e verificação quanto a validade da autuação.
“Buscamos com esta iniciativa estreitar o nosso relacionamento com o condutor e demonstrar que as multas são geradas a partir de situações de desrespeito às regras de trânsito. Com isso conseguiremos ainda desburocratizar o processo, evitando a entrada de recursos indevidos”, explicou.
O sistema, ainda em fase de elaboração, estará disponível para consulta em lan houses públicas da cidade e postos do Macaé Facilita, inclusive na região serrana. A entrada em recursos de infrações pode ser feita na Jari, que funciona na praça Washington Luiz, com atendimento de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.
Multas: saiba como recorrer
1º - Após receber a notificação de infração, entregue na residência pelos Correios, o usuário tem 15 dias para recorrer. É a chamada defesa prévia. Devem constar do recurso a justificativa da defesa e a fotocópia da CNH ou da permissão para dirigir, que deve ser entregue à Jari (Junta Administrativa de Recursos de Infração). Para isso, é preciso verificar o órgão que aplicou a multa, identificado no verso da notificação. Caso venha identificado Prefeitura Municipal de Macaé, o endereço para interposição de recurso é praça Washington Luiz, S/Nº, Centro. O telefone para mais informações (22) 2772-4055.
2º - Caso o proprietário do veículo (ou motorista) não entre com recurso na Junta de Defesa Prévia ou tenha sua apelação negada, ele receberá um auto de penalidade (a multa), onde constará a infração (com data, local e hora do cometimento), a identificação do veículo, o responsável pela multa e o valor. Neste caso ainda há duas possibilidade de recorrer.
3º - Em primeira instância, após o recebimento do auto de penalidade, os usuários têm 30 dias para recorrer à Jari. Nesta fase de recurso o usuário não precisa pagar a multa.
4º - Se o recurso não for julgado em 30 dias pela Jari, os efeitos da multa são suspensos até o fim do processo e o usuário poderá fazer a vistoria. Em segunda instância, caso o recurso seja negado pela Jari, o motorista tem um prazo de 30 dias para apelar ao Cetran (Conselho Estadual de Trânsito). Para entrar com recurso no Cetran, entretanto, é necessário pagar a multa.
Prefeito de Casimiro revê contratos e reduz custos
O encontro aconteceu em seu gabinete e contou ainda com a participação de alguns secretários. Assuntos como redução de custos, pedágio da BR-101, queda na arrecadação dos royalties, saúde, turismo, esgotamento sanitário, falta d´água, carnaval, transporte e funcionalismo público foram debatidos com tranqüilidade pelo novo chefe do Executivo e sua equipe.
Desde o dia 6 de outubro, quando Antonio Marcos foi eleito, a população anseia por mudanças imediatas. No entanto, o novo prefeito assume num momento de grave crise econômica e tem uma queda de 30% no repasse dos royalties. Problema enfrentado por todos os municípios da região que dependem dessa arrecadação, já que boa parte de seus orçamentos é proveniente da verba compensatória pelos impactos da exploração de petróleo. Mas, com a crise, as prefeituras tiveram que frear os investimentos e traçar prioridades.
Além dessa redução no valor dos royalties, as cidades da Bacia de Campos ainda correm o risco de terem que dividir a verba com outros municípios brasileiros. As discussões sobre a redistribuição dos royalties já estão fervendo em Brasília, onde a pressão aumenta a cada dia. Antonio Marcos está apostando que as coisas melhorem no segundo semestre do ano e também está somando forças com os municípios vizinhos para garantir a manutenção dos royalties na região.
Apesar do otimismo, Antonio Marcos afirmou que pode ter que rever o planejamento e as propostas para Casimiro de Abreu, definindo prioridades. Ele ressaltou que o importante para diminuir a dependência dos royalties é transformar o turismo na principal atividade geradora de renda para a população.
Ele citou como exemplo a cidade de Rio das Ostras, que conseguiu se estruturar e definir sua vocação turística. “O turismo será nosso carro chefe. Para isso, é preciso estruturar a cidade e investir no turismo cultural e ecológico”, falou.
Enquanto isso, Antonio Marcos está arrumando a casa e terminando de formar sua equipe. Uma das primeiras iniciativas frente a crise foi cortar gastos. Muitos contratos não foram renovados e outros tiveram seu custo reduzido. Um dos números que mais impressionou foi a economia de cerca de R$ 5 milhões no abastecimento de gasolina e gás. “Foi no fornecimento de combustível que encontramos o maior desvio de verba no município. No ano passado, a prefeitura gastou R$ 6 milhões. Para este ano, estimamos que não devemos passar de R$ 1 milhão”, informou Antonio.
Um calo no pé do prefeito é o problema da saúde pública, como a precariedade do Hospital Regional de Barra de São João e a falta de médicos no Hospital Municipal na sede do município. Sobre a unidade do segundo distrito, o prefeito deixou claro que vai enfrentar um problemão, já que, segundo Antonio Marcos, o Governo do Estado quer passar a responsabilidade do hospital para a prefeitura. “Isso é inviável com o orçamento que a gente tem”, falou.
0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!