Mobilidade Urbana: quando o debate começa a transformar o futuro de Rio das Ostras | Rio das Ostras Jornal

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Mobilidade Urbana: quando o debate começa a transformar o futuro de Rio das Ostras


Participar do 3º Fórum Municipal de Mobilidade Urbana Sustentável, realizado na última quarta-feira, dia 9 de setembro, foi mais do que acompanhar palestras e debates. Foi testemunhar uma cidade que começa a olhar para a própria mobilidade com mais atenção, responsabilidade e, principalmente, com vontade de construir um futuro melhor.

O Fórum colocou frente a frente especialistas, gestores, representantes de entidades e moradores para discutir um dos maiores desafios de Rio das Ostras: como garantir que uma cidade que cresceu rapidamente possa oferecer deslocamentos mais seguros, acessíveis, organizados e sustentáveis para todos.

E esse “para todos” precisa ser levado ao pé da letra. Mobilidade urbana não pode ser pensada apenas para quem dirige um automóvel. Ela precisa considerar o pedestre, o ciclista, o usuário do transporte público, a pessoa com deficiência, a pessoa idosa, quem possui mobilidade reduzida e também aqueles que utilizam os novos modais elétricos como alternativa para conquistar autonomia.

Foi justamente essa diversidade que tornou o Fórum tão importante. A população participou, fez perguntas, apresentou questionamentos e ouviu respostas claras e objetivas dos palestrantes. O debate deixou de ser uma conversa restrita aos especialistas e passou a envolver quem vive diariamente os problemas e as dificuldades de circular pela cidade.

Um agradecimento a quem ajudou a construir o debate

É preciso reconhecer o trabalho dos coordenadores do Fórum e a contribuição de cada um dos palestrantes. Zuleica Monção Zanuzzio e Rivail Gripp trouxeram conhecimento, experiência e reflexões importantes para uma discussão que precisa continuar muito além das paredes da Câmara Municipal.

Rivail Gripp, que há anos participa das discussões relacionadas à mobilidade urbana de Rio das Ostras, representa também uma trajetória de construção coletiva. O Município já possui uma base importante para avançar: o Plano de Diretrizes para a Mobilidade Urbana de Rio das Ostras, instituído pela Lei nº 2.831/2023, estabelece diretrizes para pedestres, ciclistas, transporte coletivo, acessibilidade e integração dos diferentes modos de deslocamento.

Também merece destaque Zuleica Monção Zanuzzio, pela participação e contribuição no debate, assim como todos aqueles que aceitaram compartilhar conhecimento e responder às dúvidas apresentadas pela população.

E a Ruchester Marreiros Barbosa, especialista em Direito Penal e Processo Penal, que ministrou a palestra O Papel do Transporte Limpo na Política Nacional de Mobilidade Urbana de acordo com Lei Federal nº 12.587/2012.

Mas há uma apresentação que, particularmente, merece ser destacada: o Projeto Mobility Park, apresentado por Jedaias Neves de Nascimento, presidente da Associação de Mobilidade Elétrica de Rio das Ostras, a AME.

Mobility Park: educar hoje para transformar amanhã

O Projeto Mobility Park apresenta uma visão que vai muito além da implantação de novos modais e de uma infraestrutura voltada à mobilidade elétrica. A proposta envolve mobilidade ativa, educação para o trânsito, educação ambiental, segurança viária, pesquisa, inovação e desenvolvimento sustentável. Esses são, inclusive, alguns dos eixos oficialmente associados ao projeto previsto para a Lagoa de Iriry.

Mas existe um aspecto que considero especialmente importante: a capacidade de educar as crianças.

Uma criança que aprende desde cedo a respeitar o pedestre, compreender a sinalização, utilizar corretamente os espaços destinados a cada modal e perceber que a rua é um espaço compartilhado pode levar esse conhecimento para dentro de casa.

Ela conversa com os pais. Orienta os irmãos. Compartilha aquilo que aprendeu. E, dessa maneira, a educação para o trânsito deixa de ficar restrita à sala de aula ou a uma campanha eventual e começa a se multiplicar pela própria família.

É uma ideia simples, mas extremamente poderosa: educar uma criança pode significar educar uma família inteira.

E famílias educadas para o trânsito ajudam a construir uma sociedade mais consciente.

Mobilidade também é acessibilidade, autonomia e dignidade

Para as pessoas com deficiência e para quem possui mobilidade reduzida, a discussão sobre mobilidade urbana tem um significado ainda maior.

Uma calçada sem condições de circulação pode representar uma barreira intransponível. Uma travessia insegura pode significar risco. Um ponto de ônibus sem acessibilidade pode impedir uma viagem. Uma vaga reservada ocupada irregularmente pode impedir o acesso a um serviço. Uma sinalização inadequada pode transformar um deslocamento simples em uma verdadeira prova de obstáculos.

Por isso, falar em mobilidade é falar em autonomia.

O próprio PDMURO estabelece como diretriz a oferta de vias de qualidade para a circulação de pedestres, com pavimentação, iluminação, sinalização e adaptação para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida. Também prevê a criação de uma rede de calçadas conectando os principais polos de deslocamento e a melhoria do transporte coletivo, incluindo pontos e abrigos acessíveis.

Rio das Ostras também possui iniciativas importantes que precisam ser fortalecidas e integradas. O Município mantém transporte escolar adaptado destinado a alunos com dificuldade de locomoção, incluindo pessoas com deficiência e mobilidade reduzida.

São conquistas importantes. Mas mobilidade acessível não pode terminar no transporte escolar ou em determinados equipamentos públicos. Ela precisa acompanhar a pessoa durante todo o seu deslocamento pela cidade.

Uma cidade acessível precisa funcionar no caminho inteiro

Não adianta ter um equipamento acessível se o caminho até ele não é.

Não adianta ter transporte adaptado se a calçada que leva até o ponto de embarque é inacessível.

Não adianta construir uma rampa se ela termina diante de um obstáculo.

Não adianta criar uma vaga reservada se não existe fiscalização capaz de garantir seu uso correto.

A acessibilidade precisa ser pensada como uma cadeia. Se um elo falha, todo o sistema pode deixar de funcionar.

E é justamente aí que o debate realizado no Fórum ganha importância.

Rio das Ostras precisa avançar na padronização e recuperação das calçadas, nas travessias seguras, na sinalização, no piso tátil, na acessibilidade dos prédios públicos, na melhoria dos pontos de transporte coletivo e na eliminação das barreiras que ainda dificultam a vida de milhares de pessoas.

Ao mesmo tempo, precisa avançar na construção de uma malha cicloviária realmente conectada e segura. O PDMURO já estabelece a criação de uma malha cicloviária e sua integração com o transporte público.

Os novos modais também precisam de espaço, regra e educação

Outro ponto que merece atenção é o crescimento dos veículos elétricos.

Rio das Ostras está diante de uma transformação que não pode ser ignorada. Bicicletas elétricas, motos elétricas e outros veículos de mobilidade individual já fazem parte da realidade das ruas.

A Lei Municipal nº 3.198/2026, que instituiu o Programa Mobilidade Segura, estabelece diretrizes para o uso seguro e responsável das bicicletas elétricas.

Isso mostra que o Município já começou a enfrentar o tema.

Agora precisamos avançar para uma política que combine regulamentação, infraestrutura, educação e fiscalização.

Fiscalizar é necessário. Mas educar também é.

Antes da punição, é fundamental que o usuário conheça as regras, compreenda onde pode circular e saiba quais são suas responsabilidades.

E a fiscalização dos novos modais precisa ser técnica, transparente e baseada em critérios claros, permitindo que o cidadão saiba exatamente o que está sendo fiscalizado e por quê.

Não podemos simplesmente colocar um novo modal nas ruas e esperar que tudo se resolva sozinho. Da mesma maneira, não podemos tratar toda inovação como problema.

Precisamos encontrar o equilíbrio.

Uma cidade que nasceu de uma aldeia de pescadores pode se tornar referência

Rio das Ostras cresceu muito. Aquela cidade que nasceu de uma pequena aldeia de pescadores transformou-se em um Município com uma população muito maior, novas necessidades e uma circulação urbana cada vez mais complexa.

O problema é que o crescimento da cidade nem sempre foi acompanhado pela infraestrutura viária necessária.

E essa realidade está diante dos nossos olhos.

Temos ruas que precisam ser requalificadas, calçadas que ainda não oferecem condições adequadas de circulação, dificuldades para pedestres e pessoas com deficiência, necessidade de ampliar e conectar estruturas cicloviárias e desafios relacionados ao transporte público e aos novos modais.

Mas não acredito que isso deva nos fazer perder a esperança.

Muito pelo contrário.

A existência de um plano de mobilidade, de legislação específica, de um Conselho Gestor, de uma Comissão Multidisciplinar, de fóruns de discussão, de entidades da sociedade civil e de pessoas dispostas a participar mostra que existe um caminho sendo construído. O Conselho Gestor de Mobilidade Urbana foi criado justamente para acompanhar, avaliar, monitorar e colaborar com a implementação do PDMURO.

Agora precisamos transformar planejamento em execução.

O sonho de uma cidade modelo começa com decisões concretas

Talvez sonhar com uma Rio das Ostras modelo em mobilidade urbana pareça, neste momento, um sonho distante.

Eu prefiro pensar diferente.

Todo grande projeto começa com uma ideia.

Depois vem o debate.

Depois vêm as propostas.

Depois, o planejamento.

E finalmente, a execução.

O 3º Fórum mostrou que temos pessoas capazes de discutir o assunto, especialistas dispostos a contribuir, gestores públicos envolvidos, entidades da sociedade civil participando e, principalmente, uma população que quer ser ouvida.

Esse talvez seja o maior resultado do Fórum.

A cidade participou.

Perguntou.

Questionou.

Ouviu.

E debateu.

Agora precisamos dar o próximo passo: fazer com que essas discussões se transformem em ações acompanháveis pela população.

Precisamos continuar cobrando calçadas acessíveis, transporte público adequado, segurança para pedestres e ciclistas, infraestrutura para os novos modais, educação para o trânsito e fiscalização eficiente.

Precisamos também garantir que a pessoa com deficiência não seja lembrada somente quando se fala de acessibilidade.

Ela precisa estar presente desde o início do planejamento.

Porque uma cidade verdadeiramente acessível não é aquela que cria soluções especiais para algumas pessoas.

É aquela que planeja seus espaços para que todas as pessoas possam viver, circular e participar da cidade com autonomia.

Gratidão e esperança

Quero deixar meu agradecimento aos coordenadores do 3º Fórum Municipal de Mobilidade Urbana Sustentável, aos palestrantes Zuleica Monção Zanuzzio e Rivail Gripp, a Jedaias Neves de Nascimento pela apresentação do Projeto Mobility Park, aos secretários envolvidos nas discussões de mobilidade e segurança, aos gestores públicos, vereadores, representantes das entidades e a todos que contribuíram para a realização do encontro.

Um agradecimento especial às pessoas com deficiência que participaram e ajudaram a colocar a acessibilidade no centro do debate.

E, acima de tudo, agradeço à população que compareceu, perguntou, questionou e demonstrou que quer participar da construção do futuro de Rio das Ostras.

Tenho certeza de que estamos no caminho certo.

Talvez ainda tenhamos um longo percurso pela frente. Talvez os resultados não apareçam na velocidade que desejamos.

Mas uma coisa é certa: a esperança não pode ser perdida.

Rio das Ostras pode, sim, construir uma mobilidade urbana mais humana, acessível, segura e sustentável.

Pode transformar suas dificuldades em desafios e seus desafios em soluções.

Pode fazer com que uma cidade que nasceu de uma aldeia de pescadores se transforme, com planejamento, participação popular e vontade política, em uma cidade modelo de mobilidade.

Pode parecer um sonho.

Mas todos os grandes avanços começaram assim.

Com alguém acreditando que era possível.

E eu acredito.

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