
Um incidente grave chocou a cidade de Niterói, na Região Metropolitana do Rio, no último sábado, quando o pizzaiolo Danilo Jander Francisco Alves, de 26 anos, foi baleado na cabeça por um policial militar durante uma abordagem. A família do jovem, que permanece em estado grave, contesta veementemente a versão apresentada pela PM, que alega disparo acidental e desobediência do motociclista.
As imagens de câmeras de segurança, obtidas pelo GLOBO, mostram a sequência rápida e tensa da ocorrência na Rua Mariz e Barros, em Icaraí. Em apenas cinco segundos, Danilo, que seguia para o trabalho, é abordado por dois policiais em motocicletas. Um dos agentes lança spray de pimenta, e o outro, quase imediatamente, efetua um disparo que atinge o jovem na cabeça, derrubando-o da moto. Cerca de 20 minutos depois, o Corpo de Bombeiros chegou ao local para socorrer a vítima.
Contradições e o relato da família
O pai de Danilo, o professor de educação física Jander Luiz de Souza Alves, refuta a tese de disparo involuntário. “Não teve nada de sem querer, não. Ele tentou matar meu filho mesmo”, desabafou Jander, que acompanhava o filho no Hospital Estadual Azevedo Lima, no Fonseca, onde Danilo passava por exames para verificar a atividade cerebral. A família faz um apelo para que Danilo não seja estigmatizado como criminososo, destacando seu histórico de trabalhador.
Jander também questiona a descrição da condução da moto feita pelos policiais. Ele afirma que o filho era habilitado, o veículo estava regular e foi devolvido à família após a perícia. “Não tinha como ele fazer isso numa via que tem muita movimentação de carros. Mesmo assim, isso não justificaria um tiro na cabeça. Ele estava de capacete, que agora está em casa com o furo da bala”, relatou o pai, mencionando que a mochila do filho continha apenas uma garrafa de café e uma peça de roupa.
Uma testemunha ouvida pela Polícia Civil corrobora a versão da família, afirmando que Danilo já havia parado a motocicleta e levantado as mãos antes de ser atingido pelo spray de pimenta e, em seguida, pelo tiro. A testemunha não percebeu qualquer atitude suspeita por parte do motociclista, que é morador do bairro Gradim, em São Gonçalo, e trabalhava em uma franquia de sushi na mesma rua do incidente.
A versão da Polícia Militar e a investigação
Os policiais envolvidos, um sargento do Batalhão de Choque (que atuava no Niterói Presente) e outro do Batalhão Tático de Motocicletas (BTM), prestaram depoimento à Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI). Eles alegaram que Danilo teria avançado um sinal vermelho em alta velocidade e empinado a moto durante uma tentativa de fuga, desobedecendo a uma ordem de parada. O sargento que efetuou o disparo afirmou que a arma disparou involuntariamente ao desembarcar da motocicleta, após ver o rapaz levar uma das mãos em direção à cintura. O colega de farda, no entanto, não confirmou ter visto esse movimento.
Após o tiro, os policiais revistaram Danilo e não encontraram nenhum objeto ilícito. Eles relataram que, com a aglomeração de moradores, usaram spray de pimenta para afastar a multidão. O Segurança Presente, sob comando da Secretaria de Polícia Militar, informou que o militar responsável pelo disparo foi preso e levado para uma unidade prisional da corporação. A Corregedoria da PM instaurou um procedimento para investigar as circunstâncias do caso.
A DHNSGI segue com a investigação, ouvindo testemunhas e analisando as imagens das câmeras de segurança para esclarecer a dinâmica da perseguição, da abordagem e do disparo que deixou o jovem em estado grave. O caso levanta sérias questões sobre o protocolo de abordagens e o uso da força policial na Região dos Lagos e no Norte Fluminense.
O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso.
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