01/09/2026

Uma dose da vacina Takeda já evita internação de adolescentes por dengue.

Uma dose da vacina Takeda já evita internação de adolescentes por dengue.
Imagem gerada com IA

Uma análise recente em São Paulo revelou que a vacina Qdenga, do laboratório Takeda, oferece alta proteção contra hospitalizações por dengue em adolescentes de 10 a 15 anos. O estudo, que acompanhou as epidemias de 2024 e 2025, mostrou que o imunizante mantém sua efetividade mesmo após a aplicação de apenas uma dose, um dado relevante para a saúde pública em Rio das Ostras, Macaé e toda a Região dos Lagos.

A pesquisa representa a fase 4 de testes da vacina, avaliando seu desempenho em condições de vida real e com uma amostra muito maior de participantes. Os resultados indicam que a Qdenga não só protegeu contra casos sintomáticos da doença, mas também contra a necessidade de internação, um dos maiores desafios durante os surtos de dengue que afetam o Interior do RJ.

Alta Proteção Confirmada em Condições Reais

O levantamento analisou 166.390 testes de dengue realizados em adolescentes entre fevereiro de 2024 e dezembro de 2025. Desses, mais de 65 mil foram positivos. Ao correlacionar esses dados com os registros de vacinação, os pesquisadores estimaram a efetividade da Qdenga em um cenário real. Para quem recebeu as duas doses recomendadas, a proteção contra a dengue sintomática foi de 73,1%, e contra hospitalização, impressionantes 87,9%.

O dado mais surpreendente, no entanto, foi a proteção observada com apenas uma dose. Nesses casos, a efetividade contra a doença sintomática foi de 59,2%, e contra hospitalização, 74,6%. Contrariando análises anteriores que sugeriam uma queda na proteção após 90 dias, o estudo atual não encontrou evidências dessa redução, com a efetividade se mantendo alta mesmo após um ano da primeira aplicação.

O pesquisador Julio Croda, um dos autores do estudo, ressalta a importância dessas análises pós-registro. Segundo ele, ensaios clínicos iniciais, com amostras menores, não conseguem captar a totalidade dos benefícios, como a proteção contra hospitalizações e efeitos adversos raros. A pesquisa atual, com mais de 166 mil testes, oferece uma precisão muito maior nas estimativas.

Implicações para o Futuro da Vacinação na Costa do Sol

Apesar dos resultados promissores com uma única dose, os pesquisadores enfatizam que o esquema completo de duas doses continua sendo o recomendado. O estudo não foi desenhado para comparar diretamente as estratégias de uma ou duas doses, e a segunda aplicação ainda demonstrou estimativas superiores de proteção, especialmente contra casos graves que levam à internação.

Contudo, a descoberta da proteção sustentada por uma dose abre um caminho importante para futuras investigações. Em cenários de escassez de vacinas ou para otimização de campanhas, a possibilidade de um esquema de dose única pode ser discutida por órgãos como a OMS, OPAS e o Ministério da Saúde, após mais estudos de acompanhamento de longo prazo. Essa flexibilidade pode ser crucial para regiões como a Costa do Sol, que enfrentam desafios na imunização em massa.

A pesquisa também acompanhou a mudança na circulação dos sorotipos da dengue em São Paulo, com o aumento do sorotipo 3 em 2025, que estava há mais de uma década com baixa presença. Mesmo diante dessa alteração epidemiológica, a efetividade geral da vacina não diminuiu, reforçando sua abrangência contra diferentes variantes do vírus.

O Rio das Ostras Jornal continuará acompanhando as atualizações sobre a vacinação contra a dengue e outras notícias relevantes para a saúde pública em Rio das Ostras, Macaé e toda a Região dos Lagos.

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