01/09/2026

Magnum mira em sorvete como snack e aposta em parcerias para crescer no Brasil

Magnum mira em sorvete como snack e aposta em parcerias para crescer no Brasil
Imagem gerada com IA

A The Magnum Ice Cream Company, gigante global do setor de sorvetes, está redefinindo sua estratégia para o mercado brasileiro, com o objetivo ambicioso de transformar o sorvete em um item de consumo mais frequente, quase um snack. À frente dessa missão está Carolina Mega, Head de Marketing da empresa, que assumiu o cargo no final de 2025, após a separação da Unilever. Com vasta experiência em empresas como Mercado Livre e BRF, Carolina traz um olhar focado em dados e inovação para impulsionar a penetração do produto no país, que atualmente atinge apenas 45% dos consumidores, incluindo os da Região dos Lagos e Norte Fluminense.

Em entrevista exclusiva à Forbes, Carolina detalhou os projetos dos últimos 10 meses e os planos para o verão de 2027, que para a empresa começa já em setembro. A executiva vê um futuro promissor para o mercado de sorvetes no Brasil, onde a estratégia de collabs – parcerias com outras marcas – se mostra fundamental para desenvolver e lançar produtos que ressoem com o paladar e as preferências locais, alcançando consumidores em cidades como Rio das Ostras e Macaé.

Magnum se torna independente e foca em especialização

A separação da Unilever e o surgimento da The Magnum Ice Cream Company como uma entidade 100% independente foi uma estratégia para focar em uma categoria muito específica. Sorvete, com sua cadeia congelada e resfriada única, exige investimento e foco para crescer, algo que a Unilever, com suas diversas categorias, não podia oferecer da mesma forma. Para Carolina Mega, foi uma relação ganha-ganha, beneficiando tanto o negócio de sorvetes quanto a própria Unilever. Após o IPO nas bolsas de Nova York, Londres e Amsterdã, a Magnum se consolidou como a maior empresa de sorvetes do mundo, com um faturamento global de 7,9 bilhões de euros em 2025.

A nova empresa conta com 30 fábricas, 12 centros de P&D e 16.500 colaboradores globalmente. No Brasil, a operação é robusta, com mais de 80 mil freezers espalhados pelo país e 1.000 colaboradores. A transição não impactou clientes ou consumidores, mantendo o portfólio e, em muitos casos, as equipes de atendimento. O grande benefício, segundo a Head de Marketing, é a especialização. A liberdade de adaptar processos e inovar de forma mais ágil, focando na expertise em sorvetes, é um dos pilares da nova cultura da empresa, que busca equilibrar consistência e inovação.

Paladar brasileiro e a força das collabs

O consumidor brasileiro possui um paladar distinto, com forte inclinação para o doce. Produtos com chocolate, por exemplo, são frequentemente mais adocicados no Brasil do que em outros mercados internacionais. Além disso, há uma grande abertura para sabores de frutas, tornando linhas como Fruttare essenciais para a Magnum. A estratégia da empresa é um “pick and build”, onde conceitos globais são adaptados e novos produtos são desenvolvidos localmente para atender às preferências nacionais, buscando a refrescância que muitos brasileiros procuram.

As collabs são definidas por três camadas estratégicas: os valores que as marcas compartilham, o momento da parceria e como ela contribui para o posicionamento da Magnum. A parceria com a Ambev para o picolé de Guaraná é um exemplo notável. Lançado durante a Copa do Mundo, o produto explorou a memória afetiva e a nostalgia, um fator importante para mais de 50% dos consumidores da Kibon, marca que completa 85 anos. O picolé, que precisou ser desenvolvido sem acesso à fórmula secreta do refrigerante, gerou uma divulgação espontânea massiva e um aumento na produção planejada, evidenciando o poder da conexão emocional com o público da Costa do Sol e de todo o Interior do RJ.

Inovação em marketing e o universo Harry Potter

A Magnum também inovou em suas estratégias de marketing digital. Durante a Copa do Mundo, a empresa transformou figurinhas de WhatsApp em mídia, criando figurinhas proprietárias da Kibon com a temática do evento. Ao clicar na figurinha “Cornetto”, os usuários recebiam um cupom para usar no iFood. Essa ação pioneira, que gerou demanda e conversa, mostrou o potencial de um ecossistema de marcas (Kibon, Ambev, iFood e creators) para criar diferenciação no mercado.

Outra colaboração de sucesso foi com a Warner, resultando em uma linha de sorvetes inspirada no universo de Harry Potter. A escolha se deu pela descoberta de que o Brasil é o segundo maior mercado de fãs da saga no mundo, atrás apenas da Inglaterra. O projeto, totalmente desenvolvido no Brasil, lançou picolés baseados nas casas Grifinória e Sonserina, além de um sabor inspirado no Expecto Patronum, que se tornou o mais vendido da linha. A Warner forneceu um guia de cores e sabores para cada casa, garantindo a autenticidade da experiência para os fãs. O sucesso da linha gerou grande engajamento e conversas nas redes sociais, mostrando o potencial de entrar no território da cultura pop e do entretenimento para alcançar novos públicos.

O Rio das Ostras Jornal acompanha as tendências de consumo que chegam à Região dos Lagos.

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