Rio das Ostras precisa sair do discurso e cuidar das ruas | Rio das Ostras Jornal

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Rio das Ostras precisa sair do discurso e cuidar das ruas

Rio das Ostras está vivendo um momento em que já não basta apenas falar sobre crescimento, desenvolvimento e qualidade de vida. É preciso olhar para aquilo que o cidadão encontra quando sai de casa todos os dias.

Nas últimas semanas, o Rio das Ostras Jornal vem recebendo reclamações e registros de moradores mostrando ruas esburacadas, pontos de alagamento, pavimentação deteriorada e problemas que se tornam ainda mais evidentes depois das chuvas. Em alguns locais, a quantidade de buracos é tamanha que as ruas parecem um verdadeiro “queijo suíço”.

Não estamos falando apenas de estética urbana. Estamos falando de mobilidade, segurança e dignidade. Quando uma rua fica praticamente intransitável depois de uma chuva, quem sofre é o morador. É o trabalhador que precisa chegar ao emprego, o estudante que precisa ir à escola, o motorista que danifica o veículo, o motociclista que enfrenta riscos e o pedestre que muitas vezes precisa disputar espaço com os carros.

O problema não está somente no asfalto

A situação vai além dos buracos provocados ou agravados pelas chuvas.

Há reclamações sobre ruas de paralelepípedos com peças fora do lugar, bueiros e caixas de captação de água obstruídos ou sem manutenção adequada, estruturas de esgoto que apresentam problemas e sujeira acumulada em diferentes pontos da cidade.

Quando os sistemas de drenagem não funcionam adequadamente, a água encontra seu caminho pelas ruas. E quando encontra um pavimento já deteriorado, o resultado é conhecido: mais erosão, mais buracos e mais dificuldades para quem precisa circular.

É uma cadeia de problemas que precisa ser enfrentada de maneira planejada.

Não adianta simplesmente tapar um buraco hoje para que ele volte a aparecer amanhã. É necessário identificar a origem do problema, verificar a drenagem, recuperar a base da via quando necessário e realizar manutenção preventiva.

Os bairros também fazem parte de Rio das Ostras

Existe outra questão que precisa ser discutida com seriedade: a cidade não termina no Centro.

Rio das Ostras é formada por dezenas de bairros, e quem mora distante das áreas centrais também paga impostos, trabalha, estuda, utiliza os serviços públicos e tem o mesmo direito a ruas conservadas, limpeza urbana, saúde, iluminação, drenagem e infraestrutura.

É justamente nos bairros que muitas vezes o poder público precisa estar mais presente.

A sensação relatada por parte dos moradores é de que determinados problemas permanecem durante muito tempo sem solução. E quando a população começa a gravar vídeos, fotografar ruas e encaminhar reclamações para veículos de comunicação, isso deve ser encarado como um sinal de alerta para a administração municipal.

A população está falando — e o poder público precisa ouvir

Nas redes sociais, as críticas ao governo municipal também vêm aumentando. Saúde, obras, conservação das ruas, limpeza e manutenção urbana aparecem entre os assuntos que provocam manifestações de moradores.

O Rio das Ostras Jornal não está afirmando que todas as pessoas pensam da mesma maneira. Mas também não podemos ignorar aquilo que está sendo apresentado publicamente por moradores e aquilo que chega diariamente à nossa redação.

Quando diferentes pessoas, de diferentes bairros, começam a apresentar problemas semelhantes, existe uma pergunta que precisa ser feita:

O governo municipal está conseguindo acompanhar as necessidades reais da cidade?

Essa resposta cabe ao prefeito Carlos Augusto e à sua equipe.

E não se trata de uma questão partidária. É uma questão de administração pública.

E o 7 de Setembro?

O retorno do desfile cívico-militar de 7 de Setembro em Rio das Ostras acontece justamente em um momento em que a população também demonstra vontade de participar mais ativamente da discussão sobre a cidade.

Um desfile é uma celebração cívica. É um momento de encontro, de demonstração de patriotismo e de participação da comunidade.

Mas uma cidade também se manifesta quando seus moradores levantam a voz para reivindicar aquilo que consideram necessário.

Se durante o desfile surgirem manifestações de moradores cobrando melhorias nas ruas, na saúde, na infraestrutura e nos serviços públicos, isso também faz parte da democracia.

A população não precisa ser contra o desfile. Tampouco precisa ser contra a Prefeitura.

Ela simplesmente tem o direito de dizer: “Nós estamos aqui. Também queremos ser ouvidos.”

Prefeito, a cidade precisa de respostas

Carlos Augusto tem diante de si uma responsabilidade importante.

A população não espera que todos os problemas de Rio das Ostras sejam resolvidos de uma hora para outra. O que o cidadão espera é planejamento, prioridade, presença do poder público e resposta.

Se uma rua está cheia de buracos, que se diga quando será recuperada.

Se um bueiro está obstruído, que seja feita a limpeza.

Se existe problema de drenagem, que seja apresentado um projeto para solucioná-lo.

Se determinado bairro está fora do cronograma de manutenção, que a população saiba quando o serviço chegará.

Transparência também é uma forma de respeito ao cidadão.

O Rio das Ostras Jornal vai continuar mostrando

Nosso papel não é substituir a Prefeitura, nem executar obras.

Nosso papel é mostrar aquilo que acontece na cidade, ouvir o morador, questionar as autoridades e cobrar respostas.

E é exatamente isso que continuaremos fazendo.

Os vídeos enviados à redação são apenas uma parte do que estamos recebendo. Novos registros podem chegar. Novas ruas poderão ser mostradas. Novas reclamações serão apuradas.

E cada problema apresentado será tratado jornalisticamente, com espaço para que o poder público também explique o que está acontecendo e quais providências pretende adotar.

Porque Rio das Ostras merece mais do que ruas que parecem um “queijo suíço” depois da chuva.

Merece planejamento.

Merece manutenção.

Merece infraestrutura.

E, acima de tudo, merece uma administração pública que esteja presente onde a população está: nos bairros, nas ruas e na vida real da cidade.

Esta não é uma guerra contra ninguém. É uma cobrança em nome de quem vive Rio das Ostras.


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