A mulher do parque: o eco de um amor que o tempo não apagou | Rio das Ostras Jornal

M

A mulher do parque: o eco de um amor que o tempo não apagou

A mulher do parque: o eco de um amor que o tempo não apagou

Em uma tarde ensolarada, em um parque que poderia ser em qualquer canto da Região dos Lagos, a simples observação de uma mulher desconhecida despertou no narrador profundas memórias de um amor antigo e não declarado. Batizada por ele de Maria Tereza, a figura presente trazia consigo a essência de um passado que parecia ter terminado há muito tempo, mas que ainda ecoava em seu interior.

A semelhança entre a mulher do parque e a amada de outrora, cujos cabelos descuidados e o riso pensativo se repetiam, levou o narrador a uma introspecção sobre a coragem de expressar sentimentos. Ele se viu confrontado com a lembrança de um amor silenciado, onde o perfume, o direito do olhar e a imaginação foram os únicos veículos de um afeto que nunca foi verbalizado.

O reencontro imaginário e a Maria Tereza do parque

A mulher no parque, com seus desalinhos e a forma como ria entre pensamentos, capturava a atenção do narrador. Havia nela um mistério, um jeito de sentar na vida e um riso debochado que o atraíam. Ele observava o trocar nervoso do cruzar das pernas, o deitar a cabeça no nada para olhar o céu, o observar uma criança que passava. A vida, assim como a criança, passava rapidamente, e a Maria Tereza do passado já não era a mesma, nem ele sabia mais nada dela.

A admiração se estendia ao livro que ela tirava da bolsa, um objeto que, para ele, carregava tanto de vida e de passado. Em meio a essa observação discreta, ele notava outros detalhes do parque: uma senhora, um homem com seu cachorro que se parecia com ele, um pipoqueiro. Um ímpeto de comprar duas pipocas, uma para ela, outra para si, e apenas oferecer, esperando um sorriso, revelava o desejo de uma conexão que, no passado, faltou.

A Maria Tereza do passado: um amor silenciado

A Maria Tereza que ele amou, a do passado, sempre amou outros. Em suas tentativas de aproximação, de revelar o que o pensamento guardava por medo do "dizer" dela, ele encontrou apenas amizade. Essa falta de coragem para falar o que sentia se tornou uma marca, uma ferida que o tempo não cicatrizou completamente.

Ele recordava que a Maria Tereza de seu passado gostava de comer milho na festa de Santo Antônio, o santo casamenteiro. Um pedido feito ao santo, mas com a consciência de que até a ajuda divina esperava uma atitude de quem a buscava. A quentura do dia, boa apenas para o milho virar pipoca por um tempo, antes de queimar e virar nada, servia como metáfora para as oportunidades perdidas.

Reflexões sobre coragem e o tempo que passa

A mulher do parque, a "nova" Maria Tereza, se levantava para ir embora. A melodia triste e bonita de Piaf, cantada por outra mulher, preenchia o ar. Um casal de velhos, de mãos dadas, se aproximava, levando o narrador a questionar se ainda se amavam como no início. Antes de partir, a mulher do parque sorriu para ele, um sorriso que revelava um entendimento silencioso.

Essa troca de olhares e o sorriso final confirmavam que ela sabia de sua observação, talvez até de seus sentimentos não ditos. Contudo, a coragem para iniciar um "dizer" ainda lhe faltava. Acostumado a guardar os sentimentos para dentro, ele questionava a necessidade de mudar. A Maria Tereza do passado, com seu cabelo molhado, permanecia em sua memória, um sentimento sagrado guardado na eternidade da permanência em si. Para entender mais sobre o gênero literário da crônica, clique aqui.

O Rio das Ostras Jornal valoriza a reflexão sobre as emoções humanas e as histórias que moldam nossas vidas.

Postar no Google +

About Redação

This is a short description in the author block about the author. You edit it by entering text in the "Biographical Info" field in the user admin panel.
    Blogger Comment
    Facebook Comment

0 comentários:

Postar um comentário

Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!

Publicidade