
Uma análise recente em São Paulo revelou que a vacina Qdenga, do laboratório Takeda, oferece alta proteção contra hospitalizações por dengue em adolescentes de 10 a 15 anos. O estudo, que acompanhou as epidemias de 2024 e 2025, mostrou que o imunizante mantém sua efetividade mesmo após a aplicação de apenas uma dose, um dado relevante para a saúde pública em Rio das Ostras, Macaé e toda a Região dos Lagos.
A pesquisa representa a fase 4 de testes da vacina, avaliando seu desempenho em condições de vida real e com uma amostra muito maior de participantes. Os resultados indicam que a Qdenga não só protegeu contra casos sintomáticos da doença, mas também contra a necessidade de internação, um dos maiores desafios durante os surtos de dengue que afetam o Interior do RJ.
Alta Proteção Confirmada em Condições Reais
O levantamento analisou 166.390 testes de dengue realizados em adolescentes entre fevereiro de 2024 e dezembro de 2025. Desses, mais de 65 mil foram positivos. Ao correlacionar esses dados com os registros de vacinação, os pesquisadores estimaram a efetividade da Qdenga em um cenário real. Para quem recebeu as duas doses recomendadas, a proteção contra a dengue sintomática foi de 73,1%, e contra hospitalização, impressionantes 87,9%.
O dado mais surpreendente, no entanto, foi a proteção observada com apenas uma dose. Nesses casos, a efetividade contra a doença sintomática foi de 59,2%, e contra hospitalização, 74,6%. Contrariando análises anteriores que sugeriam uma queda na proteção após 90 dias, o estudo atual não encontrou evidências dessa redução, com a efetividade se mantendo alta mesmo após um ano da primeira aplicação.
O pesquisador Julio Croda, um dos autores do estudo, ressalta a importância dessas análises pós-registro. Segundo ele, ensaios clínicos iniciais, com amostras menores, não conseguem captar a totalidade dos benefícios, como a proteção contra hospitalizações e efeitos adversos raros. A pesquisa atual, com mais de 166 mil testes, oferece uma precisão muito maior nas estimativas.
Implicações para o Futuro da Vacinação na Costa do Sol
Apesar dos resultados promissores com uma única dose, os pesquisadores enfatizam que o esquema completo de duas doses continua sendo o recomendado. O estudo não foi desenhado para comparar diretamente as estratégias de uma ou duas doses, e a segunda aplicação ainda demonstrou estimativas superiores de proteção, especialmente contra casos graves que levam à internação.
Contudo, a descoberta da proteção sustentada por uma dose abre um caminho importante para futuras investigações. Em cenários de escassez de vacinas ou para otimização de campanhas, a possibilidade de um esquema de dose única pode ser discutida por órgãos como a OMS, OPAS e o Ministério da Saúde, após mais estudos de acompanhamento de longo prazo. Essa flexibilidade pode ser crucial para regiões como a Costa do Sol, que enfrentam desafios na imunização em massa.
A pesquisa também acompanhou a mudança na circulação dos sorotipos da dengue em São Paulo, com o aumento do sorotipo 3 em 2025, que estava há mais de uma década com baixa presença. Mesmo diante dessa alteração epidemiológica, a efetividade geral da vacina não diminuiu, reforçando sua abrangência contra diferentes variantes do vírus.
O Rio das Ostras Jornal continuará acompanhando as atualizações sobre a vacinação contra a dengue e outras notícias relevantes para a saúde pública em Rio das Ostras, Macaé e toda a Região dos Lagos.
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